Review | Lanternas – 1X05: Luzes Apagadas

“Luzes Apagadas” transforma o mistério de Rushville em uma explosão de ação, mas sacrifica desenvolvimento de personagens e coerência em nome de um conflito que ainda não convence

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Depois de quatro episódios construindo lentamente o mistério dos Manhunters, Lanternas finalmente coloca suas principais peças em movimento. O problema é que “Luzes Apagadas” parece mais interessado em acelerar a história do que em dar peso às consequências de tudo o que foi construído até aqui.

Existe uma ironia no título do quinto episódio de Lanternas. “Luzes Apagadas” deveria representar o momento em que a temporada finalmente acende seu grande conflito. Em vez disso, o capítulo acaba funcionando melhor como um aviso de que a série ainda não encontrou a maneira ideal de transformar suas ideias em drama.

Depois de episódios relativamente contidos, a produção decide colocar praticamente tudo em movimento ao mesmo tempo: Zoe é revelada como uma Manhunter, Hal Jordan entra em rota de colisão com John Stewart, Antaan e seus homens partem para o ataque, os satélites de William Macon transformam Rushville em uma zona de guerra e os Guardiões voltam a interferir diretamente no destino dos protagonistas. É bastante coisa. E justamente por isso, o episódio sofre com a sensação de atropelo.

O conflito entre Hal e John precisava de mais tempo

O maior problema de “Luzes Apagadas” está no confronto entre seus protagonistas. A série vinha construindo Hal e John como personagens diferentes, mas complementares. Hal representa a experiência, a desconfiança e o peso de anos servindo à Tropa. John, por outro lado, ainda tentava entender seu papel dentro de uma instituição que o treinou desde muito cedo para ocupar uma posição que talvez nem desejasse.

Essa tensão era uma das melhores coisas da temporada. O episódio, porém, transforma essa diferença em uma ruptura muito mais abrupta. Hal abandona John após o acidente para negociar com Antaan e tentar preservar sua posição como Lanterna da Terra. John, gravemente ferido, acaba dependendo de Zoe para reconstruir seu corpo. A partir daí, a relação entre os dois degringola até o confronto físico.

A ideia não é ruim. O problema é a velocidade com que a série chega a ela. Para que a briga entre Hal e John tenha o impacto pretendido, seria necessário sentir que os dois chegaram a um ponto sem retorno. Mas a temporada ainda não construiu ressentimento suficiente para que essa ruptura pareça inevitável.

Em alguns momentos, o roteiro parece colocar os personagens em lados opostos porque precisa de um grande confronto no meio da temporada. E isso enfraquece justamente aquilo que vinha funcionando tão bem entre eles.

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Reprodução: HBO Max

Hal Jordan toma uma decisão difícil de defender

Hal é, até aqui, um dos personagens mais interessantes da série. Kyle Chandler consegue transmitir muito bem o desgaste de um homem que passou anos acreditando em uma instituição que agora parece disposta a substituí-lo. Mas “Luzes Apagadas” leva essa característica para um território complicado.

Ao deixar John para trás enquanto vai negociar com Antaan, Hal passa a agir de maneira difícil de conciliar com a versão do personagem que a própria temporada vinha apresentando. O episódio tenta contextualizar a decisão a partir do medo de perder o anel e ser substituído. Isso faz sentido tematicamente: Hal está cada vez mais consciente de que os Guardiões não o enxergam como indivíduo, mas como uma peça substituível.

Ainda assim, a execução pesa contra ele. O problema não é Hal cometer um erro. Um personagem pode, e deve, tomar decisões ruins. O problema é a série não dar tempo suficiente para que esse erro seja compreendido como consequência de sua trajetória, e não apenas como ferramenta para colocá-lo em conflito com John.

John finalmente rompe com o destino que prepararam para ele

Se Hal é prejudicado pelo desenvolvimento apressado, John ganha uma das decisões mais interessantes da temporada. Desde o episódio dedicado à sua infância, a série vem mostrando que John foi preparado para ser um Lanterna antes mesmo de compreender o que isso significava. Sua família, os Guardiões e a própria estrutura da Tropa contribuíram para transformar sua vida em uma espécie de projeto.

Por isso, sua decisão final possui um peso maior do que simplesmente recusar um anel. John derrota Hal, utiliza o próprio parceiro como isca para atrair Zoe e, depois de matá-la, entrega o anel aos Guardiões. Ele não quer mais aquilo. E essa escolha é provavelmente o elemento mais forte do episódio porque rompe com a trajetória que parecia estar sendo desenhada desde o início.

John não está apenas recusando um cargo. Está recusando o destino que outras pessoas escolheram para ele. É uma conclusão coerente com o arco apresentado anteriormente, mesmo que o caminho até ela seja irregular.

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Reprodução: HBO Max

Zoe funciona mais como confirmação do que como surpresa

A revelação de que Zoe é a Manhunter também perde parte de sua força porque a temporada já havia oferecido pistas suficientes sobre seu envolvimento. Nesse sentido, “Luzes Apagadas” não apresenta exatamente uma grande reviravolta, mas confirma uma suspeita.

O problema é que a morte de Zoe acontece em meio a tantos acontecimentos que o impacto emocional da personagem acaba reduzido. A série tinha a oportunidade de transformar Zoe em uma figura central para o conflito de John. Em vez disso, ela acaba servindo principalmente como peça necessária para levar o protagonista até sua decisão final.

