Recentemente, aqui no MeUGamer, comentamos sobre como a Hello Games sustenta No Man’s Sky há quase uma década com atualizações gratuitas — uma estratégia inteligente para atrair novos compradores sem cobrar nada de quem já tem o jogo.
Agora, com a atualização 6.3 de abril de 2026, o estúdio britânico foi além. E pode ter criado, sem querer, uma dor de cabeça jurídica do tamanho de um sistema solar.
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O que é a Xeno Arena
Durante anos, No Man’s Sky construiu um universo com bilhões de planetas habitados por uma fauna alienígena gerada proceduralmente. Criaturas únicas, com formas bizarras e comportamentos próprios. Os jogadores as encontravam, escaneavam e seguiam em frente.
A atualização 6.3 muda completamente esse papel.

Com a Xeno Arena, os jogadores agora podem capturar essas criaturas durante suas explorações e transformá-las em combatentes. Cada espécime tem atributos próprios — tamanho, agilidade, espécie e origem influenciam diretamente o desempenho nas batalhas.
O modo funciona assim: dentro da Space Anomaly — uma estação especial do jogo —, mesas de holodeck permitem inscrever suas criaturas em batalhas simuladas contra outros jogadores. Para quem prefere jogar solo, há combatentes NPC disponíveis nas Estações Espaciais, incluindo campeões regionais que exploram as afinidades de bioma da fauna local.
A estratégia é central. Não basta ter a criatura mais forte — você precisa entender os pontos fortes e fracos de cada uma, responder aos movimentos do adversário e montar um grupo equilibrado. São centenas de habilidades de ataque, defesa e cura para descobrir, e cada combinação de criaturas gera formas diferentes de interagir no combate.

Há ainda a opção de evolução genética: é possível aprimorar as capacidades das criaturas e complementar os demais membros do grupo para criar o esquadrão definitivo. Vencer batalhas sobe sua posição na Liga da Arena, rendendo medalhas e títulos dentro do jogo.
Para facilitar a montagem do time, o número de criaturas que o jogador pode adotar aumentou de 18 para 30.
Uma ideia genial — e familiar demais
A proposta é criativa e faz todo sentido dentro do universo de No Man’s Sky. O estúdio aproveitou sua fauna já existente para adicionar uma camada de jogo completamente nova, sem precisar criar nada do zero.
Mas qualquer gamer percebe imediatamente a semelhança com uma franquia que vale bilhões.
Capturar criaturas únicas pelo mundo. Entender os atributos de cada uma. Montar um time estratégico. Batalhar contra outros jogadores em campeonatos. Evoluir seus companheiros ao longo do tempo.
Isso é No Man’s Sky em 2026. Mas também é a descrição exata do que a Nintendo vende desde 1996 com Pokémon.
A sombra da Nintendo — e o caso Palworld
A Big N é conhecida por defender suas propriedades intelectuais com agressividade. Ao longo dos anos, a empresa vem patenteando mecânicas, gestos e estilos de jogo para dificultar que concorrentes copiem características de suas franquias.

Em alguns casos, consegue o que quer. Em outros, os processos se arrastam sem resolução clara.
O caso mais recente e emblemático é o da Pocketpair, desenvolvedora de Palworld. Meses após o lançamento do jogo — que mistura captura de criaturas com mecânicas de sobrevivência —, a Nintendo entrou com processo alegando violação de patentes. O caso ainda repercute na indústria.
A Xeno Arena não é Palworld. No Man’s Sky é um jogo de exploração espacial com quase dez anos de existência, e o modo de batalha é apenas uma camada adicional em cima de um universo já consolidado. Não há, na minha análise, nenhum plágio direto.
Mas a Nintendo não precisa de plágio para agir. Precisa de semelhança suficiente para argumentar em juízo.
Se a Xeno Arena crescer, virar febre e começar a ser comparada abertamente com Pokémon — o que já está acontecendo nas redes —, os advogados da Big N podem bater na porta da Hello Games. Especialmente agora, com o lançamento de Pokémon Champions no Nintendo Switch e versões futuras previstas para Android e iOS, trazendo um enredo focado exatamente em batalhas competitivas entre treinadores.
A timing não poderia ser mais delicado.

Vale a pena jogar?
A ideia da Xeno Arena é genuinamente boa. Ela une dois públicos que raramente se cruzam: fãs de ficção científica e exploração espacial, e jogadores que cresceram com jogos de monstrinhos de bolso.
Se você nunca jogou No Man’s Sky, este pode ser um bom momento para entrar. O jogo está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC via Steam e Epic Games Store — com suporte a cloud gaming nas principais plataformas. A atualização 6.3 com a Xeno Arena é gratuita para todos os jogadores.
Se um embate jurídico entre Hello Games e Nintendo acontecer, traremos todas as atualizações aqui no MeuGamer.
Por enquanto, o universo ainda é seu para explorar — e suas criaturas estão esperando para batalhar.
