Quando me deparei com Final Fantasy Resonance, tive a impressão de que estava diante de um novo jogo da franquia. Fui pesquisar um pouco mais sobre o título e descobri que ele é uma releitura de Final Fantasy Brave Exvius, mas com uma reconstrução que traz aquela sensação dos clássicos Final Fantasy IV e Final Fantasy VI. E isso é muito bom para quem é fã da franquia.
Particularmente, posso dizer que Final Fantasy é uma daquelas franquias que sempre me deixam disposto a jogar seus diferentes títulos. E Resonance conseguiu despertar novamente esse interesse pelos RPGs clássicos. Quem acredita que estamos diante de um jogo curto, já adianto que, somente para concluir o primeiro ato e conhecer melhor a história, levei entre seis e sete horas. Isso sem pular os diálogos, claro, mas considerando principalmente o tempo dedicado à ação e às batalhas.
Também sou o tipo de jogador que gosta de “farmar” um pouco para conseguir itens, acumular recursos e deixar os personagens mais fortes. Afinal, quem conhece Final Fantasy sabe que os chefes podem ser uma verdadeira caixinha de surpresas. Às vezes, basta caminhar pelo mapa para encontrar uma criatura com poderes mágicos capaz de acabar com o seu grupo em um único ataque, caso você não esteja preparado. Em Final Fantasy Resonance, não seria diferente.
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Uma história que resgata os RPGs clássicos
No jogo, acompanhamos Rain, comandante de um esquadrão de aeronaves, ao lado de seu irmão adotivo, Lasswell. Os dois têm personalidades bem diferentes. Lasswell é disciplinado, pensa antes de agir e procura proteger as pessoas ao seu redor sem se deixar levar pelos impulsos. Rain, por sua vez, tenta fazer o que considera certo, mas muitas vezes acaba se culpando por não ter tomado determinada atitude no momento em que deveria. Mesmo quando suas intenções são boas, ele precisa lidar com as consequências das próprias decisões. A personagem Fina também é integrante como outros.



É nesse conflito que começamos a conhecer melhor os personagens e o mundo ao redor deles. Depois do ataque liderado pelos Veritas e da destruição do Cristal da Terra, nossos protagonistas ficam diante de uma situação na qual pouco podem fazer. A jornada passa, então, pela tentativa de recuperar o equilíbrio do mundo e impedir que a ameaça avance sobre os cristais restantes.
Durante essa aventura, também encontramos as Visions, que trazem personagens lendários de outros mundos para dentro do jogo. Cloud e Sephiroth são alguns dos nomes que aparecem nessa jornada e ajudam nas batalhas. Eles não são controlados diretamente como Rain e Lasswell, e outros membros, mas podemos escolher quais guerreiros lendários queremos utilizar para auxiliar nosso grupo.
Essas participações são muito legais, principalmente para quem acompanha a franquia há bastante tempo. Aos poucos, também conseguimos reunir outros personagens, combinar atributos e montar uma equipe que se adapte aos desafios encontrados pelo caminho.
Combates, evolução e exploração
O menu segue uma estrutura que os fãs de Final Fantasy já conhecem. Temos as missões, os atributos dos personagens, os equipamentos e as opções para organizar o grupo. É preciso observar os pontos de vida (HP), os pontos de magia (MP) e as habilidades disponíveis para entender o que funciona melhor contra determinado chefe ou criatura.
Uma das coisas de que mais gostei foi a possibilidade de combinar os ataques com as Visions. Quando conseguimos encaixar esses golpes, as batalhas ficam muito mais interessantes. Alguns combos praticamente funcionam como um especial, reunindo vários ataques em sequência. É uma das partes mais legais do sistema de combate, principalmente quando conseguimos combinar as habilidades no momento certo.


O jogo também permite acelerar as batalhas. Isso ajuda bastante quando precisamos enfrentar inimigos que já conhecemos ou queremos avançar mais rapidamente por determinadas áreas. Ainda assim, não dá para simplesmente ignorar os combates, porque eles fazem parte da evolução dos personagens.
Logo, entra uma característica dos RPGs da Square Enix que pode agradar a alguns jogadores e incomodar outros: conforme avançamos, os inimigos também ficam mais fortes. É preciso acompanhar essa evolução, melhorar os equipamentos e prestar atenção aos atributos do grupo. Para mim, isso faz parte da graça de jogar um RPG desse estilo. Você não precisa vencer tudo de primeira, mas precisa entender como funciona o sistema de batalha e descobrir o que pode melhorar.
Também gosto de explorar os vilarejos, conversar com os moradores e conhecer um pouco mais do que está acontecendo naquele mundo. Essas visitas ajudam a entender melhor a história, além de permitirem que encontremos missões e itens importantes para a jornada.
As masmorras merecem atenção especial. Existem áreas com diferentes níveis de dificuldade, e o próprio jogo indica o nível recomendado antes de entrarmos. Se o seu grupo estiver muito abaixo do indicado, pode ter bastante trabalho pela frente. Ainda é possível superar esses desafios com habilidade, sabendo bloquear, defender e utilizar os comandos de batalha, mas vale a pena se preparar antes de entrar.

