No More Room in Hell 2: Review sobrevivência tática transforma o apocalipse zumbi em uma experiência brutal

Muito mais imersão e terror cooperativo para curtir com os amigos

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No More Room in Hell 2 é a sequência do conhecido mod de No More Room in Hell, que surgiu originalmente como uma modificação para Source Engine. Desenvolvido pela Torn Banner Studios, o jogo chega com uma ideia de evoluir a experiência do antecessor dentro de um gênero que atualmente conta com diversas opções: a sobrevivência em um apocalipse zumbi.

O título ficou disponível para PC Windows via plataforma Steam em acesso antecipado desde 2024, passou por adiamentos e, após a previsão inicial de lançamento em 2025, chegou oficialmente à versão 1.0 em 11 de agosto de 2026. Junto ao lançamento definitivo, o jogo também recebeu versões para PlayStation 5 e Xbox Series X|S.

O jogo No More Room in Hell 2 traz uma jornada cooperativa PvE em um mundo pós-apocalíptico. Porém, sua abordagem se distancia de jogos como Left 4 Dead. Em vez de apostar em ação desenfreada, com hordas de zumbis correndo constantemente atrás dos jogadores, o título emprega uma entrada mais tática e cadenciada. Fique ciente que esta análise é desenvolvida através de um console do PlayStation 5.

Os zumbis seguem uma abordagem mais clássica, inspirada na representação tradicional dos mortos-vivos associada ao trabalho de George A. Romero. Eles são lentos individualmente, mas se tornam uma ameaça instigante quando aparecem em grande quantidade. Com essa característica que cria o senso de urgência durante as partidas.

No More Room in Hell 2, gameplay do jogo ao lado de um local para vasculhar.
(Reprodução)

Um jogo pensado para equipes

A experiência é claramente construída em torno do multiplayer. Durante a análise, a versão utilizada foi a de PS5, e o jogo conta com crossplay, permitindo partidas entre jogadores de diferentes plataformas.

As equipes podem ter até oito jogadores, formato que acaba sendo a maneira mais interessante de aproveitar sua jornada. Também é possível jogar sozinho, mas o jogo não realiza uma adaptação significativa da dificuldade para quem decide encarar as partidas sem companhia.

Por isso, o modo solo apresenta uma curva de aprendizado maior e pode ser mais restritivo para quem ainda não está acostumado com esse tipo de imersão. A dificuldade permanece praticamente a mesma, independentemente de o jogador estar acompanhado ou sozinho.

A estrutura das partidas também contribui para essa sensação. Como uma equipe pode reunir até oito pessoas, é natural que muitas partidas sejam formadas por jogadores conhecidos e desconhecidos. Nos testes realizados, as partidas foram disputadas com jogadores aleatórios, e mesmo nesse formato funcionou bem.

O jogo possui dois modos principais. No modo clássico, os jogadores começam espalhados por mapas amplos e precisam cumprir objetivos principais. Essa estrutura faz com que a partida tenha uma progressão própria: inicialmente, cada jogador precisa sobreviver sozinho, explorar o ambiente e montar seu equipamento até se aproximar do objetivo.

No More Room in Hell 2, infectado na mira do protagonista
(Reprodução)

Conforme os jogadores chegam à região central da missão, a dinâmica muda. É nesse momento que eles começam a se encontrar e precisam trabalhar juntos para completar objetivos menores, solucionar desafios e avançar.

Esse loop é um dos principais destaques de No More Room in Hell 2. A gestão de recursos é fundamental e sair correndo pelo mapa, produzindo barulho e atraindo os zumbis, pode resultar rapidamente em uma derrota.

A morte realmente importa

Um dos aspectos mais importantes da do título é o sistema de morte permanente.

Nas dificuldades mais baixas, existem algumas possibilidades de reviver o personagem. Na dificuldade inicial, por exemplo, há um item que permite retornar à partida depois de determinado período. Conforme a dificuldade aumenta, essas possibilidades diminuem até chegar ao sistema de permadeath.

Cada jogador pode ter até três personagens. Caso um deles morra ou seja infectado, as consequências podem ser permanentes.

A infecção ocorre, por exemplo, quando o personagem é mordido e não recebe medicação a tempo. Nesse caso, o sobrevivente é perdido junto com seus níveis e equipamentos. É uma mecânica que aumenta consideravelmente o peso de cada decisão e pode ser frustrante para quem é pego desprevenido.

