Crítica: Mestres do Universo resgata a essência de He-Man

Nosso mítico guerreiro retorna e faz esquecer tudo que veio antes

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O politicamente correto chora e o fã raiz comemora. Mestres do Universo dispensa o manual de etiqueta moderno e entrega o que a geração que cresceu comendo Dadinho e rebobinando fita VHS com a caneta BIC merecia.

Tudo bem, pode admitir, você, que cresceu nos anos 80 e 90, foi ao cinema com o coração na mão. Depois de décadas sendo prometido e adiado, o live-action de Mestres do Universo finalmente chegou. A boa notícia é que eles não estragaram. A má notícia? Agora você vai precisar explicar para sua namorada(o)/esposa(o) por que você quer tanto ver um cara com gominhos, usando uma tanguinha e segurando uma espada (você vai entender a referência depois). A seguir, confira mais detalhes sobre o que achei do filme nesta crítica. A produção fica por conta da Metro-Goldwyn-Mayer, Mattel Studios com distribuição da Amazon MGM Studios e Sony Pictures.

O longa que foi dirigido por Travis Knight (Bumblebee, Coraline e o Mundo Secreto) se passa duas décadas depois de o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine) ter caído na Terra após uma invasão. Após finalmente encontrar a Espada do Poder, ele é transportado de volta para Etérnia, onde deve salvar o reino da ameaça do vilão Esqueleto (Jared Leto) e seu exército malévolo. Simples? Sim, mas funciona exatamente por isso.

He-Man, Teela e Pacato seguem ao Castelo de Grayskull em cena viral de Mestres do Universo
Imagem reprodução

O longa consegue surfar na onda de nostalgia sem perder os pontos-chave, confiando na franquia e entregando o que todo mundo foi buscar: Etérnia, Grayskull e aquele grito imortal.

Nicholas Galitzine assume o papel principal após uma enorme transformação física e entrega um Adam humano, engraçado, inseguro e genuíno antes de virar o herói musculoso. Camila Mendes brilha como Teela, e Idris Elba carrega autoridade total como Duncan.

Jared Leto faz do Esqueleto o vilão assustador na medida certa, sem perder aquela ironia clássica dos desenhos. Sua interpretação teatral entende perfeitamente a proposta do personagem — um vilão que claramente sente prazer na própria maldade: debochado e espalhafatoso em cada aparição. Morena Baccarin, nossa brasileira, empresta mistério e beleza à Feiticeira.

Alison Brie, como Maligna, consegue trazer presença em suas cenas mesmo sem pedir licença. E aqui vai um spoiler… Dolph Lundgren, o He-Man original de 1987, tem um papel surpresa no filme.

Etérnia nunca pareceu tão real; o trabalho de efeitos visuais e CGI traz outro nível à obra. A cidade exibe vida, cor, e nas criaturas é possível vislumbrar os mínimos detalhes. Cada explosão foi pensada para ser grande, e os efeitos sonoros (sound effects) se encaixam com precisão cirúrgica em cada momento de ação e emoção. Tudo isso acompanhado, claro, da trilha sonora que mistura orquestra e rock, trazendo solos do guitarrista Brian May, do Queen. Quando essa música toca nas cenas certas, você sente na alma.

He-Man em cena no novo filme Mestres do Universo (2026)
Imagem reprodução

Já para nós, amantes da dublagem brasileira, não há como ignorar que esse é um ponto altíssimo. Garcia Júnior volta trazendo a voz original de He-Man e Luiz Carlos Persy assume o manto, dando voz ao vilão e entregando aquele tom sádico, irônico e assustador que o personagem pedia.

Dessa forma, em uma combinação mais que perfeita as referências da década de 80, piadas atualizadas para o momento, menções a jogos e memes, o timing cômico afinado e um humor que não é forçação de barra, você ri do início ao fim. Isso vale tanto para quem é fã raiz quanto para quem só conhece o He-Man pelo remix de “I Have the Power!” ou pela música do Trem da Alegria no YouTube.

Aqui a produção mostra a que veio. O clímax entre He-Man e Esqueleto é aquela sequência que te faz querer pausar a tela para processar o impacto (vou te dizer que o confronto final, para mim, foi a melhor cena de todas). Se você está esperando uma luta genérica, sinto te dizer que aqui a “pancadaria” rola solta e com detalhes: exagerada e brutal. Em um cinema atual onde tudo é tão certinho, ver dois personagens teoricamente absurdos funcionando de forma tão foda na tela é um milagre.

O segundo ato de Mestres do Universo


É aqui que o Esqueleto ganha o direito de gritar “Seus tolos!” para a direção. Em alguns momentos, é possível ver que os efeitos visuais estão abaixo do esperado, considerando que, em grande parte do filme, o visual é muito bom. É compreensível que a ideia do longa seja retratar e dar foco à história do He-Man, mas acaba pecando um pouco no fato de não ter investido em mais cenas de personagens secundários como o Gato Guerreiro, ou em mais vilões coadjuvantes além do ótimo Mandíbula.

O segundo ato tem um ou dois momentos que saem um pouco da curva antes de se recuperar para o fechamento. Não é nada que estrague a experiência, mas o suficiente para que o filme não seja perfeito. Contudo, é exatamente o filme que precisava existir: honesto com sua origem “cafona”, inteligente nos acenos ao fã e generoso com quem nunca tinha ouvido falar de Grayskull antes.

Mestres do Universo, Esqueleto com sua aparência única
(Reprodução)

É nostalgia bem-feita, sem ser refém do passado. Antes que você pegue sua espada e se levante da cadeira do cinema para ajudar em Etérnia como um bom guerreiro, é muito importante que fique até o final dos créditos, pois ali estão três preciosas cenas extras. Isso mesmo que você leu: três cenas!

Travis Knight parece ter entendido algo que Hollywood levou décadas para aceitar: He-Man funciona melhor quando não pede desculpas por ser He-Man. Mestres do Universo é barulhento, colorido, emocionalmente honesto e completamente sem vergonha de ser o que é. Um filme de fantasia que ama os seus fãs e não tem medo de mostrar isso. Por isso, nosso gamerdito é 4/5.

E hoje aprendemos que nostalgia não precisa pedir desculpas por existir. Assim como He-Man nunca pediu desculpas por ser He-Man, você também não precisa se desculpar por amar o que te fez feliz quando era criança. Cuide bem dessas memórias — elas fazem parte de quem você é. Até a próxima, amigos!

O longa-metragem estreia nos cinemas brasileiros em 4 de junho de 2026. Os interessados podem consultar agregadores de sessões e ingressos para encontrar o cinema mais próximo e verificar os horários de exibição. Após sua passagem pelas telonas, o filme também deverá chegar às plataformas digitais para compra e locação, sendo posteriormente disponibilizado em serviços de streaming.

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Nane Tasca
Nane Tascahttp://www.meugamer.com
Apaixonada pelo universo dos games, devoradora de séries e cinéfila de carteirinha, encontro também no teatro a magia das histórias que ganham vida. Doidinha das redes sociais, aspirante a jornalista, tento embarcar em tudo com um olhar crítico, mas sem perder a leveza. De pixel em pixel, de cena em cena, de palco em palco, e até na degustação de um bom prato, quero sempre compartilhar uma visão clara e, claro, com uma boa dose de descontração. Amo viagens e tenho um pezinho no mundo da beleza.

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