Isso é particularmente frustrante porque o episódio poderia ter explorado melhor o vínculo entre os dois antes de transformar o encontro em um confronto definitivo.

Antaan e a ação mostram as limitações da série

É aqui que Lanternas volta a enfrentar um problema que já aparecia nos episódios anteriores: a dificuldade de transformar o poder dos Lanternas em espetáculo visual. Hal passa boa parte do episódio utilizando seu anel para criar escudos. Escudos contra tiros. Escudos contra explosões. Escudos contra ataques.

A escolha pode ser compreensível dentro da proposta mais contida da série, mas se torna repetitiva rapidamente. O anel dos Lanternas Verdes deveria ser uma extensão da imaginação de seus usuários. A possibilidade de criar praticamente qualquer construção deveria permitir uma linguagem visual inventiva.

Aqui, entretanto, o poder frequentemente parece reduzido a uma ferramenta defensiva genérica. A sequência envolvendo a fumaça e os equipamentos de visão noturna tenta criar alguma tensão espacial, mas não consegue compensar a falta de criatividade nas demais cenas.

As explosões orbitais também deveriam representar uma escalada significativa para a temporada, mas a montagem fragmentada reduz seu impacto. O problema, portanto, não é necessariamente falta de ação. É falta de identidade na ação.

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Reprodução: HBO Max

A conspiração finalmente explode, talvez cedo demais

A temporada passou quatro episódios acumulando perguntas sobre Rushville, os Manhunters, William Macon, os Guardiões e a própria relação entre Hal e John. Era inevitável que esse conjunto de elementos chegasse a um ponto de ruptura. O problema é que “Luzes Apagadas” tenta resolver e complicar tudo simultaneamente.

Antaan aparece. Zoe é confirmada. John é gravemente ferido. Os satélites atacam. Hal perde o controle da situação. John enfrenta Hal. Zoe morre. O anel é devolvido aos Guardiões. A sensação não é exatamente de uma história chegando ao seu clímax. É de várias histórias sendo empurradas umas contra as outras. O episódio até consegue criar movimento, mas nem sempre consegue criar consequência.

O melhor tema continua sendo o poder dos Guardiões

Curiosamente, o elemento mais interessante do capítulo não está nas explosões ou na investigação. Está naquilo que Lanternas vem dizendo sobre os Guardiões.

A instituição trata os Lanternas como instrumentos. Hal começa a perceber que pode ser substituído. John descobre que sua própria vida foi moldada para cumprir uma função. E o anel, que deveria representar a escolha e a força de vontade, acaba funcionando também como símbolo de controle.

Essa contradição é muito mais rica do que o simples mistério sobre quem é o Manhunter. É também o que torna a decisão de John tão relevante. Ao devolver o anel, ele interrompe o ciclo.

Pela primeira vez, alguém que passou a vida sendo preparado para ocupar determinada posição decide que não quer mais desempenhar aquele papel. É uma ideia forte o bastante para sustentar um episódio inteiro. Infelizmente, “Luzes Apagadas” não confia nela o suficiente e prefere cercá-la de explosões, perseguições e reviravoltas.

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Reprodução: HBO Max

Um episódio importante, mas pouco equilibrado

“Luzes Apagadas” não é um desastre. Pelo contrário: ele finalmente acelera a temporada, entrega respostas importantes e estabelece uma mudança significativa para John Stewart. Mas é também um episódio que expõe as fragilidades de Lanternas.

A série continua tendo ótimos protagonistas, boas ideias sobre legado e instituições de poder e uma abordagem interessante para a mitologia dos Lanternas Verdes. O que ainda falta é transformar essas ideias em uma narrativa mais orgânica.

O conflito entre Hal e John precisava de mais preparação. A investigação precisava de conclusões menos convenientes. Zoe merecia mais espaço antes de sua morte. E as cenas de ação precisavam encontrar uma identidade visual que fizesse justiça ao conceito dos Lanternas.

No fim, o quinto episódio parece menos um clímax cuidadosamente construído e mais uma tentativa de colocar a temporada novamente em movimento. E talvez seja justamente essa a sua função.

John recusou o anel. Hal perdeu o controle. Os Guardiões continuam manipulando o tabuleiro e o mistério de Rushville mudou completamente de forma.

Agora resta descobrir se Lanternas vai usar essas consequências para aprofundar seus personagens ou simplesmente correr para a próxima grande reviravolta.

O quinto episódio de Lanternas está disponível no HBO Max.

Marcus Vinicius
Marcus Viniciushttps://www.meugamer.com/
Entusiasta do universo dos animes, mangás e tokusatsu, também escrevo sobre cinema, séries e as principais tendências da cultura pop japonesa e ocidental. Meu propósito é compartilhar análises, curiosidades e novidades que aproximam fãs desse universo, unindo informação, entretenimento e paixão pela cultura geek. Do clássico ao contemporâneo, exploro o impacto de produções que marcaram gerações, discuto teorias, mergulho em personagens inesquecíveis e acompanho de perto os lançamentos que movimentam a comunidade otaku. Além do Japão, também abordo obras e fenômenos globais que moldam a cultura pop, trazendo conteúdos que despertam nostalgia, reflexão e novas descobertas para quem vive intensamente esse mundo.

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