Review do jogo Dragon Quest VII Reimagined: une novidade e nostalgia

Clássico dos JRPGs retorna com visual modernizado e mantém a essência da franquia Dragon Quest

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Dragon Quest VII Reimagined é uma nova versão da Square Enix que trouxe para a atual geração conhecer mais título da mítica franquia Dragon Quest. Antes de iniciar esta crítica do remake, sabia que o título se trata de um JRPG de turno no melhor estilo clássico da época de ouro que o foco era batalhas estratégicas. Reimagined possui sua data oficial de lançamento em dia 5 de fevereiro para PC (Steam) e para os consoles de PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2.

Anteriormente, foi disponibilizada uma demonstração gratuita em todas as plataformas que o jogo foi confirmado em 7 de janeiro. Este jogo é terceira versão do título, pois tivemos o lançamento no primeiro PlayStation nos anos 2000 com o título Dragon Quest VII: Eden no Senshi-tachi e no 3DS em 2013, onde houve uma melhoria gráfica e imersiva do game. Também conta com uma versão disponibilizada para dispositivos mobile (Android e iOS).

Uma imersão para adicionar nostalgia e vislumbre aos novos usuários

Meu primeiro ponto é trazer a comparação do jogo do 3DS com o atual Reimagined. O jogo atual apresenta a gameplay de forma isométrica, fazendo referência ao jogo do PS1, porém um pouco mais modernizada, e com cenas sequências (cutscenes) em 3D, trazendo essa mesclagem gráfica. O sistema de escolha das pilastras (onde se acessam as ilhas no passado) e o sistema de vocações ficaram mais dinâmicos em comparação aos jogos anteriores. A trilha sonora é excelente e se repete como nos títulos anteriores, mas agora com uma qualidade superior e adições de mixagem de som para acústica sonora das novas tecnologias.

Nas batalhas, os ataques e magias estão com animações mais intensas em 3D, trazendo mais imersão ao game e referências ao 3DS. Os personagens são bem carismáticos. O grupo de jovens liderados pelo Herói (chamado por padrão de Auster na versão 3DS) e seu amigo, o Príncipe Kiefer de Estard. Eles exploram o mundo restaurando continentes perdidos, acompanhados por Maribel, a filha do prefeito, Ruff, um menino selvagem, Sir Mervyn, um lendário guerreiro, e Aishe, uma dançarina, formando a equipe principal. Além de outros que vamos conhecendo durante toda jornada.

DRAGON QUEST VII Reimagined personagens do jogo
(Reprodução)

No entanto, como em outros títulos da saga, o protagonista carece de diálogos dublagem, pois apenas acenar com a cabeça faz transparecer que somos um robô, e não um herói sem voz que conseguimos um vínculo emocional com ele. Como o Brasil, a série não tão aclamada, infelizmente, está review foi baseada na versão padrão para o ocidente em inglês. O português brasileiro não recebeu suporte nesta versão. Por se tratar de um jogo de RPG que há inúmeros diálogos, é necessário localização para determinados idiomas, para angariar novos jogadores.

Referente à gameplay do 3DS, a movimentação com a câmera no personagem deixava o jogo mais imersivo e permitia aproveitar melhor o relevo das ilhas e reinos, inclusive algumas paredes secretas. No jogo atual, isso me confundiu bastante, pois pela visão isométrica não temos precisão de onde está o botão ou o item secreto.

Já havia mencionado a trilha sonora, mas vale a observação de que a releitura poderia ter explorado melhor esse aspecto, com temas específicos para cada ilha, que representam países como Egito, França e Espanha, entre outros. Seria uma forma de trazer algo diferente além de gráficos e mecânicas. O sistema de interação das pilastras ficou bem melhor no atual, pois no 3DS precisávamos conversar com o guardião do templo, enquanto neste jogo podemos ir direto à pilastra. O sistema de vocações também foi interessante, pois podemos alternar nossos personagens para qualquer classe sem precisar voltar à ilha, fazendo isso em qualquer mapa.

