Shadow of the Colossus, um jogo que surgiu no início da minha fase adulta. Minha primeira impressão, meu primeiro contato com esse jogo não foi no meu Playstation 2, mas quando ainda tentei jogar na casa de um colega meu de infância. Até hoje somos amigos, diga-se de passagem, décadas depois.
Eu fui jogando esse jogo. Um jogo diferente, com um visual um pouco mais minimalista. Porém, ele mostrava uma grande parte vazia, algo que uma pessoa que estivesse perdida ficaria desesperada. Havia desertos, com construções destruídas, abandonadas há muito tempo e até um belo jardim secreto. Imagine você adentrando um local misterioso, sem uma alma sequer. Bem, era o que nós pensávamos: que não existiria uma alma sequer.
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Foi aí, ao lado do cavalo chamado Agro, que um jovem viajante chamado Wander adentrava o local conhecido como Forbidden Lands, ou Terras Proibidas, levando uma jovem, a qual ele acreditava que, por ter sido sacrificada, poderia retornar à vida. O nome dela era Mono.
Ele passava a jornada inteira tentando buscar respostas e descobrir como fazê-la retornar à vida, já que acreditava numa suposta profecia. Essa profecia, ele mal imaginava que estaria ajudando a cumprir. Naquela época, nós não tínhamos essa noção, já que jogávamos sem saber de nada. Conhecemos o jogo aleatoriamente, não foi por revista, mas porque ele achou interessante o nome e sempre foi fã dessas coisas de colossos, romano, grego, e ele comprou.
Então, eu também tive meu primeiro contato, ainda antes de poder jogar diretamente no meu próprio PlayStation 2. Na casa dele, percebi uma coisa diferenciada. Apesar de um visual mais minimalista, um pouco mais acinzentado, percebemos algo extraordinário.
Antes desse algo extraordinário, o personagem conversava com uma entidade misteriosa que habitava um templo e que seria uma figura importante para Wander. O nome dela era Dormin, que é Nimrod ao contrário, em português do Brasil, Ninrode, inspirado no personagem da Torre de Babel da Bíblia Sagrada. Isso era um elemento bem complicado, já que nós percebíamos vozes masculinas e femininas nessa entidade, tentando nos mostrar algo que descobriríamos que talvez mudaria a vida de Wander e não só dele, mas de toda a legião que viesse após.
Wander descobria que tinha que desafiar alguns seres, mas não tinha dimensão do que eram esses seres. Como seriam? Quem eram? Humanos? A fauna do local? Criaturas das trevas?
A verdade é que Wander descobriria de uma forma ainda mais extraordinária. Ao conversar com Dormin, ele tinha que enfrentar grandes criaturas, sim, criaturas jamais vistas fora daquele local. Ou talvez já existissem antes, mas o seu povoado talvez não tivesse mais contato diretamente. Pois, sua existência com base em magia ancestral trouxe vida para que eles funcionassem como guardiões.
Além disso, um grupo que tinha uma ligação direta com o passado de Dormin estava a caminho das Forbidden Lands, quando descobriu que aquele local estava sendo perturbado por uma pessoa, por um jovem. Lord Emon ia até o local.
Então, Wander teria pouco tempo para conseguir cumprir tudo aquilo que havia conversado com Dormin. Utilizando uma espada que mostrava o local de cada criatura, ele precisava encontrar os colossos, totalizando 16. Simplesmente ia encontrando e tinha que passar por vários obstáculos, seja no ar, seja em locais subterrâneos, seja na própria água, seja em campo aberto.

Cada colosso tinha sua própria característica, e o jogo nos apresentava 16 deles
Muitos desses colossos que enfrentamos no jogo, na época, nós não tínhamos noção do que eram. Porém, a comunidade, e sabemos hoje que os próprios desenvolvedores tinham nomes internos para cada um, acabou popularizando nomes como Valus, o primeiro.
Valus era praticamente uma criatura semelhante a um minotauro que a gente enfrentava usando uma armadura de pedra. Na verdade, era o primeiro colosso.

