Ys X: Proud Nordics é o décimo capítulo da longeva série de RPG de ação da Nihon Falcom. Apesar da numeração, o jogo pode ser encarado como ponto de entrada na franquia — cada título funciona de forma independente, com ligações leves entre as histórias. O jogo chegou ao Ocidente em 20 de fevereiro de 2026 para PS5, Nintendo Switch 2, PC via Steam e Xbox, já em sua versão expandida, com conteúdo adicional em relação ao lançamento japonês original de 2023.
Esta foi minha primeira experiência com a série. Trago, portanto, a visão de alguém que conhece outros títulos da Nihon Falcom, mas que chegou sem familiaridade com a franquia Ys. No início desta publicação você pode acompanhar um gameplay com alguns dos elementos citados ao longo desta análise na versão de PlayStation 5.
Nesta publicação você encontra:
Uma corrente que une dois mundos

A história acompanha Adol Christin, protagonista histórico da franquia, em uma viagem marítima que termina mal. O barco é atacado por Vikings ao cruzar um pedágio não autorizado. O capitão morre, a embarcação é confiscada, e Adol acaba conhecendo Karja, princesa da tribo nórdica responsável pelo ataque. Logo depois, Adol encontra uma concha mágica que desperta sua capacidade de usar Mana. Inimigos surgem que só podem ser derrotados por esse tipo de poder. No meio das batalhas, os dois protagonistas acabam literalmente presos um ao outro por uma corrente de energia mágica.
Essa ligação força os personagens a aprenderem a conviver, a respeitar as diferenças e a entender um pouco mais da cultura um do outro. É a premissa central da história — e ela se reflete diretamente na jogabilidade.
Vale avisar: a narrativa demora alguns capítulos para engrenar. Os tutoriais são longos e o jogo leva um tempo até liberar o loop de gameplay de verdade. Quem tiver paciência para esse início mais arrastado vai encontrar uma aventura que se desenvolve bem.
Dois personagens, um combate

O sistema de combate é o ponto mais alto de Proud Nordics. Diferente de outros títulos da série, o elenco jogável se resume a Adol e Karja — mas a profundidade que emerge dessa escolha surpreende.
É possível alternar entre os dois individualmente ou ativar o Modo Duo (segurando R2), que executa ataques combinados com os dois personagens simultaneamente. Cada um possui Mana Skills atribuíveis aos atalhos, e o gerenciamento dessas habilidades conjuntas adiciona uma camada estratégica real.
Na prática, o nível de complexidade agrada fãs do estilo — mas não intimida quem está chegando agora. É uma porta de entrada válida para quem quer conhecer JRPGs de ação sem ser engolido por sistemas demais.
O que a versão Proud Nordics adiciona
Proud Nordics é uma versão expandida de Ys X: Nordics, lançado originalmente no Japão em 2023. O conteúdo adicional inclui:
- Dois novos personagens introduzidos em uma ilha exclusiva desta versão
- Melhorias nas batalhas navais, que no jogo original geravam reclamações por serem repetitivas e lentas — agora com um sistema de ventos que agiliza as viagens e diversifica os confrontos
- Modo pós-game Muspelheim, voltado para desafios adicionais após os créditos
Um ponto importante para quem já tem a versão de 2024: não existe opção de upgrade. Seria necessário comprar o jogo novamente pelo preço cheio.
O jogador também pode utilizar trajes alternativos nos protagonistas, principalmente na personagem Karja. Algo que, como é de costume em títulos japoneses tradicionais, pode gerar reações diferentes entre os usuários — mas que não compromete em nada a experiência ou a jogabilidade.

O jogo não possui localização em português brasileiro. Textos e dublagem estão em inglês. Para um JRPG com muitos diálogos e história dirigida pelas escolhas de conversa, a barreira do idioma pode tornar a experiência bastante maçante para quem não tem domínio da língua. No entanto, isto nunca foi um problema, principalmente para quem cresceu jogando títulos de JRPG na época do PS1 e PS2. Mas fica uma dica para a Nis America olhar para os usuários brasileiros.
Gráficos, trilha sonora e dublagem
O estilo artístico é inspirado em anime, muita cor, personagens expressivos, animações funcionais. Não há pretensão de realismo — e quem espera algo visualmente grandioso também não vai se decepcionar. Para quem curte a estética de JRPG clássico, porém, o visual funciona bem e tem seu charme.
O jogo oferece modos de qualidade e performance. Nada memorável tecnicamente, mas sólido para o que propõe.
A trilha sonora é animada e bem trabalhada nas batalhas. Cumpre o papel com competência, mas não entrega nenhum tema que vai ficar na memória por muito tempo. Com certeza, se ouvir em alguma playlist em sites como Spotify, reconhecerá de imediato.
A dublagem em inglês é bem executada. Considerando que os dois protagonistas interagem constantemente com uma galeria grande de personagens ao longo da aventura, o trabalho de vozes foi caprichado e dá vida à história. Claro, o original em japonês é marcante e coloca o jogador com uma imersão mais satisfatória.

Gamerdito: Vale a pena jogar Ys X: Proud Nordics?
Ys X: Proud Nordics entrega exatamente o que promete, um JRPG de ação com combate dinâmico, uma dupla de protagonistas bem construída e uma aventura que funciona tanto para quem está chegando na série agora quanto para quem já é fã. Os pontos negativos existem. A ausência do português é uma barreira real. O início arrastado pode espantar quem não tem paciência. E quem já tem a versão de 2024 não tem incentivo financeiro para comprar novamente.
Fique ciente de que o título pode facilmente ultrapassar 20 horas de gameplay, dependendo do nível de exploração dos mapas e da abordagem escolhida para superar cada inimigo pelo caminho.
Dito isso, para quem ainda não conhece a franquia e quer uma boa porta de entrada no gênero, este é um título recomendado. Por esse motivo, minha nota final para esta review de Ys X: Proud Nordics é 7,5/10.
A compra pode ser feita no Brasil nas versões digitais via PlayStation Store, Nintendo eShop, Xbox Store e Steam para PC Windows.
Esta review de Ys X: Proud Nordics foi realizada na versão de PlayStation 5, cedida pela Nis America e Nihon Falcom para análise.
