Active Matter chega ao mercado com uma mistura que, no papel, poderia parecer apenas mais uma tentativa de entrar na onda dos extraction shooters. Publicado oficialmente em 15 de setembro de 2026, para PC via Steam e consoles de Playstation e Xbox. A produção traz uma combinação de saque, missões, extração e confronto entre jogadores já virou uma fórmula conhecida. Sua desenvolvedora é a Matter Team com publicação da Gaijin Network, mesma publicadora de War Thunder, Enlisted e outros. Eles exploram uma identidade ao colocar um sistema de extração dentro de um universo marcado por anomalias, criaturas e distorções de espaço e tempo, aproximando a estrutura de Escape from Tarkov e estilo ambiental de S.T.A.L.K.E.R.
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O resultado atrai principalmente quando a partida deixa de ser uma simples busca por recursos. Uma casa abandonada, uma instalação militar ou uma área aparentemente tranquila pode esconder criaturas, alterações na gravidade ou outros perigos capazes de transformar uma incursão aparentemente controlada em uma corrida pela sobrevivência.
Adentre nesta nossa análise do jogo e confira o que achei durante minha empreitada nessa aventura das anomalias.
A sensação de insegurança é uma das maiores virtudes de Active Matter. O jogador precisa observar o ambiente, administrar equipamentos, cumprir objetivos e decidir até onde vale continuar antes de procurar uma saída. Encontrar algo valioso muda imediatamente a relação com o mapa: permanecer significa buscar mais recursos, mas também aumenta a possibilidade de perder aquilo que já foi conquistado.
Um mundo que sustenta o jogo
A ambientação é o ponto em que Active Matter consegue se afastar com maior facilidade dos concorrentes.
As referências a S.T.A.L.K.E.R. aparecem com frequência entre os jogadores, mas o jogo não depende apenas da estética para criar essa associação. O universo apresenta zonas afetadas por anomalias, criaturas próprias e alterações que modificam a maneira como os mapas são percorridos.

A gravidade é um dos exemplos mais interessantes. Objetos e estruturas podem aparecer em posições que desafiam a lógica convencional, criando situações que não seriam possíveis em um extraction shooter tradicional. A própria arquitetura contribui para a sensação de estar em um mundo quebrado.
Os mapas também recebem muitos elogios. Existe espaço para explorar construções, procurar recursos, encontrar pontos de interesse e descobrir áreas que não precisam ser visitadas apenas para cumprir uma missão. A variedade entre localidades ajuda a evitar que as incursões pareçam visualmente iguais.
A ambientação funciona ainda melhor durante os momentos de silêncio. Sons de criaturas, disparos distantes e ruídos do próprio cenário ajudam a criar tensão sem depender de confrontos constantes.
O combate tem peso
O tiroteio segue uma linha mais tática do que arcade. As armas possuem impacto e diferentes categorias apresentam sensações distintas durante os confrontos.
Escopetas, rifles e armas de maior calibre aparecem com frequência nos elogios dos jogadores antes mesmo da versão final. A variedade de armamentos também conversa bem com o sistema de saque, permitindo encontrar equipamentos durante os raids e ampliar as possibilidades de montagem do inventário.

A relação entre armas e criaturas acrescenta outra camada ao combate. Alguns inimigos exigem abordagens diferentes, enquanto determinadas ameaças podem ser enfrentadas com equipamentos específicos.
Nem tudo funciona no mesmo nível. Há diferenças pouco perceptíveis entre armas do mesmo calibre, além de situações em que a quantidade de disparos necessária para derrubar uma criatura parece inconsistente.
A inteligência artificial é outro ponto que limita o potencial dos confrontos. Inimigos podem ficar presos em estruturas, correr de maneira estranha ou apresentar comportamentos pouco convincentes. O problema pesa principalmente porque o design das criaturas é um dos elementos mais interessantes do jogo.
PvE é um dos grandes acertos
A existência de um modo PvE dedicado muda bastante a relação com Active Matter.
Quem não gosta da dinâmica de enfrentar outros jogadores pode entrar nas zonas sozinho ou em cooperação com amigos e concentrar a atenção nas criaturas, anomalias, exploração e missões. O formato também funciona como uma maneira menos agressiva de aprender os sistemas do jogo.

