Cannes 2018: principais destaques e vencedores do festival

Festival foi marcado por protestos e quem levou a Palma de Ouro foi o cineasta Hirokazy Kore-eda por seu filme Shoplifters

 

Criado em 1946, o Festival Internacional de Cannes é considerado um dos mais importantes festivais de cinema do mundo. Sua 71o edição ocorreu neste mês de maio e teve seu fim neste sábado (19): foram ao todo 12 dias de festival.

Devido ao seu grande prestígio, muitos artistas que estavam lá aproveitaram a visibilidade do festival para protestarem em favor de causas importantes. Saiba mais:

 

Protestos e denúncias:

 

A presidente do júri, Cate Blanchett, liderou uma marcha com 82 mulheres na famosa escadaria de Cannes. A intenção era exigir a igualdade de gênero na indústria, algo que, aos poucos, tem melhorado. Aliás, fazia 4 anos que uma mulher não era escolhida para ser presidente do júri. Este ano, além da Blanchett ser escolhida, o júri foi predominantemente feminino e incluiu artistas como Kristen Stewart e Léa Seydoux.

O número de mulheres protestando foi proposital: segundo Cate Blanchett, em 71 anos de festival, apenas 82 filmes dirigidos por mulheres concorreram a algum prêmio enquanto 1.645 produções de homens tiveram a mesma chance. Além da explicação, Blanchett também fez o seguinte discurso:

“Mulheres não são minoria no mundo, ainda assim, o estado atual da nossa indústria nos diz o contrário. Esperamos que os nossos governos garantam que a leis de equiparidade de pagamento para trabalhos equivalentes sejam aplicadas. Exigimos que nosso ambiente de trabalho seja diverso e equilibrado, para melhor refletir o mundo em que vivemos. Um mundo que nos permita, tanto à frente como por trás das câmeras, a todas nós, a prosperar ombro a ombro com nossos colegas homens”.

Além disso, quatro dias após o protesto liderado por Blanchett, 16 atrizes negras protestaram em nome do racismo ainda fortemente presente na indústria. Ainda é muito difícil para as atrizes negras conseguirem papéis de destaque nos filmes, como as artistas ressaltaram no protesto. Com roupas de Oliver Rousteing (estilista negro que vem ganhando cada vez mais prestígio no mundo da moda), as atrizes mostraram que, apesar do avanço de Cannes por ter aumentado o número de participação de pessoas negras nos filmes, ainda tem muito avanço que deve ser feito.

E os protestos não pararam por aí. Tivemos também outros protestos contra o racismo, como foi o caso das protagonistas do filme Rafiki apresentado no festival; além de discursos impactantes, como o da Asia Argento que subiu ao palco antes do anúncio do prêmio de melhor atriz e falou sobre o estupro que ela sofreu ali mesmo, anos atrás, no festival de Cannes. Em seu discurso, Argento ainda falou sobre o estuprador: “Em 1997 eu fui estuprada por Harvey Weinsten aqui em Cannes. Eu tinha 21 anos de idade. Este festival era sua área de caça.” E, ainda, apontou sobre outras ameaças da indústria: “E mesmo nesta noite, sentados entre vocês, estão aqueles que ainda precisam ser responsabilizados por suas condutas contra mulheres, por comportamentos que não pertencem a esta indústria. Vocês sabem quem são. Mas ainda mais importante, nós sabemos quem vocês são. E não deixaremos vocês saírem impunes por muito tempo”.

 

Primeiro, segundo e terceiro lugar:

 

Em relação aos prêmios, quem levou a famosa Palma de Ouro (prêmio máximo do festival, uma espécie de “primeiro lugar”) foi o filme Shoplifters, drama japonês dirigido por Hirokazu Kore-eda. Shoplifters conta a história de uma família pobre que rouba itens de lojas e supermercados. Apesar de já terem filhos, o casal acaba acolhendo uma menina que sofria maus-tratos de seus pais biológicos. O filme retrata e traz discussões sobre pobreza e família.

Em segundo lugar, ganhando o grande prêmio do júri, ficou BlacKkKlansman. O filme, dirigido por Spike Lee, é uma “comédia sobre o ódio”. Com tons cômicos, o diretor critica e denúncia questões como o racismo. BlacKkKlansman conta a história real de Ron Stallworth, policial negro que conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan (junção de três movimentos distintos e extremistas que defendem correntes como a supremacia branca).

Em terceiro lugar, com o prêmio do júri, ficou Capharnaum, dirigido por Nadine Labaki. O filme é um drama sobre um garoto pobre que, depois de ter movido um processo contra seus pais e abandonado a família, luta para conseguir viver nas ruas. Lembrando que se o filme ficasse em primeiro lugar, Labaki seria somente a segunda mulher na história de Cannes a ganhar a Palma de Ouro (a primeira foi Jane Campion com o filme O Piano). Apesar de ter sido o filme favorito dos críticos para levar o prêmio principal, a diretora acabou ficando em terceiro lugar – o que já é um avanço, considerando que apenas 3 mulheres este ano competiram entre os 21 diretores selecionados para a lista principal.

No caso do Brasil, nenhum filme entrou para a competição oficial, mas algumas coproduções foram devidamente reconhecidas com prêmios em outras seções paralelas. Os três filmes que têm o Brasil como um dos coprodutores e que levaram prêmios foram Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos, Diamantino e O Órfão.

 

Lista dos principais vencedores do Festival de Cannes:

 

Palma de Ouro: Hirokazu Kore-eda (Shoplifters)

Palma de Ouro Especial: Jean-Luc Godard (The Image Book)

Grande Prêmio do Júri: BlacKkKlansman (Spike Lee)

Prêmio Especial do Júri: Capharnaum (Nadine Labaki)

Melhor direção: Pawel Pawlikowski (Cold War)

Melhor roteiro: Alice Rohrwacher (Lazzaro Felice) empatado com Nader Saeivar e Jafar Panahi (3 Faces)

Melhor atriz: Samal Yeslyamova (Ayka)

Melhor ator: Marcello Fonte (Dogman)

Câmara de Ouro: Girl (Lukas Dhont)

Documentário: Samouni Road (Stefano Savona)

Palma de Ouro para curta-metragem: All These Creatures (Charles Williams)

Menção honrosa para curta-metragem: On the Border (Wei Shujun)

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