Review Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International – Liberdade que cobra seu preço

Um dos grandes clássicos da indústria dos games

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Romance SaGa: Minstrel Song Remastered – International recebeu sua versão mais completa de um jogo que sempre dividiu opiniões. Trata-se de um remaster internacional de um remake, que por sua vez revisita o primeiro título da franquia SaGa, lançado originalmente no Super Famicom (SNES) e restrito ao Japão. Anos depois, o jogo ganhou uma releitura no PlayStation 2 e, agora, retorna aos consoles modernos — PS4, PS5, Nintendo Switch e PC —; finalmente acessível a um público global, ainda que com ressalvas importantes. Nossa análise é baseada na versão de PlayStation 5. Fique ciente que apesar do título ser uma franquia da Square Enix, esta versão foi disponibilizada ao nosso site pela Red Art Games.

Existe uma versão publicada de 2022 para os usuários de PC Windows via Steam, porém, não recebe adicional de “International” o que pode confundir alguns jogadores. Caso tenham curiosidade, publiquei um gameplay sem comentários da primeira hora do jogo, permitindo a avaliação dos gráficos, das mecânicas e da introdução da trama. Você pode assistir logo no início desta publicação.

Uma proposta diferente dos JRPGs tradicionais

Diferente de franquias mais populares da Square Enix, como Final Fantasy, Romance SaGa nunca se apoiou em narrativas lineares. Aqui, a liberdade é o pilar central da experiência. O jogador escolhe um entre oito personagens iniciais, cada um com seu próprio background, introdução e ponto de partida no mundo. Essa estrutura lembra bastante jogos modernos como Octopath Traveler, onde histórias se cruzam conforme a exploração avança.

Todos os protagonistas do jogo Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International
Cada um possui habilidades únicas e linhagens próprias. São eles: Albert, Aisha, Gray, Claudia, Jamil, Sif, Hawke e Barbara, respectivamente, como mostrado na imagem. Ao escolher seu guerreiro, é possível modificar o nome pelo seu ou por outro de sua escolha.

Após a introdução, o jogo entra no chamado “cenário livre”. Não há uma ordem fixa de missões, nem caminhos obrigatórios. O progresso depende das cidades visitadas, das conversas com NPCs e dos personagens recrutados ao longo da jornada. A trama existe, mas funciona mais como pano de fundo do que como um fio condutor rígido.

Mecânicas profundas e um sistema de tempo implacável

Um dos sistemas mais marcantes de Romance SaGa é o gerenciamento de tempo. O jogo possui um relógio interno que avança conforme as batalhas são vencidas. Esse detalhe afeta diretamente o mundo: algumas quests só aparecem em momentos específicos, enquanto outras podem ser perdidas caso o tempo avance demais.

O problema é que o jogo não explica isso de forma clara. Jogar sem guias é possível, mas extremamente arriscado. Decisões equivocadas podem deixar o jogador fraco demais para determinados trechos, travando a progressão e forçando recomeços. Não à toa, o jogo permite salvar a qualquer momento — uma concessão necessária diante de sua estrutura punitiva.

Combate, progressão e dificuldade elevada

O sistema de batalhas é baseado em turnos, mas a progressão foge do tradicional “upar de nível”. Os atributos evoluem conforme as ações realizadas em combate, e o crescimento do grupo depende muito mais dos personagens recrutados e dos equipamentos adquiridos do que de níveis propriamente ditos.

Tudo isso contribui para uma curva de aprendizado íngreme. Romance SaGa é difícil, exigente e, em vários momentos, frustrante. Não é um RPG que perdoa erros, nem um jogo pensado para agradar todos os públicos. Trata-se claramente de uma experiência de nicho, voltada para jogadores que apreciam sistemas complexos e estão dispostos a lidar com tentativa e erro.

Party dos personagens no jogo Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International
(Reprodução)

Conteúdo extra e melhorias do remaster

A versão internacional adiciona quatro novos personagens jogáveis e novas quests, além de ajustes de qualidade de vida. É possível acelerar o jogo em até três vezes, o que ajuda bastante em um título carregado de diálogos e exploração. Sistemas de save, inventário e identificação de missões também receberam melhorias sutis, tornando a experiência menos opaca do que nas versões antigas.

Em relação aos diálogos, se não estiver habituado a jornadas de JRPG, fique ciente de que haverá conversas longas para compreender profundamente esta trama. Os jogos, principalmente os desenvolvidos por estúdios japoneses nos anos 90, eram conhecidos pelo foco no enredo de cada título. Esse foi um dos motivos para tornar essas franquias marcantes, que até os dias de hoje sobrevivem mesmo com o declínio de bons roteiros na indústria dos games.

Visualmente, o jogo mantém a identidade do PlayStation 2, com personagens estilizados que remetem à estética clássica da série. Não é um remaster que impressiona graficamente, mas preserva bem a essência do material original. A trilha sonora, por outro lado, continua sendo um dos pontos mais fortes, carregada de nostalgia e qualidade técnica.

Localização ainda é um obstáculo

Apesar de ser chamada de “versão internacional”, a ausência do idioma português pesa. O jogo oferece opções como inglês, francês e alemão, mas o inglês utilizado é mais arcaico e pode dificultar a compreensão para quem não tem domínio do idioma. Jogar em espanhol pode ser uma alternativa, mas ainda assim é uma barreira considerável.

Existe a possibilidade de uma futura atualização com legendas em português, considerando o histórico recente da Square Enix, mas até o momento isso não passa de especulação. Como esta franquia não é popular no Brasil em relação aos títulos como Final Fantasy e Kingdom Hearts. Somente se a gigante japonesa dos JRPG reformular esta saga para no futuro uma versão localizada seja lançada.

Gamerdito (Veredito final) do jogo Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International

Banner oficial do jogo Romancing SaGa -Minstrel Song- Remastered International
Capa oficial do jogo

Romance SaGa: Minstrel Song Remastered – International entrega exatamente o que promete. Um RPG profundamente livre, complexo e desafiador. Ao mesmo tempo, é um jogo pouco acessível, punitivo e que exige paciência, estudo e, muitas vezes, o auxílio de guias externos.

Para fãs da franquia SaGa ou jogadores em busca de um JRPG mais raiz, a experiência pode valer a pena. Para quem prefere narrativas guiadas e progressão mais clara, a frustração provavelmente falará mais alto.

Por fim, confirmo que o jogo é competente e fiel à sua identidade, mas que continua distante de ser uma experiência para todos. Dito isto, finalizo minha análise desta review com uma Nota final: 7,5/10.

Gamernéfilos, comentem aqui!

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