O sistema de batalha de Dragon Quest VII Reimagined está bem dinâmico, como mencionei: fluído e moderno. Por ser um JRPG de turno, essas mudanças ajudam o game a ser mais agradável, e o estilo cartunesco com cel shading deixa as batalhas mais divertidas e menos enjoativas.

A história do jogo também é um grande atrativo, pois a ideia de resgatar ilhas no passado que sofreram com monstros ou situações que as fizeram desaparecer no presente traz muitas críticas aos seres humanos, como confiança, traições, egoísmo e charlatanismo. Muitas vezes, os monstros e demônios estão disfarçados, refletindo problemas da sociedade como um todo. Esses elementos são bem caricatos e trazem referências ao estilo de Dragon Ball, do saudoso Akira Toriyama, criador desses projetos.

Combate por turnos contra monstro em Dragon Quest VII Reimagined
(Reprodução)

As ilhas que mais me chamaram a atenção foram a ilha de L’Arc, com a história de Gronzo (Ruff), o último lobo branco que virou humano após uma maldição, depois de perder sua mãe assassinada por um monstro que amaldiçoou os humanos a virarem animais durante a noite. A ilha dos Nômades faz referência aos ciganos, apaixonados e dançarinos, trazendo o amadurecimento — ou traição — do personagem Keifer, que resolve ficar no passado por ter se apaixonado por Zita.

Essa decisão faz com que o personagem que iniciou a aventura permaneça no passado para proteger esse povo. Sim, qualquer pessoa normal ficaria um tanto desapontada com sua escolha, principalmente porque ele atiçou todos os amigos para ir nessa jornada. A ilha Regenstein também se destaca, pois não conseguimos salvá-la, já que a missão é libertar as almas das pessoas que foram petrificadas muitos anos atrás por uma chuva cinza. São histórias que, com certeza, os fãs de RPG vão gostar.

Além dos nossos personagens principais de Dragon Quest VII Reimagined, temos alguns personagens secundários que participam da viagem durante as quests. Entre eles está Habib, de Al Balad, um sucessor do grande sábio e justo ancião da vila dessa ilha, que põe a mão na massa quando necessário. Temos também Evota, a grande sacerdotisa da Abadia de Vocações, que ensina a mecânica de troca de vocações — algo muito útil mais à frente — além de ajudar na cura do grupo e causar dano severo aos inimigos.

Agora vou falar de personagens que me marcaram nessa jornada, como o Capitão Squalo de Bucaneiras, que saiu para enfrentar os monstros e o Orgodemir. Mais tarde, descobrimos que, no presente, ele teve uma ação importante que descobriremos à medida que avançamos. Até um surpresa para quem nunca jogou este título é revela em uma conversa interessante.

Personagens principais de Dragon Quest VII Reimagined reunidos em cena
(Divulgação)

Fídelia, do Vale Eolo, sofre um certo preconceito, mas tudo isso tem um motivo existencial e primordial para uma parte da trama.’ O casal Acochicoto e Cieb é uma famosa referência a Romeu e Julieta, com um final trágico para Cieb. O jogo apresenta várias histórias interessantes.

Além do protagonista que apenas acena com a cabeça como mencionado, Maribel, Jaya, Sr. Enio, Gronzo e Keifer trazem personalidades interessantes. Maribel é aquela garota que sofre com a falta de confiança dos pais para sair em uma jornada, mas, ao longo da aventura, quando exigida, demonstra ser muito preparada.

Após a mudança de percepção do pai, ela amadurece e continua a jornada confiando mais em si mesma. Gronzo (Ruff), o último lobo branco, teve sua mãe assassinada por um demônio e, após derrotá-lo, foi amaldiçoado a viver como humano. Mesmo sem poder falar no início, vemos que ele se afeiçoa aos heróis e aos habitantes das ilhas, e após reencontrar o mesmo demônio que lançou o feitiço, decide permanecer como humano, pois passou a gostar dessa condição.