No More Room in Hell 2, detalhes do personagem e inventário
(Reprodução)

Esse é também um dos motivos pelos quais o modo solo pode ser menos interessante. Embora existam alguns facilitadores para quem joga sozinho, a campanha continua bastante punitiva.

O segundo modo é o de sobrevivência. Nele, o jogador precisa enfrentar três ondas de zumbis, distribuídas ao longo de uma partida de aproximadamente 20 a 30 minutos, até conseguir chegar ao helicóptero de extração. Esse modo foi introduzido com a atualização 1.0.

Uma narrativa construída em cada mapa

A parte narrativa não é o principal foco do jogo. Cada mapa funciona como uma espécie de história fechada, enquanto os sobreviventes são personagens customizáveis e gerados durante a progressão.

Conforme o jogador perde e cria novos personagens, é possível personalizá-los utilizando as moedas disponíveis no jogo. Também existe uma moeda mais rara, utilizada para adquirir itens de maior raridade e um rádio de emergência que permite ressuscitar o personagem.

A dificuldade interfere diretamente em vários desses sistemas. Além das diferenças relacionadas à possibilidade de reviver, há alterações na quantidade de zumbis, na presença de inimigos mais fortes e na disponibilidade de recursos espalhados pelo mapa. Em contrapartida, dificuldades maiores oferecem mais experiência ao final das partidas.

O jogo conta com textos em português. Entretanto, nos testes realizados no PS5, não foi encontrada uma opção para ativar legendas durante as comunicações por rádio. Isso pode fazer com que jogadores que não dominam inglês tenham dificuldade para acompanhar parte da narrativa transmitida nesses momentos.

Cenário do jogo em No More Room in Hell 2
(Reprodução)

O chat por proximidade aumenta a tensão

Como o trabalho em equipe é essencial, No More Room in Hell 2 utiliza chat por proximidade.

Isso significa que não é possível simplesmente conversar com todos os jogadores da partida desde o início. Para estabelecer comunicação, é necessário estar fisicamente próximo de outro sobrevivente.

A mecânica funciona bem dentro da temática do jogo. Ela lembra o conceito de um looter shooter, mas transportado para um cenário de apocalipse zumbi, criando situações em que os jogadores precisam se aproximar para conversar, combinar estratégias ou decidir o próximo passo.

Essa abordagem também contribui para a imersão. Em vez de ter uma comunicação constante com todo o grupo, o jogador precisa encontrar seus companheiros durante a partida.

Escuridão também é uma ameaça

No More Room in Hell 2 é um jogo bastante punitivo. Fazer barulho demais pode atrair grandes grupos de zumbis, e isso se torna ainda mais perigoso porque os mapas são extensos e, em grande parte da empreitada, apresentam ambientes escuros e com pouca iluminação.

A lanterna passa a ser um equipamento essencial. O jogador pode utilizar a lanterna convencional ou acoplar uma fonte de iluminação à arma. Porém, a bateria também possui duração limitada.

Zumbis em cena no jogo No More Room in Hell 2
(Reprodução)

Essa combinação cria situações de tensão. É possível estar caminhando em direção ao objetivo e ficar sem bateria justamente quando um grupo de zumbis aparece. Também existem momentos em que um inimigo surge de maneira inesperada, provocando sustos e aumentando a sensação de perigo.

A escassez de recursos torna esses encontros ainda mais perigosos. Mesmo nas dificuldades mais baixas, munição não aparece em abundância pelo mapa.

As armas de combate corpo a corpo, como marreta, pá e machado, funcionam bem contra inimigos isolados. Porém, quando vários zumbis cercam o personagem, a situação muda completamente. Mesmo com um bom equipamento, as chances de morrer ou ser infectado aumentam consideravelmente.

Se o jogador ainda estiver sozinho e não tiver encontrado o restante da equipe, uma situação desse tipo pode significar o fim da partida.

Som e iluminação são fundamentais

Tecnicamente, o som é um dos pontos mais importantes do jogo. Como os mapas podem colocar o jogador sozinho em situações de baixa visibilidade, ouvir os inimigos permite identificar de onde eles estão vindo e evitar ficar cercado.

Em determinados momentos, é necessário contornar grupos de zumbis, encontrar caminhos alternativos ou simplesmente atravessar uma área sem chamar atenção.

