Imagina na Adolescência — crítica teatral

Adaptação da obra de Thaís Vilarinho combina humor e emoção ao abordar a relação entre mãe e filho na adolescência

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Imagina na Adolescência é a adaptação teatral do livro de Thaís Vilarinho. O espetáculo acompanha uma mãe que se depara com a transformação do filho: aquele que ainda é “seu bebezinho” já se tornou um adolescente com opiniões, desejos, escolhas e um mundo próprio. A peça trata exatamente do medo do desconhecido que invade a relação quando a infância acaba e a autonomia começa a se impor.

Com dramaturgia de Cláudia Gomes, direção de Joana Lebreiro e coordenação artística de Pablo Sanábio, o espetáculo tem Priscila Assum em cena, atriz que já atuou na novela O Outro Lado do Paraíso como Desirée. Ela sustenta sozinha a apresentação. A temporada acontece no Teatro Multiplan MorumbiShopping (Av. Roque Petroni Júnior, 1089 – São Paulo), com duração de 75 minutos e classificação indicativa de 12 anos, até o dia 25 de outubro.

A ideia é colocar o público dentro da cabeça e do corpo de uma mãe que tenta, ao mesmo tempo, manter o apego maternal e lidar com a necessidade de soltar. É uma mulher em processo: uma hora controladora, outra vulnerável, mas sempre tentando encontrar um espaço na vida do filho.

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A atriz Priscila Assum durante sua atuação no espetáculo Imagina na Adolescência, que aborda o apego materno e a autonomia dos filhos.

Priscila dá vida à personagem em uma apresentação de alta voltagem técnica e emocional. Ela equilibra com precisão o desespero e a preocupação excessiva com a saúde e a segurança do filho, ao mesmo tempo que traz a tristeza pela separação, sem deixar de mostrar o humor de uma mãe que se reconhece “chata” e superprotetora. A entrega corporal é exigente e bem resolvida, enquanto o trabalho de voz e ritmo consegue manter a plateia engajada do início ao fim.

O texto é leve, bem ritmado e inteligente, e revela a preocupação em adotar uma linguagem que combina o tom íntimo e confessional da mãe com expressões jovens (como “vlw, flw, tlg” e outras gírias da comunicação adolescente) de maneira orgânica e bem-humorada. Isso provoca identificação imediata, tanto entre quem está vivendo essa fase quanto entre quem já a superou. Os diálogos soam autênticos, e a direção soube dosar a encenação sem cair em uma palestra.

Uma reflexão poderosa que ressoa é a ideia de que muitas vezes esquecemos como é essa fase, apesar de também termos passado por ela. A obra aborda o apego materno, especialmente no caso de mães de filhos únicos ou de meninos, explorando o quanto a superproteção pode nascer tanto do amor quanto do medo de perder o lugar privilegiado que se ocupou durante a infância.

Isso fica bem claro com a cenografia estruturada. Cada objeto e cada espaço do palco ganham função e ajudam o espectador a visualizar os momentos da história sem dispersar a atenção. A trilha sonora mistura músicas dos anos 70 com canções atuais e funciona como um comentário inteligente sobre o choque de gerações e a passagem do tempo. Iluminação, figurino e sonoplastia acompanham a jornada emocional da personagem sem excessos, mantendo o foco onde ele precisa estar.

Por fim, Imagina na Adolescência é eficaz em transmitir sua mensagem. A peça não oferece soluções fáceis nem romantiza a adolescência. Em vez disso, proporciona reconhecimento, humor e uma dose generosa de empatia. Consegue ser, ao mesmo tempo, divertida e profunda, fazendo-nos rir das situações absurdas da convivência diária e nos emocionando quando a mãe se depara com a solidão de ver o filho crescer e se afastar.

Não é necessário ser mãe para se emocionar ou se divertir. Qualquer pessoa que já tenha sido adolescente ou conviva com um encontra familiaridade na história. É um espetáculo altamente recomendável, mesmo para aqueles que foram apenas acompanhar alguém. A peça oferece uma nova perspectiva sobre essa fase desafiadora da “aborrescência”.


Agradecemos à assessoria pela disponibilização dos convites para a estreia.

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Nane Tasca
Nane Tascahttp://www.meugamer.com
Apaixonada pelo universo dos games, devoradora de séries e cinéfila de carteirinha, encontro também no teatro a magia das histórias que ganham vida. Doidinha das redes sociais, aspirante a jornalista, tento embarcar em tudo com um olhar crítico, mas sem perder a leveza. De pixel em pixel, de cena em cena, de palco em palco, e até na degustação de um bom prato, quero sempre compartilhar uma visão clara e, claro, com uma boa dose de descontração. Amo viagens e tenho um pezinho no mundo da beleza.

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