Quando eu era criança, Star Fox 64 no Nintendo 64 era aquele jogo que eu não conseguia largar. A Arwing cortando o espaço, o Fox McCloud na cabine, aquela voz icônica do Peppy gritando “Do a barrel roll!” — fez parte da minha infância de um jeito que poucos jogos conseguiram. Anos depois, tive o gostinho de revisitar o universo com Star Fox Zero no Wii U, que trouxe novidades mas deixou os jogadores na dúvida sobre o futuro da franquia.
E então o Nintendo Switch 2 chegou trazendo uma nova imersão ao céu profundo da franquia da raposa.
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Como muitos já sabem, o personagem fez uma participação especial na animação Super Mario Bros. O Filme, criando uma ponte interessante com o legado da franquia Star Fox. O lançamento deste remake também chega em um momento oportuno, aproximando uma nova geração que talvez nunca tenha ouvido falar da raposa do espaço.
Aliás, o MeUGamer publicou uma matéria exclusiva mostrando como essa participação no filme, somada ao lançamento do jogo, pode despertar o interesse de empresas brasileiras em licenciar produtos relacionados aos personagens da franquia.
Então, estarei adicionando minha visão para esta jornada que adentraremos na nave, aperte o cinto e participe da história de Fox McCloud e sua equipe mercenária prontos para “Let’s rock and roll!”. Seja você um veterano que cresceu na era 64, ou alguém que nunca tocou num Star Fox na vida, essa matéria lhe colocará nos caminhos do espaço. Esta review reúne experiências próprias com o objetivo de ajudar quem ainda tem dúvidas sobre o jogo e decidir se vale a pena reservar um tempo para jogar este título.

A história que você (talvez) já conheça — mas nunca viveu assim
O Sistema Lylat está em perigo. O cientista Dr. Andross, exilado e obcecado por vingança, lançou seu exército sobre os planetas da galáxia. A única esperança é a equipe Star Fox — um grupo de mercenários liderado pelo jovem Fox McCloud, acompanhado pelos seus inseparáveis: o atirador nato Falco Lombardi, o engenheiro Slippy Toad e o veterano estrategista Peppy Hare.
Parece simples. Mas há segredos nessa história que o original de 1997 nunca teve espaço para contar — e esse remake os conta.
Para o jogador novo, tudo que você precisa saber é que essa é uma aventura espacial cheia de ação, personalidade e aquele gostinho de blockbuster de Hollywood que a Nintendo captura como ninguém. Portanto, não precisa de nenhuma experiência anterior para se apaixonar por esses personagens.
Para o veterano: sim, a história que você conhece está aqui. Mas tem uma cena logo no começo do jogo — algo que nunca existiu em nenhuma versão anterior — que vai te dar aquela sensação de “finalmente”. Podem ter passado quase 30 anos. A resposta valeu a espera.
Além disso, novos momentos narrativos entre as fases dão profundidade inédita a personagens que você já ama. E o final? Vai depender de você. Mais do que isso eu não conto. O lendário Landmaster está presente em missões terrestre que ficaram eternizadas em jogos passados, mas que jamais ficaria de fora nesse remake.
Será que mudou? O que é novo para quem já jogou?
Essa é a pergunta que todo fã antigo faz — e eu sei porque eu mesma fiz.
A estrutura das fases é a mesma que marcou esta saga: rotas ramificadas, múltiplos caminhos, decisões dentro das missões que mudam para onde você vai a seguir. Sua memória afetiva e nostálgica funcionará. Logo, reconhecerá os momentos marcantes, os inimigos, os chefes e aquela paisagem icônica dos planetas.
Mas o jogo acrescenta detalhes que tornam tudo mais rico. O Modo Desafio coloca objetivos novos dentro de cada fase — missões dentro das missões que vão te fazer revisitar cada planeta com olhos completamente diferentes. E tem algo nos controles que usa o hardware do Switch 2 de um jeito que eu genuinamente não esperava. Quando perceber, compreenderá por que pausei, respirei fundo e joguei a fase inteira de novo só para aproveitar melhor.

