Review: Marvel’s Wolverine (2026)

Review | Marvel’s Wolverine encontra força no combate, mas demora para mostrar todo o potencial de Logan

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Quando comecei Marvel’s Wolverine o novo exclusivo da Sony no seu console do PlayStation 5, eu esperava encontrar uma experiência capaz de traduzir toda a brutalidade, a personalidade e o instinto selvagem de Logan para os controles. Afinal, a Insomniac Games já demonstrou domínio sobre adaptações de super-heróis e construiu uma identidade própria com sua série do Homem-Aranha. Porém, logo nas primeiras horas, percebi que Marvel’s Wolverine tenta seguir algumas fórmulas conhecidas sem conseguir adaptá-las completamente à estética do mutante.

Ainda assim, minha imersão não caminhou apenas por problemas. Pelo contrário, encontrei momentos empolgantes, especialmente quando o combate finalmente libera ferramentas suficientes para transformar Logan em uma verdadeira máquina de destruição. Além disso, a atuação do elenco ajuda a sustentar personagens interessantes mesmo quando o roteiro perde força. Por outro lado, o ritmo irregular, a progressão lenta e algumas escolhas estruturais diminuem bastante o impacto da aventura.

Marvel’s Wolverine e sua trilha sonora original composta por David Fleming
Imagem reprodução

Uma aventura que não encontra seu próprio ritmo

Em primeiro lugar, Marvel’s Wolverine abandona a estrutura de mundo aberto associada aos trabalhos recentes da Insomniac. Essa decisão, por si só, não representa um problema. Eu até considero coerente entregar uma aventura mais concentrada em Logan, já que o personagem funciona muito bem em histórias mais pessoais. O problema aparece quando o título tenta transportar elementos de outras produções para uma campanha linear sem encontrar uma função realmente orgânica para eles.

Consequentemente, algumas atividades parecem existir apenas para preencher uma lacuna que normalmente encontraria espaço em um mapa aberto. Baús, objetos específicos, pontos de experiência e pequenas descobertas aparecem espalhados pelos cenários. Entretanto, essas recompensas raramente despertam em mim aquela sensação de descoberta que uma exploração bem planejada consegue proporcionar. Muitas vezes, eu apenas seguia pelo caminho indicado e procurava qualquer elemento interativo disponível.

Logan finalmente ganha força quando luta

Por outro lado, preciso reconhecer que Marvel’s Wolverine encontra seu melhor momento durante as batalhas. No começo, porém, o sistema apresenta uma simplicidade que me incomodou. Ataques rápidos, golpes alternativos, defesa e esquiva formam praticamente todo o repertório inicial. Portanto, durante as primeiras horas, eu sentia que controlava um personagem muito menos poderoso do que a fantasia de Wolverine deveria transmitir.

Marvel's Wolverine — Screenshot 2
(Reprodução)

Gradualmente, essa impressão muda. Conforme desbloqueio habilidades, começo a combinar ataques e percebo uma lógica mais interessante por trás da progressão. As habilidades passivas também desempenham um papel importante, porque determinadas ações reduzem os tempos de recarga e incentivam uma postura mais agressiva. Assim, quanto melhor eu lutava, mais recursos conseguia utilizar durante a mesma sequência.

Essa mecânica muda completamente meu relacionamento com o combate. Em vez de simplesmente esperar uma habilidade voltar, passei a construir estratégias para acelerar sua disponibilidade. Por exemplo, determinadas condições incentivam ataques contra inimigos atordoados, enquanto outras recompensam esquivas precisas. Dessa forma, o sistema começa a criar uma pequena dança entre ataque, defesa, recuperação e utilização de poderes.

As limitações prejudicam a fantasia de Wolverine

Mesmo assim, existe uma contradição importante em Marvel’s Wolverine. Logan deveria transmitir uma sensação constante de força física, resistência e agressividade. Entretanto, durante a campanha, o sistema segura justamente os recursos que poderiam representar essas características. Os tempos de recarga aparecem cedo e limitam o uso de habilidades que deveriam deixar cada confronto mais explosivo.

