Nesta quinta-feira, 24 de setembro, a décima terceira temporada da antologia de Ryan Murphy, American Horror Story, estreou na Disney Plus com três episódios iniciais.
A temporada 13 segue uma linha diferente de todas as outras, trazendo personagens anteriores juntos em um propósito cuja motivação ainda é desconhecida. Por isso, estou adicionando minha perspectiva sobre esses episódios, que terão um total de 13.
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O primeiro episódio, intitulado “13”, possui 33 minutos de duração.
O episódio inicia nos apresentando ao personagem Ben deSoto (Joey Pollari), que possui a condição “triscaidecafobia”, que significa medo irracional ou aversão ao número treze. A condição o coloca em conflito direto com a namorada Kira (Madelaine Petsch), uma Swiftie obcecada pelo número treze.
A escolha de utilizar o número treze como um aspecto psicológico do personagem estabelece uma conexão entre a trama e a atmosfera de ameaça e mistério ligada ao número.
O episódio também marca o retorno da Miss Robichaux’s Academy for Exceptional Young Ladies, lar das bruxas do Coven, conectando a nova história ao universo apresentado anteriormente pela franquia. Cordelia Goode (Sarah Paulson), juntamente com Madison Montgomery (Emma Roberts), ensina Ophelia (Avantika) a controlar seus poderes. Durante uma ventania causada por uma tempestade, Cordelia sente um prenúncio de perdição e morte.
O retorno de figuras importantes do Coven é certamente nostálgico, mas também desperta a curiosidade sobre como essas histórias irão se conectar e manter a coerência.
Em um terceiro momento, somos apresentados ao Hotel Appollyon, onde mora o Sr. Nas (Fedor Steer), que está sob os cuidados de Constance Langdon (Jessica Lange) e Mr. Phibes (John Waters) e, agora, também de Ben, que se torna seu cuidador noturno.
O Sr. Nas já havia aparecido brevemente em uma cena agoniante, jorrando um líquido preto durante a noite, simultaneamente ao acidente aéreo envolvendo Ben. Sua aparência desconcertante e esse acontecimento estranho deixam claro que existe algo de sobrenatural envolvendo o personagem, enquanto a ligação de Constance com esses acontecimentos começa a levantar ainda mais perguntas.
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O segundo episódio é intitulado “1:13 AM” e possui duração de 32 minutos.
Neste episódio, acompanhamos Ben em sua rotina de cuidados com o Sr. Nas, enquanto novas anormalidades começam a despertar sua desconfiança e seu medo. O ambiente do apartamento também o leva a pesquisar sobre simbologias ligadas ao número treze, ao qual o local está fortemente relacionado, trazendo a sensação de uma certa “perseguição” do número ao protagonista.
Constance, por outro lado, tenta despistar Ben com justificativas para os comportamentos estranhos do Sr. Nas.
O episódio também apresenta uma pequena escola de palhaços, onde o clima leve é quebrado pela aparição de Twisty, o Palhaço (John Carroll Lynch), que realiza um ataque deixando treze mortos. O acontecimento parece seguir o mesmo padrão sobrenatural envolvendo o Sr. Nas, principalmente quando o personagem passa pelo mesmo momento agoniante às 1h13 da manhã.
É possível que o acidente aéreo do primeiro episódio e o massacre ocorrido na escola de palhaços tenham alguma ligação com o Sr. Nas e seu lado sobrenatural.
É, porém, na reunião promovida por Constance que acontece um dos primeiros grandes choques de universos da temporada. Personagens de diferentes histórias são colocados juntos, como Tate Langdon e Kai Anderson, ambos interpretados por Evan Peters, além de Winter Anderson (Billie Lourd) e Adalia Negra (Debbie Allen).
A origem da junção desses personagens permanece desconhecida, mas a cena parece funcionar como uma introdução aos acontecimentos que ainda estão por vir.
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O terceiro episódio, intitulado “Rauhnacht”, possui duração de 22 minutos.