Jaya (Aishe), uma nômade, vive o conflito entre seguir a dança tradicional de sua tribo para reviver o Todo-Poderoso ou viver sua vida como guerreira. Ao encontrar um turbanista talentoso, ela cumpre o papel que prometeu ao pai, trazendo a ideia de responsabilidade. Sr. Enio (Marvy), o personagem mais “overpower” do time, com as vocações de Sacerdote e Hidalgo, traz um alívio no meio do jogo. Ele vive o conflito entre dever e confiança nos amigos, e quando precisou, esteve lá para enfrentar o Todo-Poderoso ao lado deles.

Keifer, o grande idiota que inicia toda a aventura, demonstra ansiedade e imaturidade, acreditando que tudo se resolve na base da força. Após anos na ilha dos Nômades, ele amadurece, ganha responsabilidades e, mais tarde, retorna mais velho para ajudar a enfrentar Orgodemir, com um semblante mais maduro e confiante.

Mecânicas de combates do jogo

Sobre as mecânicas de vocações, temos as vocações básicas, como pescador, guerreiro, mago, entre outras; as vocações intermediárias, como gladiador, sábio, pirata, entre ouras; e as vocações avançadas, que fundem três classes, como campeão, druida, e mais. Recomendo sempre ir alternando as vocações para não sofrer tanto nas batalhas e manter sempre ativas aquelas que possuem atributos de cura e buff, pois, conforme o jogo avança, a dificuldade aumenta. Recomendo deixar um personagem como sacerdote e outro como paladino, e, se possível, um druida, pois será necessário bastante cura. Lembrando que podemos manter duas vocações por personagem, então pense bem na estratégia.

Tela de inventário de Dragon Quest VII Reimagined com itens e equipamentos
(Reprodução)

Cada monstro possui uma fraqueza elemental, e o próprio jogo sinaliza isso durante a batalha com um ícone de “joinha” para ataques efetivos e joinha para baixo para os não efetivos. Os monstros são bem variados e trazem referências ao estilo de Dragon Ball, como os tipos bestiais (tigres), os dragões — alguns lembrando o visual dos primeiros mangás — e os gladiadores, bem musculosos, trazendo aquele exagero característico de Toriyama.

Recomendo Maribel com a vocação de sábia e Sr. Enio como paladino, pois serão necessários dano em área e cura em área. Jaya funciona melhor como suporte, focada em buffs, enquanto o protagonista e Gronzo ficam mais voltados para ataques físicos. Reforço que a estratégia está em escolher bem as vocações e analisar cada habilidade especial: algumas ressuscitam ou curam os personagens em área, outras oferecem buffs de defesa ou ataque em área, há habilidades individuais como as do druida, que invoca seres que atacam, curam e aplicam buffs, e a sábia, que pode lançar a mesma magia duas vezes. Portanto, escolha bem suas vocações.

Itens importantes, como a Folha de Yggdrasil e itens de recuperação total de mana, são raros. Você não os encontrará para compra, mas sim em minigames espalhados pelo jogo. Por isso, é importante economizar esses recursos, pois mais à frente eles serão muito exigidos — experiência própria, risos…já que sofri bastante em bosses com muitos ataques em área.

Os chefes continuam interessantes

Falando em bosses, o mais marcante para mim foi o da região de Aguastúrbias (Zwaardsrust), que sequestrava pessoas após um músico lendário de turban passar durante a noite, transformando-as em alimento para os monstros da Torre Altieseca (Cetacea). Após descobrirmos quem estava por trás disso, o vilão provoca uma inundação na ilha, e precisamos chegar até a Cidadela Submarina, onde encontramos o monstro Graco. Nesse local descobriremos algo surpreendente. Um detalhe é que nem todos os monstros são ruins.