Marvel's Wolverine: o foco na acessibilidade, imagem
(Reprodução)

Por consequência, eu frequentemente guardava ataques especiais enquanto aguardava o momento adequado para utilizá-los. Essa situação funciona muito bem em determinados RPGs, nos quais administrar recursos faz parte da estratégia. Contudo, em uma aventura de ação protagonizada por Wolverine, essa limitação parece menos natural. Eu queria avançar sobre os inimigos, combinar golpes e sentir que tinha liberdade para experimentar.

Felizmente, a progressão posterior reduz esse problema. Quando consigo reunir habilidades suficientes, o combate adquire uma identidade muito mais clara. A partir desse ponto, começo a alternar ataques básicos, defesas, esquivas e golpes especiais com muito mais naturalidade. Consequentemente, a sensação de controlar Logan melhora bastante, ainda que eu considere frustrante precisar esperar tanto para alcançar esse estágio.

Uma árvore de habilidades pouco convincente

Além disso, a árvore de habilidades representa uma das decisões que mais me dividiram. Gosto de sistemas de progressão quando eles ampliam possibilidades e incentivam estilos diferentes. Porém, aqui, algumas habilidades parecem mais recompensas atrasadas do que ferramentas capazes de transformar profundamente minha maneira de jogar.

Em determinados momentos, eu já sabia exatamente quais golpes queria utilizar, mas precisava avançar mais na campanha para desbloquear determinadas opções. Isso cria uma barreira artificial entre mim e algumas das melhores possibilidades de combate. Consequentemente, a progressão nem sempre parece evolução. Às vezes, ela funciona apenas como uma trava que segura recursos que poderiam estar disponíveis anteriormente.

Ainda assim, quando finalmente reúno um conjunto de habilidades compatível com minha preferência, o percurso melhora consideravelmente. Posso alterar determinados comandos, escolher recursos diferentes e construir combinações mais eficientes. Dessa maneira, a árvore ganha algum sentido, principalmente durante a segunda metade da campanha, quando o repertório de Logan já apresenta variedade suficiente.

Furtividade tenta se encaixar na aventura

Outro ponto que me chamou atenção envolve a furtividade. A Insomniac inclui trechos nos quais Logan precisa evitar inimigos e eliminar alvos silenciosamente. Em teoria, essa abordagem poderia explorar características interessantes do personagem, como seus sentidos aguçados e capacidade de rastreamento. Entretanto, na prática, essas sequências parecem menos naturais do que as batalhas abertas.

A presença constante de vegetação alta facilita bastante esse tipo de abordagem. Eu consigo me esconder, observar adversários e executar eliminações silenciosas. Todavia, a composição transmite uma sensação de familiaridade excessiva com outros títulos de ação. Em vez de desenvolver uma mecânica de furtividade realmente ligada à natureza de Wolverine, são ferramentas bastante conhecidas do gênero.

A narrativa acerta nos personagens

Enquanto a construção me decepcionou em alguns pontos, a narrativa conseguiu despertar meu interesse graças aos personagens. O roteiro apresenta momentos irregulares, diálogos que poderiam receber mais cuidado e algumas relações que começam de maneira pouco convincente. 

Mística e Wolverine em cena no jogo
(Reprodução)

Logan também conversa bastante durante a aventura. Em determinados momentos, seus comentários ajudam a contextualizar objetivos e situações. Contudo, em outras ocasiões, senti que a quantidade de falas diminuía um pouco o peso de sua personalidade. Wolverine possui uma presença naturalmente intimidadora, e eu esperava que o silêncio tivesse maior espaço para construir sua personalidade.

Ainda assim, algumas relações funcionam melhor conforme a história avança. A dinâmica entre Logan e Jean Grey, por exemplo, inicialmente me causou estranhamento. Porém, com o desenvolvimento dos personagens, comecei a compreender melhor a conexão entre eles. No fim, algumas dessas interações conseguiram me envolver emocionalmente, mesmo quando a narrativa apresentava problemas de ritmo.