O impacto que aquele colosso tinha era incrível. Na época, talvez hoje, falando de gráficos, podemos não ter um impacto, mas imagina: uma época vindo para a versão do PlayStation 2, que tinha uma arquitetura de 128 bits, jogando numa televisão, e alguns ainda eram de tubo, outros não. Tinha um gráfico extraordinário.
Falando assim hoje, vocês podem não entender o que eu quero dizer. Mas, graficamente, os colossos tinham um impacto extremo. A sua semelhança com algo mais realista, ver a grandiosidade dos seres contra o próprio Wander, que era apenas um pequeno ser, um pequeno humano combatendo esses colossos, era incrível.
O impacto, o visual, você tinha literalmente medo, medo, medo de jogar um jogo desses, principalmente quando era na batalha da água. O personagem lutava contra o Hydrus, semelhante a uma enguia aquática, e ele levava você para dentro da água, aquela água profunda, escura. Leitores, você literalmente poderia ter pavor, porque era algo muito, muito realista.
O gráfico, para a época, para o jogo, era algo muito dinâmico, muito fora da realidade. Fumito Ueda trabalhou muito bem nessa concepção, nesse game design, para transformar esses colossos em algo único.
Talvez o jogo não fosse o mais exemplar, que tivesse muitos elementos, porque você sempre sentia que tinha um vasto vazio. Mas cada batalha, cada colosso, óbvio que alguns eram épicos. Na época, olhando o mapa e indo em cada local, você percebia um contato direto com aqueles seres. Afirmo para vocês que foi algo surreal.
Foi o meu primeiro contato, e o modo como você tinha que derrotá-los, subir nos colossos para poder conseguir derrotá-los. Cada um tinha uma estratégia diferenciada. Você tinha que acertar o ponto vital até conseguir liberar a essência de Dormin. E, cara, foi uma das coisas que eu achei extremamente fora da realidade.
Lutar contra o Avion também, um pássaro gigante, era algo impressionante. Era uma batalha em que o personagem tinha que subir em cima da criatura durante o voo, ou subir pela perna, ou pular em cima direto. Confesso que era difícil. Simplesmente utilizar sua espada para conseguir derrotá-lo era algo que impressionava. Além da estratégia para ser ágil já que as criaturas se movimentavam muita e corria o risco de cair eles e recomeçar novamente.

A ideia era praticamente igual para todos, mas Celosia, queridos, que era um dos menores desses seres, era o mais difícil quando você tentava ir direto para ele. Quando você entendia que uma simples tocha conseguia fazer Celosia recuar. Uma simples tocha, para afugentar e fazê-lo cair quebrando sua armadura. Era uma das coisas bem interessantes já para a época.
Também havia a inteligência dos monstros, hein? Estava falando ainda do PlayStation 2, a inteligência artificial das criaturas era incrível.
Mesmo sendo um jogo com locais isolados, você sempre buscava algo diferente. Você tinha um vasto mundo, com muita coisa distante uma da outra e poucos elementos, e ainda assim o jogador procurava algum segredo.
Tanto que, até hoje, as pessoas acreditavam, mesmo sabendo que não existam. Continuam tentando encontrar um colosso secreto, não existia nada secreto. Só no remake do PlayStation 4, eles trouxeram um elemento, uma sala secreta, uma espada única, que eles utilizaram ideias de um blogueiro e suas anotações conhecido como “Nomad Colossus“; que ficou aficionado por coisas do jogo e sua comunidade grande. Está mais para um easter egg, como homenagem a todos aqueles que criaram inúmeros tópicos e vídeos com teorias complexas.
Ainda assim, Shadow of the Colossus, muitos ainda acreditavam que havia algo escondido, ou algo que era para estar no jogo, mas, no último momento, por falta de espaço, não sei, ou tecnologia da época, eles não incluíram. Muitos, mesmo sabendo que não existia mais nada, ainda perguntavam para Fumito Ueda.
Ademais, a verdade é que, graficamente, esse jogo foi sempre extraordinário, ao menos os colossus sempre teve um gráfico incrível, um gráfico que trouxe essa franquia como inspiração para outros desenvolvedores. O próprio Hidetaka Miyazaki, entre outros. Kojima também elogiava bastante.
Por fim esse é um título que todos deveriam jogar. Quem não jogou no PlayStation 2 podem jogar no remake que saiu posteriormente, que eu recomendo muito. É uma produção que você termina pensando no existencialismo no que vem depois.
Além disso, o jogo faz parte de uma trilogia. O primeiro foi ICO, seguido pelo Shadow of the Colossus, que era para ter um nome chamado NICO, mas acabou como Shadow of the Colossus, e o último The Last Guardian.
Segundo os fãs, a trilogia começava, na verdade, pelo The Last Guardian, seguido por Shadow of the Colossus e finalizava em ICO, já que ICO foi o primeiro jogo lançado.
Aqui fazia quase que o inverso: ICO, que foi o primeiro lançado, seria o último na cronologia; The Last Guardian, que foi o último lançado, seria o primeiro; e Shadow of the Colossus seria o próprio segundo, fazendo a ponte de toda essa maldição dos meninos com os chifres.
É isso, meus gamernéfilos. Eu acredito que, se vocês nunca jogaram, é um jogo que, para mim, graficamente, foi uma coisa que mudou muito como eu olhei a indústria dos games.
Não só todos os segredos, mas como ele apresentava tudo naquela época. Mesmo que o último grande segredo nunca tenha existido de verdade!
