Como previsto, Highguard é destruído no Steam

Highguard estreia com erros técnicos e perde jogadores rapidamente no Steam

- Publicidade -

Como jornalista da indústria dos games, sempre priorizo a imparcialidade nos meus artigos de opinião. Contudo, Highguard virou um caso à parte. Assim que baixei o jogo para testar seu desempenho e conhecer o famoso título que, segundo o criador do The Game Awards, Geoff Keighley, iria mudar a forma de olhar os jogos de FPS, a expectativa já estava criada.

Leia também:

Apostando nisso, muitos jogadores ficaram na expectativa, enquanto outros se mostravam mais céticos, gerando uma série de debates em redes sociais como X e Reddit. Se você acompanha essa indústria, já deve saber do que estou falando, e acredito que, se entrou aqui, já tem ciência do assunto, sem que seja necessário me alongar demais. Logo, com sede de criar conteúdo para o site, aguardei o download, que não demorou muito devido à velocidade do mecanismo que utilizei. Porém, meu primeiro contato com o jogo seria bem diferente do esperado.

As rejeições

Em tempos de alta tecnologia, as empresas precisam de mecanismos mais modernos para nivelar suas exigências. Um deles surgiu logo de imediato: um erro alegando problema de memória. A primeira dúvida foi óbvia: será que a configuração que estou utilizando não seria robusta o suficiente para rodar o jogo? Vocês podem observar na imagem o erro apresentado.

No entanto, o verdadeiro problema estava no Easy Anti-Cheat. O jogo simplesmente não executava sem a ativação do Secure Boot. Jogo inúmeros títulos que utilizam esse mesmo sistema antitrapaça e nunca tive esse tipo de problema. Para um jogo que os usuários já baixam desconfiados de sua performance, manter esse tipo de resquício de configuração é praticamente pedir para receber reclamações em massa. Afinal, grande parte dos usuários não possui conhecimento técnico suficiente para entender como agir nesses casos.

Erro do Easy Anti-Cheat no Highguard exige ativação do Secure Boot
(Reprodução)

Como consequência, uma enxurrada de críticas tomou conta dos comentários na plataforma Steam. Alguns podem alegar que se trata apenas de um detalhe técnico, mas esse tipo de obstáculo inicial é mais do que suficiente para afastar um possível jogador, especialmente em um título que depende de uma base ativa logo no lançamento.

Somado a isso, outros problemas ficam evidentes durante a jogatina. Um mapa gigantesco para partidas 3v3 faz com que o jogador passe longos períodos vagando sem encontrar um único confronto. Isso acaba tornando a experiência tediosa até que finalmente aconteça um encontro para lutas que deveriam ser épicas. Em jogos competitivos, ritmo é tudo, e quando ele falha, a sensação de progressão simplesmente desaparece.

Os desenvolvedores da Wildlight Entertainment, mesmo recebendo elogios do criador do TGA, não conseguiram manter o público ativo em um conteúdo gratuito. Sim, o jogo é gratuito, com compras disponíveis na loja interna, mas deveria ao menos entregar uma imersão satisfatória. Isso se torna ainda mais preocupante quando falamos de profissionais que trabalharam em jogos consagrados como Titanfall e Apex Legends.

Highguard deixa claras inspirações em Titanfall, Apex Legends, além de elementos vistos em Overwatch e Valorant. Não estamos falando de desenvolvedores inexperientes. Justamente por isso, o resultado final causa estranhamento. Algo desse nível não deveria deixar tanto a desejar. Ainda assim, por ser gratuito, o jogo conseguiu atingir picos de 97 mil jogadores simultâneos na plataforma Steam em seu lançamento.

Contudo, em poucas horas após a estreia oficial, os números começaram a cair drasticamente. Pela manhã, no horário de Brasília, o jogo registrava apenas 8.389 jogadores online. Esses dados referem-se exclusivamente à versão de PC (Windows), sem contabilizar Xbox Series e PlayStation, já que minha análise se baseia nas informações do SteamDB.

Dados do SteamDB mostram queda de jogadores de Highguard após lançamento
(Reprodução)

O Futuro de Highguard

Não consigo traçar um panorama definitivo sobre o futuro do jogo ou até mesmo do estúdio envolvido, mas é evidente que uma resposta rápida é necessária para evitar um destino semelhante ao de Concord. Em apenas duas semanas após o lançamento, a Sony Interactive Entertainment encerrou os servidores do jogo e também as atividades do Firewalk Studios, um exemplo recente de como o mercado não perdoa erros consecutivos.

Nós, que somos profissionais e estamos há anos ou até décadas nessa empreitada, queremos o melhor para os jogos lançados ano após ano. Highguard tem uma premissa interessante, mas chegou em um momento em que jogos desse gênero precisam oferecer algo além do básico para manter jogadores engajados nessa abordagem.

Por isso, meus gamernéfilos, deixo o convite para que testem o jogo. Se forem jogar no PC, verifiquem se já existe uma solução mais cômoda em relação ao antitrapaça. Nos consoles, baixem e testem para tirar suas próprias conclusões. Resta torcer para que os futuros jogos saibam ler melhor os feedbacks das comunidades ativas, entendendo o que precisa ser feito antes que as críticas negativas tomem proporções irreversíveis.

Jefão Calheiro
Jefão Calheiro
Apaixonado por games, filmes de ficção científica, séries e tudo que envolve tecnologia e inovação, com mais de 15 anos de experiência comentando e analisando esses temas. Além disso, sou curioso por astronomia e, nas horas vagas, tento observar o cosmos como um astrônomo amador. Acredito no poder das opiniões e no respeito à diversidade de pensamentos. Em minhas análises, busco compartilhar conhecimento de maneira clara e acessível, ajudando o público a se conectar com as novidades do mundo do entretenimento e da tecnologia. Ah, e como bom flamenguista, vibro junto com o maior clube brasileiro, o Flamengo! Vamos, gamernéfilos, porque todo dia tem novidade nesse universo em constante expansão. =)

Gamernéfilos, comentem aqui!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.