Uma apresentação visual irregular

Visualmente, Marvel’s Wolverine apresenta momentos impressionantes, mas também sofre com inconsistências. Os personagens possuem bons modelos, os ambientes apresentam detalhes interessantes e as cenas cinematográficas procuram transmitir uma atmosfera mais madura. Entretanto, alguns elementos visuais perdem definição de maneira bastante perceptível.

Esse problema chama mais atenção justamente porque a aventura utiliza muitas cenas nas quais preciso observar os personagens de perto. Detalhes como cabelos, roupas e determinados elementos das texturas podem apresentar artefatos que quebram um pouco a imersão. Em uma produção desse porte, eu esperava uma apresentação mais consistente durante toda a campanha.

Som e atuação sustentam a experiência

Quando se trata de som,  Marvel’s Wolverine consegue reforçar melhor sua proposta. Os efeitos dos golpes transmitem peso, enquanto os sons das garras ajudam a criar identidade para os ataques. Além disso, a trilha sonora acompanha os momentos de tensão e combate sem tentar roubar protagonismo das cenas. Em nosso site, há uma review que comenta como suas canções trazem toda dramaticidade para o jogo, conduzida pelo compositor David Fleming.

As atuações também merecem destaque. Mesmo quando o roteiro entrega diálogos pouco inspirados, o elenco consegue transmitir personalidade aos personagens. Isso faz diferença porque a aventura dedica bastante tempo às conversas e aos relacionamentos. Portanto, uma interpretação fraca poderia prejudicar ainda mais o ritmo.

Uma campanha que demora para engrenar

No geral, o maior problema de Marvel’s Wolverine está no equilíbrio entre suas diferentes propostas. A campanha quer contar uma história cinematográfica, oferecer combates intensos, incluir exploração, apresentar furtividade e ainda utilizar progressão por habilidades. Entretanto, essas peças nem sempre trabalham juntas.

Por isso, minha experiência oscilou bastante. Em alguns momentos, eu estava completamente envolvida por uma batalha e queria imediatamente encontrar outro confronto. Logo depois, precisava atravessar um trecho excessivamente linear ou acompanhar uma sequência longa de diálogos. Essa alternância prejudicou meu ritmo e tornou algumas partes cansativas.

Dente de Sabvre e Logan no jogo Marvel's Wolverine
Imagem reprodução

Gamerdito: vale a pena jogar Marvel’s Wolverine no PS5?

Após acompanhar toda a campanha, considero Marvel’s Wolverine uma jornada irregular, mas que apresenta bons momentos para quem gosta de aventuras de ação protagonizadas por super-heróis. O combate entrega suas melhores ideias após algumas horas, enquanto os personagens conseguem sustentar parte da narrativa mesmo quando o roteiro perde força.

Por outro lado, o formato linear, a progressão limitada e os trechos excessivamente guiados impedem que Logan alcance todo o potencial que seu conceito oferece. Eu esperava uma profundidade mais agressiva, mais livre e mais conectada às características únicas do mutante.

Ainda assim, quando consigo combinar habilidades, esquivas, defesas e golpes especiais, encontro exatamente a diversão que procurava. Marvel’s Wolverine mostra que a Insomniac entende como criar combates empolgantes, mas também revela que nem toda fórmula precisa migrar de uma franquia para outra. No fim, minha vivência desta aventura, ficou marcada mais pelo potencial do que pela execução épica.

Por esse motivo, finalizo esta review com uma nota 7/10 para Marvel’s Wolverine.


Agradecemos à PlayStation Brasil e à sua assessoria de imprensa pela disponibilização de Marvel’s Wolverine para a realização desta review pelo MeUGamer.

Vanessa Ferreira
Vanessa Ferreirahttps://www.meugamer.com
Carioca, apaixonada por games, gatos e chocolate. Reservada por opção, nerd por condição. "Quando você está perdido na escuridão, procure a luz e acredite nos vagalumes"- The Last of Us

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Um Wolverine brutal nos combates, mas preso a uma campanha que demora para encontrar seu próprio ritmo.Review: Marvel’s Wolverine (2026)