“Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” é o mais novo projeto da franquia Star Wars. Após 3 anos desde a última aparição de Din Djarin, o Mandaloriano, e Grogu, finalmente poderemos ver o novo capítulo dessa família um tanto quanto curiosa que vimos ser criada nesse universo. A seguir, entenda mais sobre essa trama em nossa crítica.
Star Wars sempre foi algo ao qual nunca liguei muito no meio da cultura nerd/geek. Apesar da sua força e do espaço que ganhou, o que mais me chamava a atenção nessa franquia não tinha tanto clamor pela fanbase: era o lado menos místico e das lutas de sabres de luz. O lado mais humano e político que o universo continha era mais interessante.
Porém, quando anunciaram “O Mandaloriano“, eu resolvi dar uma chance à série, mesmo sabendo que logo seríamos levados a esse lado místico de que tanto desgosto. Apesar disso, eu realmente curti a série, mesmo não sendo tão favorável ao que mais vende nela. Sim, estou falando do baby Yoda chamado Grogu. Eu entendo a função do personagem na primeira temporada, até mesmo na segunda, porém não consigo simpatizar tanto com ele como a fanbase logo fez de cara.
Então, com todos esses pontos apresentados e os problemas que tenho com a franquia e até mesmo com a série que originou o filme, ainda assim fui de peito aberto e pronto para aproveitar o filme. Mas, no final, sinto que vi um monte de recortes de cenas de ação de uma provável 4ª temporada, que não quiseram lançar e compactaram em um filme.

A trama de O Mandaloriano e Grogu
No filme, acompanhamos Din Djarin e seu aprendiz Grogu auxiliando a Nova República na caçada aos remanescentes do Império. Mas, para descobrirem os novos planos que esse grupo está armando, o Mandaloriano é enviado em uma missão para resgatar o filho de Jabba, Rotta, o Hutt (Jeremy Allen White). Enquanto isso, eles têm que descobrir quem colocou uma recompensa pela captura do Mandaloriano, ao mesmo tempo em que trabalham pela reestruturação da Nova República e sua aproximação com esse grupo.
Inicialmente, parecia que o filme estava sendo o clássico de Star Wars: um começo frenético e cheio de momentos que chamam a atenção, com explosões e tiros de blasters. Até mais ou menos uns 20 ou 30 minutos de filme, parecia que o longa tinha um caminho certo a seguir. Mas, quando surge a missão para encontrar um comandante do Império, o comandante Coin, parece que a chave do filme vira e tenta encaixar um mistério sobre tal figura.
Contudo, para conseguir essas informações, a República tem que trabalhar com os gêmeos Hutt. Quem assistiu tudo de Star Wars nessa era Disney vai lembrar deles da série Star Wars: The Book of Boba Fett. A missão é resgatar Rotta, o filho de Jabba, que havia sido sequestrado e agora foi localizado.
Entretanto, o que mais chama a atenção aqui é que o filme não trabalha a parte política de Star Wars, justamente a parte mais interessante dessa franquia. Mas parece que isso estava ali em algum momento e foi retirado. Toda essa missão de encontrar o Imperial misterioso, o sequestro de Rotta, a falta de alguns personagens emblemáticos da série, tirando Greef Karga, por motivos de falecimento do ator Carl Weathers, e até mesmo a personagem de Sigourney Weaver, a coronel Ward, passam a impressão de que esse lado seria mais trabalhado. Só que, no final, vemos apenas uma trama sem muito conteúdo, além de novas formas de atirar em droídes.

