No dia 16 de janeiro de 2026, encerramos a jornada de Ultraman Omega, uma série que já nasceu com um gosto especial para o público brasileiro por ter sido apresentada primeiro no Anime Friends. Sob a direção principal de Kiyotaka Taguchi, conhecido por seu trabalho em Ultraman Z e Blazar, a Tsuburaya entregou uma desconstrução corajosa da própria franquia. Em um mundo onde nem Ultras nem Kaijus existiam no imaginário popular, a série nos apresentou o Omega. Ele um vigilante espacial desmemoriado que não carrega o nome “Ultra” como raça, mas como um título de impacto.
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Elenco e Construção de Mundo
A força do enredo é sustentada por um elenco que trouxe humanidade e urgência ao conflito. Shori Kondo como Sorato Okida (Ultraman Omega) é o protagonista que dá nome ao Omega e estabelece o vínculo inicial com o vigilante espacial. Haruto Yoshida como Kosei Hoshimi é o jovem que, apesar do medo inicial do futuro, torna-se o elo vital para a proteção da Terra. Ayano Kudo como Ayumu Ichido: é uma personagem central que integra a equipe e ajuda a desenvolver a narrativa de aceitação dos Kaijus. Já a Professora Sayuki Uta (Mirai Yamamoto) surge como uma figura essencial para aprofundar a formação das equipes de defesa e a análise tecnológica.

A formação das equipes é um diferencial inédito, já que neste universo a humanidade nunca havia lidado com Kaijus antes. A direção aposta em uma trama que evolui do medo, semelhante ao tom de Ultraman Nexus, para o respeito e a integração.
A Engenharia das Armaduras e o Poder de Trigoron
O grande diferencial da série está em seu sistema de combate simbiótico. O Omega não luta apenas com suas próprias forças; ele invoca três Kaijus aliados que se integram ao seu corpo como armaduras modulares.
Trigoron é o destaque absoluto para quem busca ação técnica, focando em super velocidade e cortes precisos, definindo o ritmo do combate. Reikness (Hakenas) traz uma dinâmica fascinante de manipulação da gravidade, permitindo ao Omega controlar o peso do ambiente e dos oponentes. Valgness conecta o herói às forças da natureza, oferecendo versatilidade elemental para enfrentar diferentes tipos de ameaças. Fora funciona como uma forma dedicada exclusivamente à velocidade extrema, complementando o arsenal tático.

Uma novo vislumbre ao Gênero
Visualmente, a produção é dinâmica e resgata a essência do tokusatsu clássico por meio de maquetes e coreografias bem estruturadas dos efeitos práticos. O ponto alto dessa nostalgia é o episódio do menino que tira fotos de monstros, que funciona como uma homenagem direta aos primórdios do gênero, referenciando Godzilla de 1954 e as técnicas clássicas de fotografia e animação com massinha.
O final da série, roteirizado por Junichiro Ashizawa, é onde as peças se encaixam de forma poética. A morte de Sorato e Kosei na primeira grande batalha contra Zomeras resgata o conceito clássico do hospedeiro que perde a vida para permitir a fusão com o herói. A consciência de Sorato permanece viva de forma telecinética dentro de Kosei, permitindo que ambos guiem o Omega em perfeita sincronia no combate final.
Conclusão: O Recado para as Nações
Ultraman Omega termina com uma mensagem poderosa sobre o cenário global. Ao mostrar a Terra retirando suas armas e optando pela análise e coexistência com Kaijus como Zovaras, a série deixa um manifesto claro contra a guerra e a dominação. É um lembrete de que a evolução real vem do respeito ao próximo e da capacidade de viver em conjunto.

Um detalhe interessante é que a temporada de Ultraman Omega pode ser conferida gratuitamente e de forma oficial na plataforma de vídeos YouTube.
