Se você entrou na Netflix neste mês de setembro e começou a esbarrar em A Batalha dos 100, provavelmente deve ter pensado: “mas de onde saiu isso?”. O reality fitness que os usuários estão descobrindo agora já está há alguns anos colocando atletas em provas que fazem o corpo pedir arrego.
E não estamos mais falando apenas da produção original. Depois de duas temporadas, a franquia ganhou uma edição com competidores de diferentes países da Ásia e agora chegou a vez de Itália e México entrarem na disputa.
O detalhe é que as duas versões chegaram praticamente juntas. A Batalha dos 100: Itália estreou em 11 de setembro, enquanto A Batalha dos 100: México chegou à Netflix cinco dias depois, em 16 de setembro. A edição italiana termina em 2 de outubro, enquanto a mexicana tem seu último episódio previsto para 23 de setembro.
Foi essa chegada quase simultânea que me fez voltar algumas casas e olhar para toda a trajetória desse reality.
Afinal, para quem está chegando agora, qual é a ordem certa para assistir?
Tudo começou com 100 competidores
A primeira temporada de A Batalha dos 100 colocou 100 participantes diante de uma sequência de provas físicas. Conhecida globalmente como Physical 100, essa produção, é diferente dos demais reality show. Por isso, é uma das coisas que fazem o programa funcionar: você olha para alguns competidores e pensa que determinado físico vai dominar tudo.

Só que não é tão simples assim.
Força ajuda, claro, mas resistência, estratégia e a maneira como cada participante administra o próprio corpo fazem diferença conforme as provas avançam.
Na primeira temporada, a disputa chegou à final com Jo Jin-hyeong, Park Jin-young, Kim Min-cheol, Woo Jin-yong e Yoon Sung-bin.
No fim, Woo Jin-yong derrotou Jung Hae-min e levou os 300 milhões de won destinados ao vencedor.
Na época, escrevi sobre como o resultado surpreendeu justamente porque o grande campeão não aparecia necessariamente como o nome mais cotado para chegar ao fim.
E essa é uma das características que comecei a perceber acompanhando o reality: não adianta chegar com um físico absurdo se você não souber usar o que tem.
A segunda temporada mostrou que não era sorte
Quando veio a segunda temporada, o formato continuou praticamente com a mesma ideia: 100 competidores, provas cada vez mais desgastantes e um prêmio esperando quem conseguisse chegar até o final.
O campeão foi Kim Jae-hong, conhecido como Amotti.
A final contra Hong Beom-seok foi uma daquelas disputas que resumem o programa. Os dois precisavam empurrar um grande tronco em uma arena, em uma melhor de três.
Hong venceu a primeira rodada depois de mais de 30 minutos.
Contudo, também começou a aparecer o problema de qualquer prova de resistência: o corpo cobra a conta.
Amotti percebeu o desgaste do adversário, conseguiu empatar a disputa e chegou à terceira rodada. Hong acabou se desequilibrando, e Amotti teve caminho livre para empurrar o tronco até a linha de chegada.
Era o segundo vencedor da história do programa.
E foi aí que o reality começou a deixar de ser apenas aquele programa coreano com 100 pessoas se matando em provas físicas.
A Batalha dos 100: Ásia mudou a brincadeira

Depois das duas temporadas coreanas, veio A Batalha dos 100: Ásia.
Aqui, a coisa ficou maior.
Em vez de colocar apenas competidores individuais na arena, a produção reuniu atletas de diferentes países para representar suas nações. Japão, Austrália, Coreia do Sul e Mongólia chegaram às fases decisivas, em uma temporada com 12 episódios.
Nessa edição que comecei a enxergar ainda mais claramente uma característica do programa: não existe uma receita única para vencer.
Na prova da esteira, por exemplo, os competidores precisavam fazer trocas em intervalos determinados. Depois vieram provas de força e trabalho em equipe, incluindo a conquista do castelo.
A Coreia do Sul conseguiu avançar até a final contra a Mongólia e acabou conquistando o título.
O prêmio também cresceu. Enquanto as duas primeiras temporadas entregaram 300 milhões de won, a edição asiática colocou 1 bilhão de won em disputa.
Mas o que mais me instigou foi acompanhar países que pareciam estar ficando pelo caminho e, de repente, estavam brigando pelas últimas vagas.
A Mongólia foi um desses casos. Parecia estar escanteada durante boa parte da competição, mas conseguiu chegar à final.
É nesse momento que você entende por que o programa consegue prender. Você começa olhando para o corpo do competidor e termina prestando atenção na estratégia.
Mas houve acusação de manipulação
E antes de falar das versões internacionais, existe uma parte que não dá para deixar de fora.
A Batalha dos 100 também já foi alvo de acusações de manipulação.
A controvérsia aconteceu principalmente em torno da final da primeira temporada. A disputa teve problemas durante a execução da prova e acabou levantando questionamentos sobre o resultado.
Isso gerou acusações de que a competição poderia ter sido manipulada.
Só que existe uma diferença importante entre uma acusação e algo comprovado.
Os produtores negaram que houvesse manipulação e divulgaram imagens da prova para responder aos questionamentos. Portanto, o assunto faz parte da história do reality, mas não dá para afirmar que houve manipulação como se isso tivesse sido comprovado.
E talvez esse seja um ponto importante para quem está chegando agora: o programa já passou por discussões fora das arenas, mas continuou avançando.
Então por que ficou tão famoso?
É aqui que, para mim, está a parte mais interessante.
O programa encontrou uma maneira muito simples de colocar o público para acompanhar pessoas que, normalmente, talvez nem tivessem suas histórias conhecidas.
Você tem fisiculturista, lutador, atleta de CrossFit, corredor, esportista de diferentes modalidades e participantes com corpos completamente diferentes.
Depois coloca todos em uma situação em que aquele físico precisa provar para que serve. Só que, conforme a competição avança, a força deixa de ser suficiente. O participante precisa saber quando gastar energia. Precisa trabalhar com os outros. Precisa entender a prova. Precisa aguentar quando o corpo começa a reclamar.
Na edição asiática, isso ficou ainda mais evidente porque a competição também passou a colocar culturas diferentes frente a frente.
Robert Whittaker, lutador australiano do UFC, participou da competição. Manny Pacquiao também apareceu representando as Filipinas, embora tenha deixado o programa por questões pessoais.
A escala aumentou.
E agora a Netflix está levando essa mesma ideia para outros países.
Itália e México chegaram quase ao mesmo tempo