Essa liberdade é um ponto positivo e acredito aos testarem o jogo no seu vislumbre. O jogador não precisa transformar cada incursão em uma disputa contra alguém escondido esperando pelo momento de atacar. Existe uma ressalva importante: PvE e PvP não oferecem exatamente a mesma progressão.
Alguns objetivos, recompensas e partes do avanço podem depender do modo principal. O PvE permite uma jornada própria e bastante conteúdo, mas não deve ser tratado como uma reprodução integral do progresso disponível no PvP. Essa diferença não destrói a proposta do modo, mas muda a expectativa de quem pretende jogar exclusivamente contra a inteligência artificial.
Quando o jogo começa a cobrar mais do jogador
O início de Active Matter parece ser uma das partes mais eficientes da produção. Há equipamentos para descobrir, recursos para coletar, missões para cumprir e sistemas para aprender.
A progressão começa a perder força conforme o jogador avança.
O Monolith, os blueprints, as tarefas, os recursos e os diferentes sistemas de evolução criam uma quantidade considerável de objetivos. O problema surge quando o volume de tarefas passa a substituir a sensação de descoberta.
O que eventualmente podemos ter sensações de missões que começam a se repetir, enquanto recompensas deixam de justificar o esforço necessário para obtê-las. O loot também apresenta muitos objetos com pouca utilidade prática.
A sensação é diferente para quem gosta de grind. Pois, essa é minha impressão, embora outros jogadores vão achar essa progressão satisfatória e enxergar as tarefas como incentivo para continuar explorando os mapas.
O ponto de equilíbrio parece depender bastante do perfil de quem joga. Active Matter oferece bastante conteúdo, mas nem todo esse conteúdo mantém o mesmo nível de interesse depois das primeiras dezenas de horas.
PvP coloca veteranos e novatos em situações diferentes
O PvP é a parte mais controversa do jogo.
A tensão de entrar em uma zona, carregar equipamentos valiosos e tentar sair vivo pode produzir alguns dos melhores momentos do gênero. Também existe o outro lado: como camping em pontos de extração, emboscadas, ataques próximos ao spawn e veteranos muito mais avançados enfrentando quem está começando.

A ausência de um reset completo na versão final é estranho. Jogadores que acompanhavam o título antes do lançamento na plataforma já possuíam progressão, equipamentos e vantagens acumuladas. Foi o que percebi ao jogar pela primeira vez, não é impossível competir, mas é mais árduo.
Esse cenário cria uma barreira inicial para quem chega depois. A sensação de estar enfrentando alguém com muito mais tempo de jogo aparece em diferentes avaliações.
O PvP, portanto, entrega a tensão que se espera de um extraction shooter, mas também concentra boa parte da frustração relatada pela comunidade.
A monetização pesa na avaliação
Esse é o problema mais difícil de ignorar.
Apesar da edição padrão possuir um preço acessível, as edições superiores e as Body Sleeves possuem valores elevados. Já que algumas dessas opções não funcionam apenas como conteúdo cosmético e podem oferecer vantagens estatísticas dentro das partidas.
A Knight Sleeve, coloca o equipamento acima das alternativas disponíveis para quem compra a edição básica. Na minha visão é uma discussão legítima sobre o quanto essas vantagens alteram o equilíbrio real das partidas. O problema editorial está em outro lugar: o fato que isto pode ser identificado como monetização para pay-to-win.
Quase sempre aparecia na tela uma sugestão de avisos para adquirir versões superiores e a apresentação de recompensas associadas aos pacotes mais caros.
Para um jogo que cobra pelo acesso, a percepção de que determinados benefícios de gameplay estão vinculados a uma edição mais cara cria um atrito difícil de separar da própria experiência.
Interface precisa de trabalho
A quantidade de sistemas cobra seu preço na interface.
Inventário, Monolith, blueprints, refinador, replicador, equipamentos e missões formam uma estrutura grande, mas nem sempre bem apresentada. Alguns menus acabaram me confundido e sinceramente com informações difíceis de interpretar.

