Crítica | 50 São os Novos 30

Bem-humorado, filme francês mostra que nunca é tarde para amar

 

50 São os Novos 30 surge como uma alternativa às grandes comédias românticas atuais, pois escolhe explorar o amor e a inocência de pessoas mais velhas – algo que ainda não tem muito destaque quando se trata do mundo audiovisual.

O filme conta a história de Marie-Francine (Valérie Lemercier), uma mulher de 50 anos que é abandonada pelo marido (pois ele se apaixona por uma mulher muito mais jovem) e despedida de seu emprego. Sem grandes alternativas, ela volta a morar com seus pais e, neste cenário inconsolável, acaba se apaixonando por Miguel (Patrick Timsit) – um homem que, mesmo sem revelar, está na mesma situação que ela.

O trabalho de Valérie Lemercier aqui é, sem sombra de dúvidas, admirável. Além de interpretar brilhantemente a personagem Marie-Francine, Lemercier produziu o roteiro do filme (ao lado de Sabine Haudepin) e também foi a responsável pela direção. Apesar de seu ótimo desempenho como atriz e como roteirista, aqui seu maior destaque foi a direção – 50 São os Novos 30 é um filme que, acima de tudo, sabe ilustrar assuntos corriqueiros e identificáveis (desde fracassos e inseguranças até começar a amar de novo, mesmo “não tendo mais idade para isso”) de forma muito bem-humorada e em um ritmo leve e dinâmico. Para isso, Valérie Lemercier escolheu utilizar uma quantidade exagerada de elipses, mas que acabou funcionando muito bem para a fluidez e a leveza do filme.

Além disso, o roteiro também é trabalhado de forma bem divertida. Ele não é brilhante, tampouco memorável: A história não traz elementos que atribuem nenhum tipo de genialidade ao filme, os diálogos não têm força e as ações e reviravoltas também não. Apesar disso, o roteiro de 50 São os Novos 30 possui alguns charmes indispensáveis para a construção da narrativa – charmes que são amarrados por simbolismos, críticas e pela trilha sonora (um dos pontos mais altos do filme).

 

 

As músicas de 50 São os Novos 30 são bem divertidas e se encaixam perfeitamente no filme. A presença da trilha sonora é tão bem colocada que ela vira quase um personagem. Este “personagem” amarra as elipses e transforma a obra em algo mais teatral e dramático – sempre de forma bem-humorada. As músicas são vibrantes e alegres, uma ótima escolha de ferramenta para dar vida ao filme e deixá-lo mais leve.

Apesar disso, a trilha sonora também é usada para brincar com o próprio romance: o filme usa, por exemplo, músicas de grandes clássicos do cinema francês (como “I Will Wait for You” do filme Os Guarda-Chuvas do Amor) para brincar justamente com essa questão do romance: Marie-Francine e Miguel estão apaixonados, apesar da situação dos dois, e ambos estão ligados pela música e pelo sentimento, remetendo, portanto, aos grandes romances de época.

Já que o exemplo de Os Guarda-Chuvas do Amor foi citado, outro ponto de 50 São os Novos 30 que remete ao musical de 1964 é a fotografia. O filme de Valérie Lemercier traz cores muito vibrantes que, além de deixarem o filme muito mais convidativo e esteticamente bonito, dizem muito sobre os personagens e sobre as situações do momento. A cor do quarto de Marie-Francine, quando ela vai morar com seus pais, é um azul-petróleo – e azul é uma cor fria, associada muitas vezes à monotonia, depressão. Já a cor do quarto de seu par, Miguel, é vermelho – representando tanto a paixão e o amor que eles sentem um pelo outro quanto o “perigo” de morar junto com seus pais.

Em suma, 50 São os Novos 30 é um filme que diz muito sobre relacionamentos atuais em um mundo onde as pessoas não conseguem mais ficar muito tempo com alguém ou, se conseguem, acabam se distanciando e muitas vezes optando pela traição. Mas, acima de tudo, de forma vibrante e divertida, 50 São os Novos 30 explora a criança que ainda existe dentro de cada um de nós – inclusive dos mais velhos! – e nos mostra que, independente da nossa idade, somos todos capazes de amar novamente e nos sentirmos mais jovens por isso.

 

Nota:

Crítica | 50 São os Novos 30


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