A Disney continua apostando nos seus clássicos em live-action e, desta vez, chegou a vez de Moana ganhar sua versão com atores. O longa estreou nos cinemas brasileiros em 8 de julho de 2026 trazendo Dwayne Johnson novamente como Maui e apresentando Catherine Laga’aia como a jovem aventureira escolhida pelo oceano.
A direção ficou nas mãos de Thomas Kail, vencedor do Emmy e do Tony pelo trabalho no premiado musical Hamilton. Talvez por esse histórico, não surpreende que a música continue ocupando boa parte da produção, algo que também já faz parte da identidade das animações da Disney.
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Em nossa crítica de Moana, destacamos os principais acertos, os pontos que poderiam ser melhores e se o live-action da Disney realmente vale uma ida ao cinema.
A história segue praticamente o mesmo caminho da animação. Moana precisa devolver o coração de Te Fiti para acabar com a escuridão que ameaça as ilhas. Ao lado de Maui, ela enfrenta criaturas, desafia seus próprios medos e descobre mais sobre o passado do seu povo, que antes era formado por grandes navegadores e exploradores.
O que gostei é que o live-action não tenta reinventar a personagem nem transformá-la em alguém praticamente invencível. Moana continua sendo apenas uma garota determinada, curiosa e que acredita ser capaz de fazer a diferença, mesmo sem ter todas as respostas. Ela aprende durante o caminho, erra quando precisa errar e amadurece naturalmente, sem atalhos.
Catherine Laga’aia entrega carisma como Moana
Catherine Laga’aia convence no papel e consegue transmitir bem essa mistura de coragem e inocência. Já Dwayne Johnson parece ter nascido para interpretar Maui. O jeito convencido, o ego exagerado e os momentos musicais continuam divertidos e fazem bastante sentido para o personagem. O interessante é ver o ator de cabelo comprido. Pode causar certa estranheza no início, mas ficou hilário.
Os companheiros da aventura também estão presentes. Pua, o porquinho, acaba aparecendo menos do que eu esperava, praticamente como uma lembrança da animação. Já Hei Hei continua roubando algumas cenas. Mesmo sem dizer uma palavra, o galo rende situações engraçadas que arrancam boas risadas e ajudam a aliviar o clima em alguns momentos.

Como acontece na maioria das produções da Disney, boa parte da aventura é conduzida pelas músicas. Não espere um filme cheio de piadas o tempo todo, porque o foco realmente está nos números musicais. Assisti à versão dublada e gostei bastante da adaptação das canções, embora eu ainda ache que elas ganhem mais força no idioma original. Também gostei do respeito às inspirações nos povos da Polinésia, mantendo palavras, expressões e referências culturais que ajudam a dar identidade ao universo de Moana.
A mensagem continua sendo o ponto mais forte
Um dos pontos que mais me chamou atenção foi a relação entre Moana e seu pai. Ele tenta impedir que a filha vá além dos recifes de Motunui porque carrega um trauma do passado. Quantas vezes isso também acontece na vida real? Muitos pais acabam passando seus próprios medos para os filhos sem perceber. A produção mostra que um trauma não precisa definir o futuro de outra pessoa e que cada um deve ter a oportunidade de seguir o próprio caminho.
Outra mensagem interessante aparece quando o povo deixa de navegar por acreditar que aquele era o único destino possível. Isso lembra muitas situações do nosso dia a dia, quando as pessoas deixam de tentar algo novo por medo ou até por acreditarem em certas crendices. Basta alguém decidir dar o primeiro passo para mostrar que sempre existe um caminho além do horizonte.
O elenco de apoio também merece destaque. A veterana Rena Owen interpreta Tala, avó de Moana e uma espécie de xamã da comunidade, servindo como uma das principais incentivadoras do espírito aventureiro da jovem. Já John Tui vive o chefe Tui, pai da protagonista e líder do povoado, enquanto Frankie Adams (The Expanse) dá vida a Sina, sua mãe, trazendo carisma para a família da futura líder. Após os primeiros 30 minutos, o longa passa a concentrar boa parte da trama em Moana, alternando momentos em que a protagonista segue sozinha com cenas divididas ao lado de Maui.


Visualmente, o longa é bonito, mas fiquei com a impressão de que a Disney poderia ter explorado mais alguns efeitos práticos. Em determinados momentos, alguns personagens parecem manter um visual bem próximo da animação, talvez até para preservar a identidade da franquia e dos produtos licenciados. Não chega a incomodar, mas foi uma sensação que tive durante a sessão.
Também gostei do fato de o filme não tentar empurrar uma releitura completamente diferente da animação. Ele simplesmente conta a história que conquistou milhões de pessoas anos atrás, sem exagerar e sem querer provar que é melhor do que o material original.
Por outro lado, essa escolha também impede que o longa surpreenda.
Quem esperava cenas inéditas, mudanças significativas ou uma abordagem mais ousada provavelmente sairá do cinema com a sensação de que faltou um pouco mais de ambição.
Gamerdito (Veredito) do live-action do filme Moana
É um daqueles casos em que o filme faz exatamente aquilo que precisava fazer, mas dificilmente será lembrado como um dos grandes live-actions da Disney.
Moana talvez não alcance o mesmo peso de produções atuais da empresa, mas também passa longe de decepcionar. Entre os live-actions recentes da Disney, é uma adaptação que respeita a animação, diverte, emociona em alguns momentos e entrega uma boa opção para assistir em família. Quem já conhece a história provavelmente vai gostar de reencontrar esses personagens. Já quem estiver conhecendo Moana agora encontrará uma aventura leve, divertida e com mensagens que continuam fazendo sentido.

Queria que Thomas Kail tivesse sido um pouco mais ousado para fazer o filme funcionar ainda melhor como live-action, já que algumas cenas que marcaram a animação não têm o mesmo impacto aqui. Ao mesmo tempo, não sei até que ponto o diretor teve liberdade criativa para colocar suas próprias ideias na adaptação.
A verdade é que, independentemente disso, a produção tem potencial para alcançar uma boa bilheteria, impulsionada pela lembrança da animação e, principalmente, pelo sucesso de Moana 2 em 2024. Muitos fãs que cresceram acompanhando a personagem, além de uma nova geração de crianças e adolescentes, agora podem enxergar esse universo com um olhar diferente, impulsionado também pela nostalgia.
Por fim, o longa-metragem estreou nas principais salas dos cinema brasileiros desde 8 de julho de 2026. Fique ciente de que o filme poderá entrar no catálogo do Disney Plus entre três e cinco meses após sua estreia nos cinemas, mas esse prazo pode variar de acordo com a estratégia de lançamento da Disney.