Outro detalhe que facilita a exploração é o chocobo. Podemos alugar um logo no início da aventura para percorrer os mapas com mais velocidade. Isso ajuda bastante nos deslocamentos, embora não elimine os combates que encontramos pelo caminho.
A evolução dos personagens também merece destaque. Gosto de conferir os atributos de cada integrante, escolher armas e armaduras e verificar quais equipamentos realmente fazem diferença. Mesmo que os personagens mantenham praticamente a mesma aparência durante boa parte da aventura, a progressão dos equipamentos e das habilidades continua sendo importante para enfrentar os desafios seguintes.
Além das missões principais, existem outras atividades que ajudam a conhecer melhor o universo do jogo. Podemos conversar com diferentes personagens, acompanhar diálogos entre os integrantes do grupo e descobrir mais detalhes sobre os acontecimentos. São esses pequenos momentos que tornam a jornada mais interessante e ajudam a dar personalidade à aventura.
Animações e trilha sonora são os grandes destaques
Apesar de apresentar gráficos em pixel art 2D, Final Fantasy Resonance consegue transmitir bastante personalidade por meio de suas animações. Mesmo sem apostar em cenas de computação gráfica grandiosas, o jogo encontra maneiras de valorizar seus personagens e tornar os combates mais interessantes.
E, leitores, preciso destacar como gostei das animações das Visions. Quando convocamos esses guerreiros para ajudar nas batalhas, eles entram em cena com ataques muito legais. É um cuidado que faz diferença, principalmente quando estamos utilizando personagens conhecidos da franquia. Ver esses golpes acontecendo durante o combate dá um charme especial ao jogo.
A própria introdução já chama a atenção. Ela traz aquela ação que encontramos em outros títulos da série, como Final Fantasy XVI, acompanhada de uma trilha sonora que ajuda a criar o clima da aventura. É uma abertura que consegue despertar aquela vontade de continuar jogando para descobrir o que vem pela frente.
Mas, se existe um elemento que realmente me conquistou, foi a música.
A trilha sonora de Final Fantasy Resonance é extraordinária. Para mim, está entre as melhores que já ouvi nos games. É bonita, tem harmonia e uma composição que permite perceber os diferentes instrumentos trabalhando juntos. Mesmo quando uma música se repete durante a exploração ou os combates, ela não se torna irritante. Pelo contrário, continua agradável de ouvir.
É um trabalho muito bem executado, e a Square Enix sabe como valorizar a música em seus jogos. Nesse título, isso fica evidente. A trilha acompanha a aventura, dá força às cenas e ajuda a criar aquela atmosfera que faz parte da identidade de Final Fantasy.
Não é apenas uma questão de nostalgia. A música funciona muito bem dentro do enredo do jogo e torna a experiência ainda mais agradável. É daquelas trilhas que dão vontade de procurar para ouvir novamente mesmo depois de terminar uma sessão de jogo.
Sua trilha sonora oficial será lançada em 28 de outubro de 2026, em uma coleção com quatro CDs e 120 faixas, incluindo 33 músicas adicionais em relação às presentes em Final Fantasy Brave Exvius. A coletânea estará disponível para compra na loja oficial da Square Enix e corresponde à mesma versão incluída na edição de colecionador do jogo. Provavelmente, a trilha sonora também será disponibilizada em plataformas digitais de música, como Spotify e Apple Music. Na seção de trilhas sonoras de jogos do site, incluiremos todas as faixas assim que estiverem disponíveis. Fique ciente que as canções são assinadas pelo músico e compositor Noriyasu Agematsu.

Uma aventura que rende dezenas de horas
Os diálogos também funcionam bem para contar a história e apresentar os conflitos dos personagens. Mesmo que você não domine o inglês, é possível compreender boa parte do que está acontecendo pelo contexto das cenas, pelas expressões dos personagens e pela maneira como eles reagem aos acontecimentos.
Conforme avançamos, conhecemos novos integrantes do elenco, entendemos melhor os objetivos da jornada e descobrimos por que precisamos seguir determinado caminho. As conversas com os moradores e as missões secundárias ajudam a completar esse entendimento, sem depender apenas dos acontecimentos principais. Um adendo para a Square Enix: compreendo que alguns jogos da empresa possuem um público mais específico. Contudo, todavia, entretanto, minha querida desenvolvedora dos míticos RPGs, por gentileza, tente localizar seus jogos para o português do Brasil, mesmo aqueles mais nichados. Isso ajuda demais os novos jogadores que se interessam pela saga.
E não pense que você vai terminar tudo rapidamente. Já vi jogadores mencionarem uma duração de aproximadamente 40 horas, mas, para mim, esse tempo é até pouco. Como gosto de evoluir os personagens, melhorar os equipamentos e enfrentar os inimigos que aparecem pelo mapa, consigo entender por que a aventura pode render tantas horas chegando em umas 60 horas.
Mesmo assim, como sou aquele jogador que precisa vasculhar cada canto em busca de todos os itens escondidos. Gosto de explorar, mas também quero continuar avançando na história. Com o chocobo disponível desde o início, pelo menos os deslocamentos ficam mais rápidos, e podemos dedicar mais tempo às batalhas e às missões.

