Prepare a pipoca para o novo filme da Sony Pictures, em parceria com MGM e Amazon, “Caminhos do Crime”, que estreou nos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro. A proposta vai além de um simples filme de assalto. O longa prova que o gênero policial ainda tem muito a oferecer quando o foco sai apenas do crime e passa a explorar cicatrizes e consequências. A direção ficou por conta de Bart Layton, que também assina o roteiro do longa ao lado de Don Winslow.
A trama apresenta Mike Davis (Chris Hemsworth). Desta vez, ele está longe de ser um Deus poderoso. Interpreta um ladrão de joias metódico e frio, mas assombrado pelo passado. Ele atua sozinho na Pacific Coast Highway, a icônica Rota 101. Sobreviveu anos sem ser pego. Segue regras rígidas e mantém um princípio claro: nunca deixar rastros.
Fica a pergunta: existe crime perfeito? A história se desenvolve quando o cansaço e a ambição batem à porta. Mike decide realizar o “último grande golpe”. Surge então Ormon (Barry Keoghan). Instável e imprevisível, ele representa as escolhas de quem cresceu sem estrutura. É uma versão diferente de criminoso.
Já o detetive Lou (Mark Ruffalo) é um investigador veterano e melancólico. Ninguém o leva muito a sério. Sua obsessão é o que o mantém de pé. Sharon (Halle Berry), uma corretora de seguros desiludida, entra como peça-chave. Ela pode ser fundamental para um crime perfeito… ou quase.
O elenco sustenta a dramaturgia com atuações consistentes. Cada personagem carrega um fardo invisível. Uma infância difícil e promessas quebradas moldam caráter. Quando sistema e família falham, escolhas erradas passam a parecer inevitáveis. O filme acerta ao mostrar que nem todo crime nasce da ganância. Muitas vezes, nasce da dor. E deixa a reflexão: até onde você iria se nunca tivesse recebido o que lhe prometeram?
“Caminhos do Crime” entrega ação e suspense na medida. Garante a dose de tensão que o fã do gênero procura. Nem tudo funciona o tempo todo. Há momentos em que a trama desacelera demais. A espera pelo clímax ideal pode soar arrastada. Isso testa a paciência de quem prefere ritmo constante.
Ainda assim, a trilha sonora sustenta a experiência. Ela dita o ritmo com precisão. Mantém a atmosfera de urgência e tensão. Quando a imagem desacelera, o som mantém o espectador envolvido.
No fim, entre escolhas difíceis e o peso do passado, fica a mensagem: o destino cobra seu preço. Respire fundo. Você está no caminho certo. Está onde deveria estar.
Por todos esses aspectos, nossa avaliação para a crítica do longa-metragem Caminhos do Crime é 3,5/5. Vale destacar que a distribuição em território nacional está sob responsabilidade da Sony Pictures do Brasil.
