Provavelmente, assim como eu, você já teve pretensões de fazer jogos de videogames, ainda que em seus sonhos de infância, ao contemplar a magia transmitida pela tela enquanto segurava o controle do console. O fato é que o tempo passou e talvez essa vontade tenha ficado de lado com a chegada da vida adulta e com o advento de novas responsabilidades. Ficando somente o desejo de jogar, de experimentar novos mundos exibidos em altas resoluções e em muitos FPS.

   Apesar de ser isso o que ocorre com a maioria dos jogadores, com os desenvolvedores do Estúdio Indie Dininho Games foi diferente. O estúdio brasileiro trouxe para nós uma obra que traz à tona toda a nostalgia da era 16 bits e entrega elementos de Speed Run, altos desafios e principalmente muito carisma com um universo divertido e colorido, tudo isso em um único jogo: Dininho Adventures. E aí, vamos acompanhar esta análise? 

Tudo começa com um dinossauro pedindo ajuda para o Roxinho, como é chamado nosso fofo protagonista, que deve coletar seus ovos que foram roubados de seu ninho. Após essa nada longa introdução começa o tutorial, que é apresentado pelo nosso amigo Patutorial, onde aprenderemos as mecânicas básicas do jogo, que são elas: saltar, saltar alto, correr e dar rabada. A rabada serve para causar dano aos inimigos e será de grande importância para muitas mecânicas que serão apresentadas no decorrer da gameplay. Já neste início podemos ver o quão o jogo é bonito, seus sprites são bem desenhados e coloridos, lembrando em muito jogos de Super Nintendo e Mega Drive

Mecanicamente falando, o jogo é simples. Você anda pelas fases, derrota pequenos inimigos, coleta ovos, se tiver um olhar atento irá encontrar a chave secreta de cada fase, e devolver os ovos ao ninho ao chegar no fim do estágio. Cada mundo, por assim dizer, possui um chefe no fim da última fase que deverá ser derrotado. Mas não se deixe enganar pelos gráficos fofinhos e coloridos, pelas músicas alegres e marcantes. Dininho Adventures não é um jogo fácil. A palavra mais adequada que define este jogo é desafiante. Com um sistema de vidas infinitas, você não receberá uma tela de game over, mas reiniciará a fase para o início ou para o checkpoint caso o tenha atingido. Você morrerá muito, tanto que o jogo implementa um contador de mortes para você ter uma ideia do quanto está tentando. Mas as mortes no jogo não são punitivas, o jogador vai aprendendo conforme vai tentando e errando, o que causa uma sensação agradável de vitória ao concluir cada estágio. 

Embora, os mundos parecerem curtos por possuírem apenas 5 fases cada, existe uma grande variedade entre elas. Cada fase introduz uma mecânica única, o que garante uma sensação de aprendizado constante no jogo, você não vai enjoar das mecânicas, pois elas são inseridas no decorrer do seu progresso, sem forçar o jogador a aprender tudo em um longo e tedioso tutorial. Um bom exemplo é no mundo de neve, onde em uma fase temos a possibilidade de deferir a rabada congelante para congelar os inimigos, o que possibilita uma divertida mecânica de criar plataformas de gelo para alcançar determinados obstáculos.

Por falar em mundos, aqui temos 5, sendo o quinto o mundo especial, que só é liberado ao coletar todas as chaves secretas dos mundos anteriores, uma em cada fase. Aqui, a diversidade reina, cada mundo possui um tema diferente, tornando-o único tanto graficamente quando nas mecânicas de gameplay. 

As lutas contra os chefes são um show a parte. Apesar de ser em uma tela fixa, cada luta desenvolve mecânicas únicas, sendo divertidas e desafiadoras. Ainda falando em desafiador, um ponto que muitos speedrunners irão gostar é o fato de o jogo ter sido pensado para essa modalidade de jogatina, onde o jogador deve terminar as fases o mais rápido possível, batendo recordes de outros jogadores. Convenientemente, junto ao contador de mortes, foi implementado um relógio que conta até os centésimos de segundo enquanto o jogador estiver jogando a fase. Essa funcionalidade é essencial para quem quer fazer Speedrun do jogo. Fica aí o desafio. 


Mas nem tudo são flores. Dininho adventures conta com alguns problemas que poderiam ter sido corrigidos com pequenas atualizações. O sistema de colisão do jogo nem sempre funciona como deveria e você acabará levando dano em situações em que não deveria, como na lateral de um espinho no chão. Outros glitches te jogarão para fora da plataforma onde você se encontra e te derrubarão em precipícios. Esses e outros pequenos problemas farão seu contador de mortes disparar, aumentando a média de derrotas em cada fase.

Outro ponto que poderia ter sido considerado é a distância dos pontos de respawn. As fases não são curtas, muitas vezes você se encontrará frustrado por ao superar um puzzle (quebra-cabeça) muito difícil e logo em seguida morrer. Voltar para o início acaba tornando o jogo um pouco cansativo, mesmo toda fase temos um checkpoint. Adicionar mais pontos de reaparecimento não diminuiria o desafio do jogo, mas o tornaria mais acessível. Um bom exemplo é o aclamado game indie Celeste, que mesmo adicionando respawn a cada tela, ainda é extremamente desafiador e divertido.

Gamerdito

Com muitos desafios em sua jornada, o “Roxinho” me conquistou e eu não tenho como não recomendá-lo, principalmente pelo preço do jogo, que está bem acessível em todas as plataformas que foram lançadas. Você terá muitas horas de jogatina pela frente se quiser encontrar todas as chaves escondidas para liberar o mundo secreto. Corra e embarque nessa carismática e divertida aventura pré-história com o dininho mais “fofo” que você verá no mundo dos games. Parece que o Yoshi encontrou um concorrente brasileiro a altura!


Versão usada para análise: Nintendo Switch

  • Lançamento: 30/07/2020
  • Plataforma: Nintendo Switch
  • Preço sugerido: Comprar
  • Classificação indicativa: Para maiores de 12 anos
  • Desenvolvimento: Dininho Games
  • Publicação: QUByte Interactive

Dininho Adventures: Um jogo que lhe traz uma verdadeira nostalgia dos jogos clássicos de plataformadiegoperes14
8.5
out of 10.
2021-01-23T21:08:31-0300

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