O Metacritic removeu recentemente a análise de Resident Evil Requiem publicada pelo Videogamer. O motivo foi a substituição da equipe editorial por produção automatizada de conteúdo. A decisão é compreensível. Se não há uma equipe responsável pelo material publicado, existe um problema estrutural no processo de avaliação.
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Além das alegações de que o site estaria abrindo espaço para apostas esportivas, é preciso considerar o histórico da plataforma. Conhecendo o fundador do maior agregador de notícias da indústria de games, sei que há uma preocupação constante com a confiabilidade do conteúdo publicado. As análises exigem que sejam produzidas por equipes que, de fato, tenham jogado os títulos, com abordagem opinativa consistente e sem superficialidade.
Já entrei em contato com a empresa anteriormente e recebi uma série de diretrizes que explicam como funciona o processo de avaliação e aceitação de veículos interessados em se tornar parceiros oficiais, com participação ativa na plataforma.
No entanto, a discussão não se limita a esse caso específico
A utilização de textos automatizados não é uma realidade restrita a veículos estrangeiros. No Brasil, há portais — especialmente aqueles orientados por volume, SEO e monetização — que reduziram drasticamente a produção autoral. O processo tornou-se técnico, gera-se um texto com auxílio de IA, realiza-se uma revisão superficial e o conteúdo é publicado. O resultado são análises genéricas, repletas de expressões amplas como “experiência imersiva”, “tensão constante” e “reforça o compromisso“, mas sem exemplificação concreta, descrição detalhada de mecânicas ou contextualização específica da experiência de jogo.
Esse cenário não é desconhecido dentro do próprio mercado. Assessores têm plena consciência quando um texto é superficial ou automatizado. Já houve relato direto de que não seria necessário produzir uma análise aprofundada — bastaria publicar o conteúdo para fins de clipping. Nesse contexto, a prioridade deixa de ser a crítica fundamentada e passa a ser a circulação do link.
Como já aconteceu comigo, muitas vezes minhas análises são publicadas semanas após o lançamento, pois priorizo concluir o jogo antes de escrever a crítica. Ainda assim, sou pressionado a publicar qualquer conteúdo apenas para gerar uma nota para a assessoria.
Essa postura resulta em textos genéricos e prejudica o leitor, que pode decidir comprar um jogo com base naquela avaliação. No fim, alguns recebem benefícios da parceria mesmo entregando algo superficial, enquanto quem busca profundidade precisa lidar com a cobrança por velocidade.
Resident Evil Requiem estreou em 27 de fevereiro com média elevada, sendo apontado como um dos títulos mais bem avaliados da franquia nos últimos anos. A questão que se impõe, entretanto, é outra. Até que ponto essas notas refletem avaliações críticas estruturadas e até que ponto refletem conteúdos produzidos em escala, com baixo nível de aprofundamento? O título, neste fim de semana, em 28 de fevereiro de 2026, registrou seu maior pico de usuários simultâneos, ultrapassando 344 mil jogadores na plataforma Steam para PC Windows. O número demonstra o quanto os fãs aguardavam o lançamento.

Tirar um caso evidente era necessário. Mas isso não resolve o problema. A discussão passa por como essas análises são aprovadas, quais critérios realmente são usados e até que ponto existe transparência nesse processo. Porque, no fim, a nota só faz sentido se o texto que a acompanha for desenvolvido com clareza.
Este artigo possui o critério de abordar uma visão real que o autor já presenciou desde sua jornada nesta indústria. Não cita ou nomeia qualquer veículo como ponto de injúria ou difamação. Trata-se de uma visão verdadeira sobre como alguns setores acabam trabalhando de maneira não profissional. O correto seria priorizar a qualidade editorial, independentemente do tamanho de cada veículo.