A primeira versão europeia é A Batalha dos 100: Itália.
A produção começou a ser lançada em 11 de setembro e terá sua conclusão em 2 de outubro.
Cinco dias depois, em 16 de setembro, chegou A Batalha dos 100: México.
Ou seja, enquanto uma edição ainda está sendo exibida, outra começou praticamente ao lado.
Não encontrei uma confirmação da Netflix dizendo que isso aconteceu por causa de uma nova temporada coreana ou por alguma pressão para manter a produção original em evidência.
Mas é uma coincidência de calendário produções colada na outr.
Existe a possibilidade de a empresa estar aproveitando o momento em que o formato está ganhando espaço para colocar duas novas versões no catálogo praticamente ao mesmo tempo.
Também dá para pensar em outra possibilidade: manter a marca circulando enquanto uma eventual nova temporada coreana não chega.
Mas isso é leitura minha sobre o calendário. Não existe, até aqui, confirmação de que uma nova temporada coreana esteja sendo preparada para o fim de 2026 ou começo de 2027 por causa dessas versões.
O que sabemos é que a franquia deixou de ser apenas coreana.
Primeiro foi para a Ásia.
Agora está na Itália.
E chegou ao México.
Qual ordem assistir A Batalha dos 100?
Se você descobriu o programa agora, eu seguiria a ordem de lançamento:
1. A Batalha dos 100 — temporada 1
2. A Batalha dos 100 — temporada 2
4. A Batalha dos 100: Itália
5. A Batalha dos 100: México
As versões Itália e México podem ser assistidas sem conhecer as temporadas anteriores, já que cada produção apresenta seus próprios participantes e provas.
Mas assistir às temporadas anteriores ajuda a entender como o formato foi crescendo. Você vê primeiro a competição individual. Depois acompanha a segunda temporada refinando a fórmula.
Na Ásia, a disputa passa para equipes nacionais.
E agora Itália e México estão pegando essa mesma estrutura e colocando seus próprios participantes dentro dela.
O reality está realmente ganhando o mundo
É cedo para dizer até onde A Batalha dos 100 vai chegar. Porém, basta olhar para a sequência.
Começou na Coreia do Sul, ganhou uma segunda temporada, levou a competição para diferentes países da Ásia e agora ganhou versões na Itália e no México.
E isso explica por que tantos usuários estão descobrindo o programa somente agora.
Quem abriu a Netflix neste mês talvez esteja vendo pela primeira vez o nome A Batalha dos 100, mas a produção já percorreu um caminho considerável até chegar aqui.
Se você é uma dessas pessoas, agora já sabe por onde começar.
E se depois de assistir você olhar para uma academia e pensar que está pegando pesado demais, lembre-se: poderia estar empurrando um tronco de dezenas de quilos enquanto outros 99 atletas estão tentando acabar com a sua alegria.
A Batalha dos 100 é isso.
No fim, alguém sempre termina com o torso intacto.
Nota editorial: Fique ciente de que este artigo não é patrocinado pela Netflix e não possui qualquer vínculo comercial com a empresa. Em nove anos de MeUGamer, nunca fomos convidados pela Netflix para nenhum de seus eventos presenciais. Por isso, nossa cobertura sobre A Batalha dos 100 é feita de forma independente, com base no conteúdo disponibilizado pela plataforma e na nossa própria análise da produção.