Mapa de Dragon Quest VII Reimagined com ilhas restauradas ao longo da jornada
(Reprodução)

Haverá alguns baús que você não conseguirá abrir de imediato, pois as chaves são obtidas ao longo da aventura. Portanto, não se preocupe em abrir tudo na primeira visita. Lembrando que o jogo trabalha com viagem no tempo, mas também apresenta missões no presente, principalmente quebra-cabeças (puzzles) variados que desafiam bastante a mente.

O que mais gostei foi o de Al Balad no presente, para reviver o Espírito da Terra, no qual precisamos buscar algumas gemas e decifrar inscrições para consegui-las. Esse puzzle possui três desafios: o primeiro consiste em apagar todas as tochas para que a gema brilhe; o segundo exige ficar em silêncio e esperar o rosto da estátua se abrir; e o terceiro é cair o mais fundo possível. Os puzzles de Dragon Quest são bem divertidos, e confesso que quebrei a cabeça por horas em alguns deles.

O jogo apresenta três grandes reviravoltas na história, onde você pensa que está perto de finalizá-lo, mas na verdade não está nem no começo. Orgodemir é um vilão que consegue causar temor apenas ao ouvir seu nome. Akira construiu muito bem esse personagem, trazendo características interessantes e uma crítica sobre o falso salvador que fez as pessoas acreditarem que viviam em paz, achando que o conflito de eras com os monstros havia se encerrado.

A história segue o clássico “Bem x Mal“, mas traz um forte contexto de união, mostrando que os laços criados dão força aos heróis para enfrentar essa ameaça. Cada ilha apresenta um desafio diferente, referente aos desastres que estão acontecendo, e os heróis ajudam na resolução, trazendo até reflexões morais sobre as ações humanas.

Personagens principais de Dragon Quest VII Reimagined reunidos em cena
(Divulgação)

Gamerdito (Veredito) para o jogo Dragon Quest VII Reimagined

O protagonista, devido poucas informações no diálogo, alguns podem ter dificuldade em compreender suas decisões, considerando poucas emoções transportadas, o que acaba enfraquecendo um personagem que tinha potencial, inclusive com a história envolvendo os piratas do capitão Squalo de Bucaneiras, mas que acaba perdendo impacto por falta dessa interação.

O jogo possui 25 GB, sendo relativamente leve para quem pretende iniciar a aventura. Porém, esteja preparado, já que ele conta com quase 100 horas de duração. Consegui finalizá-lo em 83 horas sem fazer as missões extras. Ainda assim, garanto que, para quem deseja curtir e conhecer a franquia Dragon Quest, o VII Reimagined é uma ótima porta de entrada, especialmente para jogadores que gostam de boas narrativas e personagens. Minha nota para review deste jogo é 8,5/10, por todo contexto mencionando anteriormente. Ainda assim, foi um título que me deu prazer em revisitar e despertou ainda mais vontade de jogar outros jogos da franquia Dragon Quest.

Vale a pena jogar? A resposta é sim, principalmente para os jogadores que tiveram contato com a primeira versão do título e também para os novatos que estão adentrando esse universo.


Review realizada com base na versão de PC Windows, jogada via mídia digital, disponibilizada pela desenvolvedora Square Enix e sua assessoria. Este conteúdo não sofre qualquer influência das desenvolvedoras ou da publisher do jogo. O nosso site mantém total liberdade editorial para expressar opiniões diretas, precisas e imparciais, independentemente de tendências do mercado. Com base na confiança dos nossos leitores, que reconhecem o caráter objetivo de nossas análises, este artigo tem como objetivo avaliar se o título em questão realmente vale ou não a experiência de jogo.

Gaboni Neto
Gaboni Netohttps://www.meugamer.com/
Moacir Gaboni Neto é criador de conteúdo e streamer do canal AllGaboni, apaixonado por games, animes e tokusatsu. Produz lives e vídeos de jogos atuais e retrô, já realizou colaborações com grandes empresas e busca sempre levar autenticidade e energia para o público.

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