The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é um jogo que todo mundo que gosta de títulos inspirados nos clássicos deveria experimentar pelo menos uma vez. Desenvolvido pela Square Enix em parceria com a Claytechworks, o título nasce da mesma linha criativa por trás de Octopath Traveler e Bravely Default, mas sem tentar copiar nenhuma dessas franquias.
Nesta review, você confere:
O mais interessante é justamente isso, ele não tenta reinventar o estilo, nem ser algo completamente diferente. Em vez disso, entrega o básico muito bem feito, permitindo que até jogadores sem muita experiência em RPGs de ação consigam embarcar facilmente na jornada do aventureiro Elliot.
Uma aventura clássica, mas com identidade própria
Durante a campanha, acompanhamos Elliot e sua companheira, a fada Faie, em uma aventura que atravessa diferentes períodos da história para tentar salvar a princesa Heuria, vítima de uma maldição. A premissa é simples, mas funciona muito bem dentro do enredo do jogo.

O que mais me chamou atenção foram os personagens. Eles possuem personalidades bastante distintas, diálogos divertidos e conseguem criar momentos realmente engraçados. Fazia bastante tempo que eu não ria durante diálogos em um RPG com essa proposta mais clássica.
Elliot também acaba se tornando um protagonista bastante carismático. Ele é praticamente um aventureiro lendário, reconhecido por onde passa, e sua personalidade lembra aquele arquétipo clássico do herói bondoso e corajoso. Logo no início da aventura, ele sofre uma perda importante, ao ver seu melhor amigo sucumbir, embora eu tenha sentido que essa parte poderia ter sido trabalhada de forma mais impactante.
Gameplay simples, acessível e viciante
A jogabilidade é bastante objetiva para os padrões atuais. Você explora cenários, enfrenta inimigos, encontra equipamentos e melhora suas habilidades gradualmente. Não existe uma complexidade exagerada ou dezenas de sistemas que podem assustar novos jogadores.

A Faie acompanha Elliot durante praticamente toda a jornada. Ela auxilia em puzzles, combate e exploração, embora eu precise admitir que, em alguns momentos, ela fala até demais. Particularmente, houve situações em que a voz dela acabou me incomodando um pouco.
O sistema de combate funciona muito bem porque recompensa a paciência. Alguns chefes parecem extremamente difíceis no primeiro encontro, mas, quando você entende suas mecânicas, tudo passa a fazer mais sentido. O jogo ainda oferece um sistema interessante de continuação durante as batalhas contra chefes, permitindo gastar recursos para continuar do ponto onde havia parado, evitando a frustração de recomeçar tudo.
Por outro lado, existe um detalhe importante: salvar constantemente é essencial. Eu mesmo avancei durante várias horas sem salvar e, após ser derrotado, precisei repetir aproximadamente três horas de progresso.
Cenários variados e personagens memoráveis
Uma das maiores qualidades do jogo está na variedade de cenários. Durante a aventura, passamos por desertos, regiões congeladas, florestas, ruínas abandonadas e áreas vulcânicas. Cada ambiente possui sua própria identidade visual e consegue transmitir a sensação de estar explorando um mundo realmente vivo.

Os personagens secundários também ajudam bastante nessa construção. Muitos deles são caricatos na medida certa e possuem personalidades facilmente reconhecíveis, fazendo com que seja simples lembrar quem é quem ao longo da jornada.
Além disso, a narrativa trabalha elementos clássicos das histórias de fantasia, incluindo traições, conspirações políticas e disputas dentro da família real. Não chega a ser algo revolucionário, mas funciona muito bem dentro da proposta. Como estamos falando de um jogo de RPG, você terá uma boa base de diálogo que explicará o momento que estamos explorando na lore do título. Então, nada de pular os diálogos para compreender o que está ocorrendo na trama.
Graficamente é um jogo interessante, possui um trabalho instigante dos personagens. Alguns elementos há um vislumbre e outros poderiam ser mais trabalhados. A verdade, que essa profundidade fica ao critério de quem joga. Particularmente, gostei dos gráficos há cenários belíssimos de pano de fundo que brilham nossos olhos. Outros, como citei deveria ter um detalhe mais caracterizado, mas sairia da proposta do estilo mais arte pixel.
Nem tudo é perfeito
Apesar de gostar bastante da experiência, encontrei alguns problemas técnicos e de design.

Em determinados cenários, a câmera não fica posicionada da melhor forma, dificultando visualizar certos itens ou passagens. Também notei situações em que inimigos conseguem atingir Elliot mesmo estando em níveis diferentes do cenário, atravessando parte da geometria do ambiente.
São problemas que já estavam presentes na demonstração e acabaram permanecendo na versão final. Felizmente, eles não comprometem completamente a experiência, mas podem gerar alguns momentos de frustração. Principalmente, se você estiver com sua vida quase acabando e tenta buscar uma proteção para não ser atingido. Embora, até é fácil conseguir eliminar os personagens mesmo quando são muitos sabendo utilizar estratégia de combate.
Trilha sonora competente e fiel ao tema
A trilha sonora faz exatamente aquilo que um RPG clássico precisa fazer, acompanha perfeitamente cada situação. Existem músicas mais calmas, temas de exploração e composições voltadas para batalhas e chefes.
Não diria que é uma das melhores trilhas que já ouvi no gênero, mas ela cumpre muito bem sua função e ajuda bastante na construção da atmosfera. Trazendo uma imersão agradável de se ouvir e ao utilizar fones de ouvido, nos coloca em um mundo da ação frenética.

Vale a pena jogar The Adventures of Elliot: The Millennium Tales?
Sim, vale muito a pena.
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales consegue capturar a essência dos RPGs clássicos sem simplesmente copiar outros jogos. É possível encontrar inspirações em franquias como Octopath Traveler, Dragon Quest, Secret of Mana, Legend of Mana e até alguns elementos da série Zelda, mas o jogo consegue construir sua própria identidade.
A campanha pode durar entre 8 e 10 horas, dependendo do seu ritmo de exploração, e entrega personagens carismáticos, chefes interessantes, diálogos divertidos e uma aventura extremamente agradável de acompanhar.
Se você gosta de RPGs clássicos com visual HD-2D, exploração, masmorras, personagens marcantes e uma jogabilidade acessível, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é facilmente uma das experiências mais recomendáveis do gênero em 2026.
Uma aventura que respeita a essência dos RPGs clássicos enquanto constrói sua própria identidade. Por isso, encerro esta review com a nota 8/10. Por fim, o jogo está disponível desde o dia 18 de junho de 2026, nas plataformas de Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PC via Steam e Playstation 5.