O interessante é que o jogo consegue manter esse ritmo de exploração e evolução sem perder de vista a história. Estamos sempre encontrando novos lugares, passando por masmorras, castelos e desertos, além de conhecer outros personagens e compreender melhor o mundo de Lapis.
Para quem gosta de RPGs, essa combinação funciona muito bem. Temos uma aventura que exige atenção aos combates, mas que também recompensa quem dedica tempo para conhecer seus personagens e melhorar o próprio grupo.
Vale a pena jogar Final Fantasy Resonance?
Final Fantasy Resonance é um jogo que merece um olhar especial. Ele resgata elementos que fizeram parte dos RPGs clássicos da franquia e consegue apresentar essa estrutura de uma maneira que também pode atrair quem está chegando agora.
Se você nunca jogou um título desse estilo, esta pode ser uma boa oportunidade para conhecer um pouco do que tornou Final Fantasy uma franquia tão amada. A história, os personagens, as batalhas e a trilha sonora formam um conjunto que funciona muito bem, principalmente para quem sente falta daquela estética em pixel art dos jogos antigos.
Os jogadores veteranos que já acompanha a série há anos, a presença de personagens lendários de outros títulos também torna a aventura mais interessante. Encontrar nomes como Cloud e Sephiroth, além de poder utilizá-los nas batalhas por meio das Visions, traz momentos que os fãs certamente vão reconhecer.

Na minha visão, Final Fantasy Resonance é uma releitura muito interessante de Final Fantasy Brave Exvius. Ele não depende apenas da participação de personagens conhecidos para se sustentar. A história tem seus próprios conflitos, os protagonistas possuem personalidades distintas e a aventura consegue seguir seu caminho sem precisar recorrer a outros jogos a todo momento.
Isso não significa que a presença desses personagens não seja importante. Pelo contrário, eles acrescentam momentos especiais à jornada. Mas o jogo também tem qualidades próprias, principalmente no desenvolvimento da história, na estrutura dos combates e na trilha sonora.
Graficamente, a escolha pela pixel art exibe essa ligação com os primórdios da franquia. É uma direção que combina com a trama e ajuda a criar uma identidade própria. Especialmente quando pensamos nos títulos mais recentes, como Final Fantasy XVI, que seguem uma abordagem visual diferente.
Acredito que alguns pontos negativos sejam os pontos cegos causados pela posição da câmera e a exigência de uma configuração mais robusta, mesmo para um jogo em pixel art. Isso pode afastar alguns jogadores que não possuem setups mais modernos. É, queridos, talvez vocês tenham que jogar com as configurações no baixo para conseguir rodar o jogo. Entretanto, nada disso chega a comprometer a imersão nesta aventura.
Se você é fã de longa data ou começou a acompanhar a franquia há pouco tempo, recomendo dar uma chance ao jogo. A aventura tem um enredo agradável, personagens carismáticos, combates que exigem atenção e uma trilha sonora que merece ser ouvida com calma.
E faço questão de reforçar esse último ponto: se você gostar das músicas, vale a pena procurar a trilha sonora para ouvir fora do jogo. Vou deixar também o link para a página da trilha sonora na nossa página de jogos do MeUGamer, para quem quiser conhecer melhor esse trabalho.
Final Fantasy Resonance chega em 22 de outubro de 2026 para PlayStation, Xbox, Nintendo Switch e PC. Reafirmo, é uma releitura que vale a pena conhecer, seja pela nostalgia, seja pela oportunidade de descobrir uma aventura inspirada nos RPGs clássicos.

Gamerdito (veredito)
Se eu tivesse que dar uma nota para review de Final Fantasy Resonance, ficaria com 8,5 de 10. Por não ser uma história inteiramente inédita, mas uma releitura de Final Fantasy Brave Exvius, considero que ele consegue aprimorar essa experiência e apresentá-la de uma maneira que funciona muito bem para o público atual.
O jogo original já tinha sua própria trama e seus personagens, e Resonance consegue aproveitar essa base sem depender exclusivamente das referências a outras franquias. As aparições dos guerreiros lendários são um complemento interessante, mas o que realmente sustenta a aventura é o conjunto formado pela história, pelos combates e pela música.
Por fim, enfim, o jogo está disponível nas plataformas de Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PC via Steam, Playstation 5 e Xbox Series X|S desde 22 de outubro de 2026.
Agradeço à Square Enix Latam pela disponibilização da chave que tornou esta análise possível. O recebimento da chave não influenciou minha avaliação nem a nota final.
Se você ainda não jogou, minha recomendação é dar uma chance a Final Fantasy Resonance. É uma aventura que resgata parte da essência dos RPGs clássicos e mostra por que esse estilo continua conquistando jogadores até hoje.
