Review | Tougen Anki

Um aglomerado de vários outras obras do gênero, mas sem nada original

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A primeira temporada de Tougen Anki apresenta Shiki Ichinose (Kazuki Ura), um jovem que se vê envolvido em uma guerra milenar entre os Onis e os descendentes do herói humano Momotaro. Ao descobrir que pode ter um papel central nesse conflito, Shiki automaticamente se torna um alvo, dando início a uma jornada marcada por violência, revelações e treinamento sobrenatural. Nossa análise consiste em uma crítica técnica baseada em todos os episódios desta temporada.

Apesar de um ponto de partida promissor, a série rapidamente deixa claro que seguirá um caminho extremamente familiar para quem conhece o gênero battle shonen. Do evento traumático que introduz Shiki ao mundo dos Onis até o encerramento da temporada, a narrativa raramente surpreende, apoiando-se quase exclusivamente em arquétipos já desgastados. Essa falta de originalidade aumenta a expectativa por execução técnica e narrativa, algo que a produção não consegue sustentar.

Tougen Anki review da primeira temporada e momento marcante
© Yura Urushibara (Akita Shoten)

Um protagonista pouco carismático e mal desenvolvido, ambiente escolar e professor mal explorados

Grande parte dos problemas da temporada começa com o próprio Shiki. Impulsivo, barulhento e frequentemente irritante, o protagonista demonstra pouca capacidade de reflexão, resolvendo conflitos quase sempre por instinto. Sua evolução emocional é superficial, e a constante sensação de “armadura de roteiro” dificulta criar qualquer tensão real em torno de seus desafios.

A situação se agrava quando a série abandona rapidamente a proposta de azarão. Em poucos episódios, Shiki é revelado como herdeiro de uma linhagem poderosa, recebendo um nível de força que o coloca acima da maioria dos personagens. Embora exista a ideia de que ele não controla totalmente esse poder, a narrativa ignora essa limitação sempre que conveniente, enfraquecendo ainda mais o impacto de seus conflitos.

Após os eventos iniciais, incluindo a morte de seu pai adotivo, Shiki é enviado a uma escola de Onis para aprender a dominar suas habilidades. Lá, ele passa a treinar sob a tutela de Mudano (Hiroshi Kamiya), um professor rígido, frio à primeira vista, mas secretamente preocupado com seus alunos.

Mudano é a personificação de um arquétipo amplamente explorado em obras do gênero: o mentor severo que força seus alunos ao limite para prepará-los para ameaças maiores. A série parece acreditar que exagerar esse comportamento o tornará mais interessante, mas o resultado é apenas mais um personagem previsível, sem qualquer diferencial relevante.

Cena de tensão do personagem principal em Tougen Anki
© Yura Urushibara (Akita Shoten)

Colegas de classe rasos e excessivamente irritantes, vilões desorganizados e pouco ameaçadores

O elenco de apoio é composto por colegas de classe que rapidamente se resumem a caricaturas de traço único. Personalidades exageradas, que variam da agressividade constante à proteção sufocante, dominam cada cena, tornando a convivência com esses personagens cansativos ao longo da temporada.

Embora alguns momentos de combate tentem dar destaque individual a certos membros do grupo, isso não é suficiente para compensar sua falta de profundidade. Pior ainda, esses personagens ocupam tempo excessivo de tela, frequentemente entrando em pânico ou atrapalhando o andamento da trama até que, convenientemente, conseguem resolver a situação no último instante.

Os antagonistas, os Momotaro, são apresentados como um grupo de indivíduos violentos e instáveis, mas sua completa desorganização compromete qualquer sensação de ameaça real. Constantemente brigando entre si e incapazes de manter uma postura estratégica, eles levantam uma questão inevitável: como um grupo tão caótico consegue dominar essa guerra há tanto tempo?

A ausência de vilões consistentes enfraquece ainda mais os conflitos, tornando as batalhas menos impactantes do ponto de vista narrativo.

Tougen Anki  diversas facetas.
© Yura Urushibara (Akita Shoten)

Ação visual é o maior acerto da temporada, porém a narração excessiva prejudica

Se existe um ponto em que Tougen Anki realmente se destaca, ele está nos visuais das batalhas. As habilidades dos Onis, todas relacionadas à manipulação de sangue, permitem uma variedade criativa de poderes e efeitos visuais marcantes. Alguns confrontos impressionam visualmente e ajudam a sustentar o interesse do espectador.

No entanto, o desfecho dessas lutas depende frequentemente de soluções convenientes, como poderes nunca apresentados ou reviravoltas pouco justificadas. Isso reforça a sensação de previsibilidade e elimina qualquer suspense genuíno.

Outro elemento que compromete seriamente a narrativa é o uso constante de um narrador. Além de explicar habilidades e regras do universo, algo que já seria discutível, a narração frequentemente surge para detalhar sentimentos e eventos que acabaram de acontecer em cena.

Essa escolha demonstra uma clara falta de confiança na capacidade do público de interpretar o que está sendo mostrado. Em uma série que já carece de sutileza, a narração excessiva se torna redundante, condescendente e, em muitos momentos, francamente irritante.

Review | Tougen Anki
© Yura Urushibara (Akita Shoten)

Gamerdito review: a 1ª temporada de Tougen Anki vale a pena?

No melhor dos cenários, a primeira temporada de Tougen Anki é uma obra genérica e previsível dentro do battle shonen. Em seus piores momentos, ela se torna um conjunto de personagens irritantes, vilões pouco convincentes e uma narrativa que insiste em explicar o óbvio. Apesar de algumas sequências de ação visualmente interessantes, o resultado final dificilmente se justifica diante da vasta oferta de produções mais competentes no gênero.

A primeira temporada de Tougen Anki já está disponível na Crunchyroll, Netflix e Prime Vídeo, com opções dublada e legendada.


Este texto reflete exclusivamente a opinião de seu autor e não representa, necessariamente, a posição do MeuGamer. Além disso, o site não mantém qualquer vínculo com as marcas ou plataformas mencionadas nesta crítica.

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Marcus Vinicius
Marcus Viniciushttps://www.meugamer.com/
Entusiasta do universo dos animes, mangás e tokusatsu, também escrevo sobre cinema, séries e as principais tendências da cultura pop japonesa e ocidental. Meu propósito é compartilhar análises, curiosidades e novidades que aproximam fãs desse universo, unindo informação, entretenimento e paixão pela cultura geek. Do clássico ao contemporâneo, exploro o impacto de produções que marcaram gerações, discuto teorias, mergulho em personagens inesquecíveis e acompanho de perto os lançamentos que movimentam a comunidade otaku. Além do Japão, também abordo obras e fenômenos globais que moldam a cultura pop, trazendo conteúdos que despertam nostalgia, reflexão e novas descobertas para quem vive intensamente esse mundo.

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