The Legend of Heroes: Trails Beyond the Horizon com lançamento no ocidente no dia 15 de janeiro de 2026, com versões para PlayStation 5, PlayStation 4, Nintendo Switch, Switch 2 e PC. O jogo é desenvolvido pela Nihon Falcom e publicado no Ocidente pela NIS America.
Este é o 13º título da franquia The Legend of Heroes e também marca o encerramento de um dos principais arcos da história da série, algo que naturalmente gera grande expectativa entre os fãs. No início desta publicação, você pode assistir à primeira hora do começo desta trama.
Enredo e estrutura narrativa
A história apresenta três caminhos principais, cada um focado em personagens vindos de arcos anteriores da franquia. Temos o retorno de Van Arkride, do arco Daybreak, Rean Schwarzer, do arco Cold Steel, e Kevin Graham, de Trails in the Sky.
O enredo gira em torno do Projeto Star Taker, que representa a primeira tentativa da humanidade de alcançar o espaço, ao mesmo tempo em que fecha diversos pontos em aberto relacionados ao destino do continente de Zemuria, que sempre foi o eixo central da narrativa da série.

Não entrando em detalhes para evitar spoilers, vale destacar que esta análise parte do ponto de vista de alguém que não teve contato prévio com a franquia. Este foi o primeiro Trails jogado, o que naturalmente muda a forma como certas informações são absorvidas.
A série sempre teve fama de ser extremamente rica em lore e muito cultuada entre fãs de JRPG, e isso fica evidente logo de início. Ao saber que o jogo vinha acompanhado de doze títulos anteriores, foi necessário buscar informações para entender melhor o universo e os acontecimentos passados.
Para quem já acompanhou a franquia desde o início, não há qualquer problema de compreensão. Já para novos jogadores, a comunidade costuma recomendar fortemente jogar títulos anteriores ou, pelo menos, iniciar por arcos específicos. Inclusive, houve recentemente o remake de Trails in the Sky, lançado no ano passado, que serve como um bom ponto de entrada.

Ainda assim, Trails Beyond the Horizon faz um esforço claro para acolher novos jogadores. O jogo oferece menus com linha do tempo detalhada, explicando os principais eventos do continente de Zemuria, além de vídeos de contexto focados em sagas já encerradas, como Daybreak e Cold Steel.
Existe também um compêndio bastante completo, acessível pelo menu, com resumos de todos os jogos da série. Durante a gameplay, especialmente nos muitos diálogos, o jogador pode acessar explicações em tempo real sobre termos importantes, personagens, organizações e contextos políticos e sociais. No PlayStation 5, isso é feito pelo direcional esquerdo, o que ajuda bastante quem não tem experiência prévia com a franquia.
Jogabilidade e mecânicas
Em termos de mecânicas, o jogo vem sendo bastante elogiado por evoluir sistemas já consolidados da série. O grande destaque continua sendo o sistema híbrido de combate, que permite alternar entre um RPG de ação mais dinâmico e um RPG de turno mais cadenciado e estratégico.

Entre as novidades estão os Shard Commands, o Awakening, que funciona como uma transformação especial dos personagens, e o sistema Z.O.C. (Zone of Control), que permite desacelerar os inimigos, aumentar o dano e executar múltiplos ataques, sendo especialmente útil contra chefes e inimigos mais fortes.
Outro destaque é a masmorra Green Card, onde é possível montar grupos com personagens de toda a franquia. O jogo traz o retorno de muitos rostos conhecidos, permitindo criar equipes misturando personagens de diferentes arcos, o que agrada bastante os fãs de longa data.
Aspectos técnicos e desempenho
Do ponto de vista técnico, o jogo mantém o uso do motor gráfico tradicional da série e, por ser um título cross-gen, não apresenta um grande salto visual. Lançando também para PlayStation 4 e Switch, Trails Beyond the Horizon segue o mesmo estilo artístico dos jogos anteriores, sem grandes avanços gráficos geracionais.
Em compensação, a gameplay é bastante fluida. As evoluções no sistema de combate trazem mais profundidade sem o tornar excessivamente complexo. Mesmo para quem nunca jogou Trails antes, o jogo se mostra acessível, especialmente para fãs de RPGs táticos por turno.

Apesar de ser mais complexo do que RPGs mais populares e diretos, como Final Fantasy ou até títulos mais recentes do gênero, a curva de aprendizado é suave. Tanto o combate em turnos quanto as batalhas de campo são bem explicadas e não se tornam um obstáculo ao progresso.
No PlayStation 5, o jogo oferece dois modos gráficos: modo performance e modo qualidade. Há compatibilidade com os recursos do DualSense, além de um modo de alta velocidade, que permite acelerar as batalhas em até quatro vezes, algo muito bem-vindo em um RPG com tantas lutas.
Curiosamente, a versão considerada mais estável em desempenho é a do Nintendo Switch 2, onde o jogo roda a 60 fps fixos.
Trilha sonora e apresentação
Como todo bom JRPG, Trails Beyond the Horizon é extremamente carregado em diálogos e desenvolvimento de trama. Portanto, tenha paciência para compreender o enredo, já que, nesse quesito, ele ainda é bem tradicional. É possível acelerar os diálogos, o que reduz as conversas e permite avançar mais rapidamente para a ação. No entanto, quem busca o melhor que um JRPG pode oferecer provavelmente vai querer entender cada trecho; já os jogadores mais focados na ação tendem a pular essas partes.
A trilha sonora é competente e familiar, especialmente para jogadores veteranos da franquia, mas não traz faixas realmente icônicas ou memoráveis. Cumpre bem seu papel, mas não se destaca.
No geral, tanto em estrutura de gameplay quanto em apresentação visual, o jogo segue muito próximo do que já foi visto nos títulos anteriores da série, sem grandes reinvenções.

Gamerdito para The Legend of Heroes: Trails Beyond the Horizon
Por fim, The Legend of Heroes: Trails Beyond the Horizon é um jogo claramente feito para fãs da franquia, mas que se esforça para não afastar novos jogadores. Ele fecha um arco importante, aprofunda sistemas já conhecidos e entrega uma experiência sólida de JRPG, ainda que sem grandes inovações técnicas ou visuais. Apesar de a franquia ter conquistado uma base considerável de jogadores no Ocidente, ela ainda não é popular no Brasil. Em virtude disso, a NIS America não encomendou uma versão localizada em português brasileiro.
Quem sabe isso mude no futuro, como aconteceu com empresas como ATLUS, Bandai Namco, Capcom e Square Enix, que passaram a localizar seus RPGs nos últimos anos, inclusive títulos que não eram tão populares por aqui. É uma esperança que fica para as próximas gerações.
Quem deseja adquirir o título pode acessá-lo nas lojas digitais, como a Steam no PC, a PlayStation Store no PS5, a Microsoft Store no Xbox e a Nintendo eShop no Nintendo Switch e no Switch 2.
Com todos os pontos mencionados nesta review, encerro mais uma imersão na jogatina deste JRPG com nota 8/10.
Review realizada com base na versão do console de PlayStation 5, jogada via mídia digital, disponibilizada pela desenvolvedora e sua assessoria. Este conteúdo não sofre qualquer influência das desenvolvedoras ou da publisher do jogo. O nosso site mantém total liberdade editorial para expressar opiniões diretas, precisas e imparciais, independentemente de tendências do mercado. Com base na confiança dos nossos leitores, que reconhecem o caráter objetivo de nossas análises, este artigo tem como objetivo avaliar se o título em questão realmente vale ou não a experiência de jogo.
