Crítica Sobrenatural: Agora Entre Nós

Quando uma porta se fecha… O Além sempre arruma outra

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O sexto capítulo da franquia Sobrenatural (Insidious) chega aos cinemas no dia 20 de agosto de 2026, sob a direção de Jacob Chase e distribuição no brasil pela Sony Pictures. No elenco, Amelia Eve assume o protagonismo na pele de Gemma, dividindo a tela com Brandon Perea (Nick), Maisie Richardson-Sellers (Claire), Sam Spruell (Cyrus) e Island Austin (Maya). Para completar, temos o retorno oficial de Lin Shaye como a inesquecível Elise Rainier.

Desta vez, a trama aposta em Gemma, uma mãe solo que volta a morar na casa de infância após um incidente traumático para criar a filha. Só que o retorno cobra alto. Ela logo descobre que não apenas consegue atravessar para O Além, como também tem a capacidade involuntária de trazer coisas de lá para cá. É abrir a porta e convidar o inquilino indesejado a entrar. Quando o filme terminar, duvido que você não passe a próxima semana encarando o canto escuro do quarto, se perguntando se há alguém ali observando.

Elise segue como a grande ponte espiritual da franquia. É impossível não sentir uma ponta de nostalgia quando ela ressurge em cena. Claro, sua presença traz aquela sensação clássica de personagem histórico com pouco tempo de tela; você sai feliz por vê-la, mas levemente frustrado por querer mais.

Amelia Eve entrega uma intensidade contida e convincente no papel dessa mãe exausta. Ela não é do tipo que grita a cada sombra, ancorando a narrativa em algo genuinamente humano. Island Austin também cumpre bem seu papel, embora sua personagem pudesse ter expressado de forma mais profunda o choque de ver a própria mãe à beira da loucura. Já Sam Spruell e Brandon Perea circulam pela história sem grande destaque, exercendo o papel de coadjuvantes funcionais sem muito brilho próprio.

Personagens de Sobrenatural Agora Entre Nós reunidos em cena do filme
(Reprodução)

Como o próprio filme destaca, “quando uma porta se fecha, outra é aberta“. Em Agora Entre Nós fechar uma passagem nunca é definitivo quando o assunto é o mundo espiritual — e a trama usa essa premissa como seu principal motor. As entidades apresentadas funcionam muito bem. Quem conhece Sobrenatural sabe exatamente o perigo de ver esses monstros invadindo o plano físico.

Os jumpscares marcam presença no formato clássico: pernas surgindo do lado errado da cama e cabeças aparecendo onde não deviam. Se você entrar desatento, vai pular da cadeira. Mesmo se você for como eu que já antecipa o instante exato de cada susto, a direção ainda acerta o timing para manter a eficiência.

Mas o que realmente rouba a cena não são apenas os sustos convencionais. Há uma sequência específica no consultório odontológico que beira o grotesco, transformando aquele medo bobo de dentista em puro pânico real. Depois dessa cena, sua próxima consulta de rotina vai parecer terapia de choque. Se depender de mim, é melhor manter a escovação em dia, porque neste universo a negligência bucal tem consequências no plano espiritual.

Um ponto muito positivo: o longa não apela para possessões mirabolantes cheias de efeitos especiais gratuitos. A comunicação mediúnica aqui se aproxima da forma como certas crenças e religiões retratam o contato com os mortos. É uma abordagem mais sóbria e contida e o filme ganha força por isso.

A trilha sonora de Joseph Bishara cumpre bem a função de ditar a tensão, embora às vezes force a barra em cenas que já se sustentam sozinhas. A direção de Jacob Chase constrói um ambiente claustrofóbica competente, apesar de derrapar em alguns excessos visuais pontuais.

Gamerdito (Veredito) do filme Sobrenatural: Agora Entre Nós

No geral, Sobrenatural: Agora Entre Nós é uma obra ambiciosa. Ele tenta equilibrar o terror pipoca com discussões psicológicas sobre maternidade e traumas herdados. Essa ambição é sincera, mesmo quando a execução escorrega pelo caminho. Assim como Sobrenatural: Capítulo 3 foi elogiado por aprofundar o peso emocional sem perder os sustos, este novo filme mira na mesma fórmula, ainda que com alguns tropeços de roteiro.

Cena Pós-Créditos (SPOILER)

É aqui que a produção tropeça na reta final de Sobrenatural: Agora Entre Nós. A cena extra não acrescenta nada relevante e poderia ter sido descartada sem qualquer prejuízo à história. Cyrus continua vivo ao término, levantando a dúvida: ele ficará aprisionado para sempre ou é apenas um gancho frágil para uma continuação? Há margem para esse vilão retornar, mas o filme não constrói relevância suficiente para que o espectador torça por isso. Pensando em todas as almas que poderiam ter sido libertadas, o desfecho soa contido demais.

Nota da crítica: 2,5/ 5.

Vale o ingresso. Vale o susto. Vale maratonar a saga toda, porque no fim das contas a fórmula ainda diverte fãs do gênero.

Nane Tasca
Nane Tascahttp://www.meugamer.com
Apaixonada pelo universo dos games, devoradora de séries e cinéfila de carteirinha, encontro também no teatro a magia das histórias que ganham vida. Doidinha das redes sociais, aspirante a jornalista, tento embarcar em tudo com um olhar crítico, mas sem perder a leveza. De pixel em pixel, de cena em cena, de palco em palco, e até na degustação de um bom prato, quero sempre compartilhar uma visão clara e, claro, com uma boa dose de descontração. Amo viagens e tenho um pezinho no mundo da beleza.

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