Neste episódio, temos como tema central a chegada de Adalia ao apartamento. É apresentada, então, uma explicação sobre a festa de Constance: o Rauhnacht, período em que há uma proximidade entre o mundo dos vivos e dos mortos. Novamente, o treze é citado, pois é a décima terceira noite após o nascimento do menino Jesus.
Adalia conta como chegou àquele apartamento e revela que acordou em um cemitério cheio de névoa, sem se lembrar de nada. Kai afirma que o mesmo aconteceu com todos, reforçando a ideia de que a reunião dos personagens está ligada a algum tipo de evento desconhecido, mas certamente sombrio e sobrenatural.
A chegada de Ben interrompe a reunião, levando Constance a dopá-lo para impedir que descubra o que está acontecendo. Em seguida, os diálogos entre Constance e Tate deixam ainda mais evidente que existe um plano maior envolvendo os personagens, com menções a uma cerimônia, sacrifícios e ao próprio número treze.
Ao chegarem ao porão, temos a aparição de Wilhemina Venable (Sarah Paulson), que revela que aquele local é um portal para o inferno. A revelação aumenta ainda mais o mistério sobre o propósito daquela reunião e sobre o que Constance e os demais personagens estão planejando.
A duração curta dos episódios
Um dos aspectos que certamente foi consenso entre o público da série foi a curta minutagem dos episódios. Em comparação com outras temporadas, que geralmente apresentam episódios mais longos, com duração próxima ou superior a 40 minutos, a décima terceira temporada chama atenção pela duração reduzida.
Isso faz parecer que esses três episódios fossem, na verdade, um só, que precisou ser dividido em três, o que pode frustrar o espectador que aguardou tanto por essa temporada e agora se depara com uma narrativa apressada.
A volta dos personagens
Certamente, o sentimento de ver esses personagens de volta às telas é de pura nostalgia. Rever, depois de tantos anos, atores interpretando novamente personagens tão icônicos, com atuações que marcaram a série, é uma experiência incrível para quem acompanha American Horror Story.
Mas, além da nostalgia, surge uma preocupação maior: como esses personagens antigos irão se encaixar nessa nova história? A presença deles fará sentido para a narrativa ou serão apenas aparições pontuais, utilizadas para gerar expectativa e aproveitar o apelo que esses personagens ainda possuem com o público?
A temporada terá que provar que esses retornos vão além do simples fan service e que existe uma razão narrativa para trazer essas figuras de volta.
Gamerdito (Veredito) dos três primeiros episódios American Horror Story: 13
Esses três episódios iniciais causam um estranhamento pela forma como são construídos. Ryan apenas apresenta os personagens em cenas aparentemente desconexas e sem muitas explicações, construindo uma narrativa apressada e, por vezes, vaga.
Para quem acompanha a série pela primeira vez, essa construção pode ser difícil de compreender. No entanto, como alguém que já acompanhou temporadas anteriores, é possível pressupor que essa seja justamente a proposta inicial de Ryan: deixar o espectador confuso no começo para, ao longo da temporada, desmembrar pouco a pouco os acontecimentos, revelando o que levou esses personagens a estarem juntos e os mistérios por trás de cada um deles.
A única dúvida é se, com uma média de duração tão curta, esse esquema funcionará tão bem quanto nas outras temporadas.
Por enquanto, American Horror Story se preocupa mais com a criação de mistérios do que com respostas definitivas, o que não é algo necessariamente ruim para uma série que já está acostumada a construir suas histórias dessa maneira. O retorno de personagens conhecidos cria expectativa e estabelece uma forte conexão com o passado da franquia, mas também aumenta a responsabilidade de fazer com que essas aparições tenham relevância para a trama.
Os três primeiros episódios de AHS:13 deixam muitas perguntas em aberto e poucas respostas, e resta saber se os próximos capítulos conseguirão transformar essa confusão inicial em uma história coesa ou se a curta duração acabará limitando justamente a proposta da temporada de conectar diferentes histórias e personagens do universo de American Horror Story.