Os problemas de fazer um episódio filler de Star Wars
Bom, acho que o título desse ponto já mostra o problema do filme como um todo: é um grande episódio filler que não avança, ou quase não avança, com os personagens do Mandaloriano e Grogu. O roteiro não parece muito certo sobre o que fazer com os personagens, além de jogá-los de planeta em planeta, com algumas participações de luxo que não acrescentam em nada na história. Sim, estou falando de Martin Scorsese, que faz um personagem que não tem tanta função além de fazer piadas sem muito contexto e graça.
Outro personagem que só faz cenário nesse longa é Garazeb “Zeb” Orrelios. Alguns rumores apontam que ele é o substituto para a personagem Cara Dune, já que Gina Carano foi demitida da Disney em 2021. Porém, suas participações se resumem a ser o piloto do Mandaloriano, tirando um momento específico em que, realmente, precisam colocar esse personagem em ação. Mas, para fazer o que ele fez em um filme de mais de 2 horas, acredito que qualquer personagem caberia nessa função.
Rotta tem umas camadas interessantes, nas quais não quer ser apenas o filho do Jabba. Ele quer viver sua vida longe da sombra do pai, tanto que, na parte mais focada nele, vemos o quão disposto e desesperado ele está para ficar longe do ramo da família. Jeremy Allen White consegue trazer esse lado mais sutil do personagem, fazendo com que possamos sentir empatia por ele e até torcer por um futuro mais feliz. Sinceramente, não sei o que o futuro reserva para o personagem, mas seria interessante vê-lo retornando à franquia, nem que seja pontualmente.
Bom, agora sobre os dois que carregam o nome do filme: o Mandaloriano não parece nada diferente do que vimos na série. Apesar de ser mais aberto e empático com Rotta e Ward, ele ainda parece ser o mesmo. A evolução dele parece ser algo mais sutil, porém nada muito perceptível, algo que combina com os Mandalorianos. Pelo menos, temos um vislumbre de Pedro Pascal no filme. Sim, eles removem o capacete do personagem só para mostrar que o ator está ali mesmo.
Agora, vamos ao meu maior problema com essa parte da franquia: Grogu. Mesmo sendo um co-protagonista do filme, ele está mais para um coadjuvante de luxo. O personagem não tem muita função além de usar a Força em momentos específicos. Mas, em determinado momento, o roteiro dá um destaque ao personagem, na maior referência a The Last of Us, outra obra protagonizada por Pedro Pascal. O personagem não é uma peça-chave, porém consegue ter seus momentos de destaque e importância.

Gamerdito: Vale a pena assistir Star Wars: O Mandaloriano e Grogu?
No fim, acho que o filme conversa muito mais com quem já é fã de Star Wars ou acompanha esse universo há bastante tempo, trazendo vários elementos que esse público tende a aproveitar melhor.. Em resumo, a sensação que passa é que recortaram apenas as cenas de ação que caberiam em uma temporada de 8 episódios e as compactaram em um filme de 2 horas e 20 minutos. O filme não tem uma trama auxiliar para sustentar esses confrontos que surgem a partir do segundo ato e culminam no clímax. Parece que tudo é resolvido por acaso, e a breve explicação que é dada não ajuda muito a salvar esses buracos que ficam ao longo do filme.
Entretanto, é interessante ver o resgate de alguns personagens que surgiram nesse esquema das séries e a introdução de novos. Rotta é, definitivamente, o melhor personagem desse filme, apesar de alguns problemas que o roteiro tem ao utilizá-lo. Ward surge como uma personagem que poderia ter uma importância maior na trama, mas logo vemos ela ser descartada e subutilizada. Uma pena, porque Sigourney Weaver já mostrou que se vira bem em franquias de ficção científica.
Apesar disso, é um tanto decepcionante ver que um filme que poderia ter um enorme potencial para expandir a franquia foi resumido apenas a uma missão de resgate, um mistério barato e uma história que faz o básico do básico. Em resumo, parece mais um filme de streaming que tentaram passar no cinema para faturar mais com o nome de Star Wars. Contudo, não podemos negar que a tentativa de trazer o personagem para as telonas é algo extremamente interessante.
O filme Star Wars: O Mandaloriano e Grogu estreia nos cinemas no dia 21 de maio.
