Existem poucos sentimentos tão intensos e contraditórios quanto o primeiro amor. É uma fase marcada por descobertas, inseguranças, expectativas irreais e uma constante sensação de vulnerabilidade. Quando esse amor surge em um contexto onde a própria identidade ainda está sendo compreendida, tudo se torna ainda mais complexo. É justamente nesse território delicado que Go For It, Nakamura-kun!! encontra sua força. Entenda sobre o que achamos nessa crítica da primeira temporada do anime.
Baseado no mangá de Syundei, o anime acompanha a trajetória de Okuto Nakamura, um estudante extremamente tímido que se apaixona por seu colega de classe, Hirose. O que poderia ser apenas mais uma comédia romântica escolar rapidamente se revela uma história muito mais sensível sobre autodescoberta, aceitação e os medos que acompanham qualquer tentativa de se aproximar da pessoa amada.
Ao longo de sua primeira temporada, a série alterna momentos de humor constrangedor, situações absurdamente divertidas e cenas emocionalmente honestas, criando um retrato bastante fiel da confusão emocional que define a adolescência.

Quando o romance nasce da insegurança
Diferentemente de muitas histórias do gênero, Go For It, Nakamura-kun!! entende que o maior conflito de seu protagonista não é conquistar alguém, mas encontrar coragem para existir diante dos próprios sentimentos. Nakamura não teme apenas uma possível rejeição amorosa. O que está em jogo é algo muito mais profundo: o receio de não ser aceito por quem realmente é.
Essa camada emocional transforma situações aparentemente simples em desafios gigantescos. Cada conversa, cada tentativa de aproximação e cada encontro casual carregam uma tensão genuína, porque o anime faz questão de mostrar como pequenos momentos podem parecer enormes quando vistos pelos olhos de um adolescente apaixonado. O resultado é uma narrativa que, mesmo exagerando em alguns momentos para fins cômicos, nunca perde sua humanidade.
Uma temporada marcada por turbulências
Apesar dos méritos, a primeira metade da temporada apresenta problemas evidentes de estrutura. A produção foi cercada por debates tanto dentro quanto fora das telas. Desde discussões envolvendo a adaptação de determinados elementos do mangá até mudanças na versão brasileira, parte do público percebeu que algumas decisões criativas acabaram afetando o ritmo da narrativa. Essa sensação se reflete na própria construção dos episódios iniciais.
Algumas tramas surgem com potencial interessante e desaparecem sem grande desenvolvimento, enquanto determinados conflitos parecem perder relevância antes de alcançarem uma conclusão satisfatória. Em vários momentos, o anime transmite a impressão de estar ajustando sua direção narrativa enquanto ainda está em movimento. O resultado é uma temporada que demora para encontrar sua identidade definitiva. Felizmente, quando isso acontece, a série cresce de forma significativa.

O mundo não gira apenas em torno de Hirose
Um dos maiores acertos da adaptação é entender que Nakamura não pode existir apenas como um garoto apaixonado. Embora o romance seja o eixo principal da história, o anime investe tempo na construção de seus personagens secundários e na dinâmica escolar como um todo. Isso faz com que o ambiente pareça vivo e habitado por pessoas que possuem suas próprias motivações, dramas e sonhos.
Personagens como Kota Takeuchi, Yuuka Hamaoka, Tsukasa Omori e Reiko Aokiyama não funcionam apenas como alívio cômico ou suporte narrativo. Eles ajudam a criar um contexto social que enriquece a jornada do protagonista e torna a escola um espaço genuinamente interessante de acompanhar.
O próprio Nakamura também recebe atenção além de sua paixão por Hirose. Seus hobbies, suas inseguranças pessoais, sua relação familiar e suas peculiaridades ajudam a transformá-lo em um personagem mais completo e humano. Essa construção é fundamental para que o público se conecte emocionalmente com ele.
Quando a série encontra sua melhor versão
Se a primeira metade da temporada oscila, os episódios finais demonstram exatamente o potencial que a obra possui. Sem entrar em spoilers, o penúltimo capítulo entrega o momento mais impactante de toda a narrativa. É quando Nakamura se vê obrigado a confrontar sentimentos que vinha evitando durante toda a temporada.
A direção abandona momentaneamente o tom leve da série para investir em uma abordagem mais introspectiva. A mudança na trilha sonora, na fotografia e no ritmo da narrativa reforça a dor emocional do protagonista de forma extremamente eficaz. É um episódio que acerta porque evita melodrama exagerado.
A tristeza de Nakamura não é apresentada como uma tragédia grandiosa, mas como algo muito mais familiar: a sensação de perceber que crescer também significa lidar com frustrações inevitáveis. Poucas obras recentes conseguiram retratar esse sentimento com tanta honestidade.

Gamerdito: Vale a pena assistir Go For It, Nakamura-kun!! (1ª temporada)?
Mesmo com problemas narrativos, mudanças de direção perceptíveis ao longo da temporada e alguns momentos que parecem menos desenvolvidos do que deveriam, Go For It, Nakamura-kun!! encontra força justamente onde mais importa: em seus personagens.
O anime entende a complexidade emocional da adolescência e transforma experiências universais, insegurança, paixão, rejeição e amadurecimento, em uma história genuinamente cativante.
Quando acerta, entrega alguns dos momentos mais sinceros e emocionantes entre os romances escolares dos últimos anos.
A primeira temporada termina deixando espaço para uma continuação, mas também oferece uma conclusão suficientemente satisfatória para a jornada emocional de Nakamura. E talvez esse seja seu maior mérito: mostrar que crescer não significa encontrar todas as respostas, mas aprender a seguir em frente mesmo sem elas.
O anime está disponível na Crunchyroll, com as opções dublada e legendada. Já o mangá original foi publicado no país pela Editora NewPOP.