A iluminação também tem papel fundamental. A lanterna de um veículo destruído, um poste piscando ou as luzes internas de determinados ambientes podem ajudar o jogador a enxergar uma área maior.

Os efeitos de iluminação, principalmente aqueles relacionados às lanternas, funcionam bem e ajudam a construir a atmosfera de tensão.

Locais para encontrar itens no jogo No More Room in Hell 2
(Reprodução)

No PS5 utilizado durante a análise, não foram encontradas opções gráficas ou um modo específico de desempenho. Pela minha imersão durante as partidas, o jogo apresentou desempenho próximo de 60 fps e não foram observados problemas relevantes de performance.

Também não foram encontrados bugs significativos durante as partidas testadas, mesmo considerando os mapas extensos e a quantidade de personagens e inimigos presentes simultaneamente.

A trilha sonora é mais limitada. Ela aparece principalmente nos menus e em momentos específicos de tensão, como quando o personagem está próximo da morte ou quando uma horda é ativada.

Durante os momentos tranquilos, a ausência de música ajuda a destacar os sons do ambiente. Nesse caso, ouvir os zumbis é mais importante do que ter uma trilha constante acompanhando a partida.

Armas, equipamentos e objetivos

A variedade de armas e equipamentos é um dos pontos positivos do jogo. Além dos armamentos disponíveis, o jogador pode encontrar peças durante as partidas, incluindo silenciadores, miras e lanternas que podem ser acopladas às armas.

Armas e munições no jogo No More Room in Hell 2
(Reprodução)

Também existem minas, granadas e outros equipamentos que ajudam a distrair os zumbis ou criar uma oportunidade para escapar.

Os objetivos seguem uma estrutura bastante tradicional para esse tipo de jogo. É possível encontrar um fusível para ativar um painel elétrico, solucionar puzzles envolvendo fios e acionar disjuntores, entre outras tarefas.

Em determinados momentos, o objetivo pode ser alimentar uma fogueira no meio da cidade para permitir a chegada do helicóptero de resgate. A variedade mantém a equipe ocupada e incentiva os jogadores a se espalharem pela região para concluir os objetivos de maneira mais rápida.

Existe ainda um sistema de suprimentos. Cada jogador pode coletar recursos durante a partida e levá-los consigo caso consiga realizar a extração.

Esses suprimentos podem posteriormente ser convertidos em experiência e moeda do jogo, permitindo fortalecer a progressão. Existe um nível de conta e também níveis individuais dos personagens, que contam com árvores de habilidades desbloqueadas conforme o progresso aumenta.

É uma progressão que exige tempo, principalmente para elevar o nível da conta e dos sobreviventes e liberar novas possibilidades.

Cenário com zumbis e fogo no jogo No More Room in Hell 2
Imagem reprodução)

Gamerdito (veredito) – Vale a pena jogar No More Room in Hell 2?

No conjunto, No More Room in Hell 2 encontra seu melhor momento quando jogado em equipe. Ter amigos para formar um grupo de até oito jogadores ou simplesmente encontrar outros sobreviventes durante as partidas torna o jogo mais divertido.

Depois que o jogador entende seu loop de gameplay e percebe que o ritmo é mais cadenciado, o jogo consegue entregar uma experiência cooperativa interessante.

A dinâmica não está em correr constantemente e eliminar grandes quantidades de inimigos. O foco está na estratégia, no gerenciamento de recursos, na comunicação e na capacidade de tomar decisões enquanto os zumbis ameaçam a sobrevivência do grupo.

No More Room in Hell 2 é um jogo competente dentro daquilo que se propõe a fazer. Ele não é um primor gráfico, mas apresenta boa ambientação, iluminação eficiente, som importante para a jogabilidade e um loop de gameplay que funciona.

Por fim, esta temática também pode servir como uma alternativa para quem procura um jogo cooperativo para intercalar com outros títulos, especialmente em um período com muitos lançamentos.

Finalizo esta review do jogo No More Room in Hell 2 ccom uma nota final: 8/10.

A avaliação considera principalmente a diversão proporcionada pelo jogo, sua imersão e a maneira como o sistema de sobrevivência e cooperação funciona.


Agradecemos à Torn Banner Studios responsável pelo desenvolvimento do jogo e sua disponibilização de uma cópia para análise na versão de Playstation 5. O recebimento do título não influenciou o conteúdo, a avaliação ou a nota da nossa review, que refletem exclusivamente a experiência da nossa equipe com o jogo.

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