A divulgação de novos documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein adicionou novos debates sobre figuras influentes de diferentes setores — e o mundo dos games acabou sendo arrastado para essa discussão. Entre os nomes mencionados nos arquivos estão Leslie Benzies e Sam Houser, personagens centrais na história da Rockstar Games, estúdio responsável pela franquia Grand Theft Auto.
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A repercussão surge em um momento já delicado para a Take-Two Interactive, controladora da Rockstar, cujas ações vêm sofrendo sucessivas quedas no mercado financeiro. Nesta terça-feira (3), os papéis voltaram a recuar, acumulando quase 20% de desvalorização no ano, segundo dados do mercado, exibindo um cenário de instabilidade e maior sensibilidade dos investidores a notícias externas.

O que dizem os documentos do caso Epstein
Os arquivos tornados públicos fazem parte do conjunto conhecido como Epstein files, que reúne depoimentos e relatos apresentados durante investigações relacionadas ao esquema de crimes sexuais envolvendo Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell.
Nesses documentos, Leslie Benzies, ex-produtor da série GTA e ex-presidente da Rockstar North, é citado em relatos de uma sobrevivente, que afirma ter sofrido abuso no início dos anos 2000. Já Sam Houser, cofundador e atual presidente da Rockstar Games, aparece mencionado de forma indireta, associado a conhecimento de comportamentos atribuídos a Benzies na época.
É fundamental destacar que não há acusações criminais formais, processos em andamento ou condenações contra Benzies ou Houser relacionadas ao caso. As menções constam em relatos incluídos nos documentos divulgados, o que exige cautela na interpretação e na repercussão das informações.
Repercussão ocorre em momento sensível para a Take-Two
A retomada desse tema acontece poucos dias depois de as ações da Take-Two já terem registrado uma queda expressiva, inicialmente atribuída a fatores de mercado. Entre eles, a reação negativa de investidores à apresentação de uma IA de mundo aberto do Google, capaz de criar experiências jogáveis de forma automatizada, levantando dúvidas sobre o futuro de produções AAA tradicionais.
Para uma empresa cuja principal aposta é GTA VI, um dos jogos mais aguardados da história, qualquer elemento que gere ruído — seja tecnológico, financeiro ou reputacional — tende a amplificar a volatilidade das ações.
Não há vínculo direto, mas o impacto é perceptivo
Até o momento, não existe evidência de que a nova queda das ações da Take-Two esteja diretamente ligada às menções nos documentos do caso Epstein. Analistas continuam apontando fatores como tecnologia, expectativas de lançamento e estratégias de mercado como os principais motores da oscilação.
Ainda assim, do ponto de vista da percepção pública, a coincidência de eventos explora um momento delicado para a empresa: de um lado, pressão por inovação e prazos; do outro, o ressurgimento de narrativas sensíveis envolvendo nomes históricos do estúdio mais valioso do grupo.
Em um mercado cada vez mais atento a questões de reputação, governança e imagem institucional, até mesmo menções indiretas podem influenciar o humor dos investidores — especialmente quando envolvem marcas do peso cultural e financeiro de Grand Theft Auto. O próximo GTA 6 chegará somente no outono americano de 2026 se não for novamente adiado.