Quem dedica algumas horas ao jogo tende a compreender melhor como tudo funciona. O problema está no primeiro contato, quando a quantidade de elementos pode parecer maior do que a necessidade real.
O jogo também não possui localização completa em português brasileiro. Existe suporte a português europeu, mas parte do conteúdo permanece em inglês. Para um título com tantos sistemas e objetivos, a ausência de uma tradução completa pesa principalmente no processo de aprendizado. Acredito que à medida que novos jogadores brasileiros adentrem nesta produção adquirindo o jogo, eles possam lançar uma versão nativa com localização brasileira.
Desempenho
Os usuários que jogarem com máquinas antigas até podem conseguir rodar o jogo. Contudo, sempre recomendo verificar os requiisitos de sistema, como nossa ferramenta em versão beta, que exibe milhares de GPU e GPU, aqui. Como os jogos mais recentes o desempenho vai depender de algumas configurações. Senti um pouco de uso elevado do processador, stuttering, congelamentos e necessidade de recursos como frame generation para alcançar uma performance confortável em determinadas configurações. Ainda assim, não tive problemas de me aprofundar na imersão do jogo.
A percepção vai variar bastante conforme hardware e ajustes gráficos.
Não dá para classificar Active Matter simplesmente como um jogo mal otimizado. Também seria exagero tratar o desempenho como impecável. A comunidade relatará diversos feedbacks futuros, para que os desenvolvedores possam lançar patchs de melhorias.
A ausência de servidores dedicados para a América do Sul é outra questão para o público brasileiro. Ao menos, quando testei não apareceu o servidor Latam, mas o ping pode ser elevado para latências que jogam do Brasil.

Gamerdito (Veredito) vale a pena jogar Active Matter
Por fim, Active Matter tem uma vantagem que muitos jogos do gênero acabam perdendo: identidade.
A combinação de exploração, terror, ficção científica, anomalias, criaturas e extração cria um universo que não depende apenas da fórmula conhecida de entrar, coletar e sair. O mundo tem características próprias suficientes para fazer uma incursão parecer diferente de outra.
O PvE é um diferencial particularmente importante. Poder explorar as zonas sem transformar cada encontro em um duelo contra outro jogador amplia o público potencial e permite aproveitar a ambientação com outro ritmo.
Os problemas aparecem quando o jogador permanece tempo suficiente para chegar às camadas mais profundas do sistema. A progressão pode se transformar em grind, as missões podem perder variedade, a interface exige paciência e a monetização coloca uma sombra sobre um jogo que tem um núcleo bastante competente.
Além disso, Active Matter não parece precisar de uma reinvenção. Precisa preservar aquilo que funciona e resolver o que começa a desgastar a jornada.
As anomalias, os mapas, as criaturas, o combate e o PvE formam uma combinação incomum dentro do gênero. Se a Matter Team conseguir equilibrar melhor a progressão, reduzir a repetição das tarefas, aprimorar a inteligência artificial e rever a relação entre dinheiro e vantagens dentro das partidas, existe espaço para o jogo crescer bastante.
Para quem procura um extraction shooter mais lento, atmosférico e disposto a misturar terror com ficção científica, Active Matter tem algo próprio para oferecer. Ao demais que esperam um shooter competitivo rápido ou uma progressão sem grind, a ideia pode cansar antes de mostrar tudo o que tem.
O melhor do jogo está no mundo que ele construiu. O maior risco está em transformar esse mundo em uma sequência de tarefas repetitivas e vantagens associadas ao tamanho da carteira.
O Shooter de extração Active Matte está disponível para jogar nas plataformas Steam para PC, Playstation 5 na PS Store e Xbox Series X|S via Microsoft Store.