Tem novidades. Tem surpresas. E tem conteúdo de sobra para quem quer ir além da campanha principal.
Gráficos: o Switch 2 mostrando do que é capaz
Chegou o tópico ao qual precisei analisar com cautela, porque é difícil fazer justiça em texto.
A Velan Studios reconstruiu cada canto do Sistema Lylat do zero. Cada planeta tem textura, atmosfera e personalidade próprias — do caos urbano em chamas de Corneria ao gelo que gruda na câmera em Fichina e derrete em água. Em Solar, as chamas do sol iluminam a barriga da Arwing em tempo real de um jeito tão bonito que eu fiquei parada por segundos só olhando.
Os personagens ganharam texturas completamente novas, mais detalhadas e expressivas do que qualquer versão anterior. O Fox McCloud de 2026 tem pelo, tem profundidade, tem uma presença que o hardware do N64 jamais poderia ter entregado. O mesmo vale para cada membro da equipe e cada vilão que encontramos pelo caminho.
O resultado é uma imersão diferente de tudo que a franquia já teve: mais misteriosa, mais desafiante visualmente e muito mais divertida de explorar. É aquela sensação de “era assim que eu imaginava que fosse” quando jogava no 64 e deixava minha imaginação completar o que os pixels não conseguiam mostrar.
HUD e menu: impecáveis — e com um segredo no canto da tela
A interface do jogo é pensada de modo que agrade aos usuários e explicarei a seguir.
Os rostos dos seus aliados aparecem na HUD durante as fases — Falco, Slippy e Peppy têm seus retratos exibidos em tempo real, e eles reagem ao que está acontecendo na missão. Quando um deles está em perigo, observamos suas reações, no canto da tela, antes mesmo de ele gritar pedindo ajuda. É um detalhe pequeno que muda completamente a forma como você se conecta com a equipe. Apesar das reações dos personagens não ser uma novidade dentro da franquia, mas esta abordagem, sim.
O menu principal ganhou novidades que valem ser exploradas com calma. Tem um recurso específico que expande o universo da franquia de um jeito que os fãs mais antigos vão adorar descobrir — e que funciona igualmente bem para quem está chegando agora. Não vou entregar com spoiler: se trata de um presente que o jogo guarda para você.
E tem uma coisa que recomendo: se possui uma câmera do Nintendo Switch 2, utilize. O jogo tem uma função com o GameChat que coloca o seu rosto dentro do cockpit da Arwing de um jeito que captura suas expressões faciais. Deixando alguns momentos cômicos lhe fará rir, se emocionar e provavelmente gritar “DO A BARREL ROLL!” com mais convicção do que nunca. Fique de olho no canto superior esquerdo da tela — para entender quando ocorrer.

Uma trilha que não sai da cabeça
A trilha sonora de Star Fox 64 é praticamente intocável. Aqueles temas que ficamos “tarararara” no chuveiro em 2026? Estão todos presentes, regravados com orquestra completa de um jeito intenso.
Não é só “mais do mesmo nas músicas”. São arranjos novos, épicos, aproveitando o melhor da tecnologia sonora atual. Tem um tema específico que toca em um momento muito importante da história. Quando ouvir, vai parar de respirar por alguns segundos.
Se é para comentar sobre novidades, a Nintendo de fato está olhando para o público brasileiro. A dublagem é uma das grandes novidades e traz de volta falas clássicas na hora certa, do jeito certo. Além disso, ouvir McCloud e sua equipe em português do Brasil é simplesmente sensacional.
Os jogadores que, durante anos, recorreram a dicionários para compreender toda a trama agora contam com legendas, interface e dublagem em nosso idioma. É impagável ver o respeito da “Big N” pelos fãs brasileiros que acompanham essa saga desde os anos 1990.
Por que você deveria jogar Star Fox no Switch 2?
Porque Star Fox no Switch 2 entrega possibilidades para uma geração que nunca teve a oportunidade de conhecer esse universo pela primeira vez. É um remake que respeita o passado sem ficar preso a ele, oferecendo nostalgia para quem cresceu com a franquia e, ao mesmo tempo, abrindo as portas para que novos jogadores descubram o legado de Fox McCloud.

A campanha é intensa, rápida e repleta de caminhos que dificilmente serão vistos na primeira jogada. Ou seja, adicione um fator replay para embarcar novamente nesta aventura de ficção espacial pelo céu profundo. O multiplayer online de 4 contra 4 garante horas de confrontos. Já o Modo Desafio coloca à prova todas as habilidades adquiridas ao longo da campanha. E há segredos que merecem ser descobertos por conta própria — aqueles que nenhuma análise deveria revelar.
O Arwing está pronto. O Sistema Lylat precisa de novos pilotos. Aos interessados, o jogo está disponível para compra na Nintendo eShop desde 25 de junho de 2026, exclusivamente para os usuários do Nintendo Switch 2.
Nota: 8,5/10.
