Quando joguei a demonstração gratuita de Cairn, confesso que não era um expert na modalidade que a The Game Bakers estava apresentando. Após ter jogado Furi e Haven, sabia que o estúdio francês faria um bom trabalho nesta nova empreitada. Quando tive o primeiro vislumbre do jogo no Steam Next Fest do ano passado, ele despertou minha atenção pela maneira como é apresentado e pela imersão proposta. O vazio de estar em uma montanha que todos querem escalar é algo sem palavras para aqueles que só podem observar pelos televisores e monitores.
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As minhas primeiras impressões talvez não tenham sido tão precisas quanto o que aprendi depois de jogar Cairn, já que alguns movimentos da protagonista Aava, que sonha em escalar o Monte Kami, me deixaram cético quanto à possibilidade de alguém fazer o mesmo na vida real. Então, fui ver com os meus próprios olhos para observar o quanto eles conseguiram trazer de realismo, se comparado às escaladas de bouldering, que exigem dinamismo e resistência do competidor. Para quem não acredita nos movimentos apresentados, adicionei um link no YouTube com performances impressionantes desses atletas de alto desempenho.
Em Cairn, há uma romantização no visual do cenário, com uma estética que lembra uma fotografia. Se fosse um filme, seria perfeita. As movimentações são tão intensas que você consegue sentir como se estivesse escalando de verdade, mesmo quando tenta encontrar o melhor ponto de acesso ao topo do objetivo. O modo como as mecânicas de jogo são trabalhadas, assim como as escolhas do jogador, dizem muito sobre o sucesso da subida. O desgaste físico é intenso, exigindo decisões rápidas, pois, dependendo da forma como se escala, a personagem sentirá o esforço em seu corpo.
Cairn é um sucesso de vendas para um jogo focado em um público específico
À medida que vamos escalando a tão desejada montanha, algumas dicas são deixadas para orientar o jogador. Mas este artigo não é apenas sobre como o jogo é instigante ou memorável, e sim sobre como ele conseguiu ter uma boa estreia no Steam; chegando a quase 15 mil usuários simultâneos tentando alcançar o cume e provar suas habilidades em estratégia de escalada. Contudo, o jogo não se trata apenas disso: ele mostra o quanto uma pessoa consegue superar desafios por seus ideais e provar sua capacidade quando menos se espera.

A protagonista sabe que é um caminho sem volta. A partir de determinado ponto, ela precisa seguir adiante, e cada passo pode ser o último. Com pés e mãos calejados e estratégias de sobrevivência, cada centímetro conta para continuar. Não se trata mais apenas de um objetivo, mas de mostrar que, ao olhar para trás nos pontos de descanso, é possível perceber o quanto evoluímos.
A intensidade de traçar uma estratégia para cada novo obstáculo é semelhante à vida real. Traçamos caminhos para chegar onde desejamos, e muitas vezes eles não são os melhores. Como em Cairn, os caminhos aparentemente mais fáceis podem ser os mais difíceis. Ao longo da jornada, a estratégia se torna cada vez mais essencial, já que o talento e a superação dão lugar à dor e ao cansaço, algo muito próximo do cotidiano das pessoas.
Quando a The Game Bakers conseguiu trazer esse sentimento ao jogo, algo que parecia uma simples escalada — já explorada em outros títulos —, conseguiu prender os jogadores de forma impressionante. É de se parabenizar o estúdio francês, que, na minha opinião, merece um olhar mais atento da indústria. Este artigo foi iniciado uma semana após o lançamento, mas acabou ficando guardado por um tempo, o que se mostrou interessante. Agora, com dois meses desde o lançamento oficial, o número de jogadores simultâneos se mantém na casa dos mil usuários, raramente ficando abaixo disso. Isso mostra como o fator replay incentiva o retorno dos jogadores e atrai novos públicos.



Provando que a jornada de Aava consegue prender mais jogadores do que títulos publicados por empresas renomadas da indústria com seus blockbusters, Cairn se destaca. Um jogo que muitos poderiam considerar simples pela temática mostrou-se mais impactante que diversos jogos AAA recém-lançados. Além disso, não é um título com preço elevado no Brasil, sendo vendido por R$ 88,99 (PC), e ainda assim conta com críticas muito positivas na Steam. Segundo o SteamDB, mais de 94% das mais de 16 mil avaliações são positivas, o que reforça a qualidade do jogo.
Outro ponto relevante é que o jogo também recebeu indicações e venceu premiações de jogos independentes antes mesmo de seu lançamento oficial. Agora, resta aguardar 2026 para ver se o título será lembrado em premiações maiores, pois, com o número de avaliações positivas, é inegável que merece estar entre os destaques do ano. Mesmo sendo uma produção mais nichada, ela encontra seu público, especialmente entre aqueles que buscam uma experiência mais introspectiva ou um momento de recomeço.
Quando chegarem ao topo e vislumbrarem toda a paisagem do Monte Kami, entenderão exatamente o que estou dizendo, acompanhado por uma trilha sonora suave que instiga a sensação de vitória e satisfação. Por fim, Cairn está disponível para PC (Windows) via Steam e também para o console PlayStation 5. Vale destacar que os dados de jogadores simultâneos citados referem-se apenas à versão de computador, sem incluir os números do console.
