Quando eu estava na LicensingCon Latam 2025, me deparei com o estande da Ubisoft. Na ocasião tive a oportunidade de conversar com Bárbara Laurindo, que na época atuava como Consumer Products Manager da Ubisoft para a América Latina. Ela falava sobre a proposta da empresa de expandir o licenciamento de suas IPs também para a região. E um dos títulos que despertou minha curiosidade na conversa foi justamente Rayman — que na época completava 30 anos.
Esses 30 anos ganharam um novo capítulo agora. Durante o State of Play de 2 de junho de 2026, a Ubisoft revelou Rayman Legends Retold, uma reimaginação do clássico para a nova geração, com lançamento previsto para 1º de outubro deste ano, disponível para PC e consolesdo Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
A franquia nasceu em 1995 no PlayStation 1 e outros consoles da época e inaugurou um dos personagens mais carismáticos da história dos games. Com o tempo, o título foi ficando um pouco de lado — remasters aqui e ali, mas nada que trouxesse uma reinvenção de verdade. Rayman Legends Retold é exatamente isso.

Um personagem feito para licenciar
Rayman é daqueles personagens que funcionam para públicos completamente diferentes. Quem jogou quando criança ou adolescente hoje está adulto — e tem nostalgia. Quem vai descobrir agora nunca teve contato com a franquia. Esse alcance entre gerações é um dos maiores ativos que uma IP pode ter no mercado de licenciamento.
O design do personagem é quase um convite para virar produto. Rayman é formado por partes que flutuam independentes — cabeça, mãos, pés destacados do corpo. Imagina isso em massinha de modelar, em kit de montar, em boneco articulado. A estrutura do personagem pede esse tipo de produto.
E Rayman não está sozinho. A franquia tem personagens secundários com personalidade própria — como Globox, o melhor amigo atrapalhado, e os Teensies, pequenas criaturas que aparecem em vários títulos. São personagens que ampliam o universo de produtos possíveis, cada um com apelo para públicos diferentes dentro do mesmo guarda-chuva da IP.


Mas vai além disso. O visual colorido e não-violento abre espaço para papelaria — mochilas, lapiseiras, cadernos — que têm alto giro no varejo brasileiro, especialmente no público infantojuvenil. E para o fã adulto que cresceu com a franquia, há espaço para colecionáveis e vestuário temático, categorias que crescem consistentemente em feiras como a BGS e a CCXP.
O momento e o preço jogam a favor
Rayman Legends Retold chega posicionado de forma acessível, especialmente na versão de PC. Um preço mais baixo amplia o alcance, aumenta o volume de vendas — e em licenciamento, volume importa tanto quanto margem. Um jogo que atinge uma base grande de jogadores cria reconhecimento de marca. E reconhecimento de marca é o que sustenta uma estratégia de produto.
A Ubisoft vive um momento de reposicionamento — houve mudanças na estrutura da família Guillemot, com parte das IPs sendo negociadas com investidores do mercado asiático de games. Os fãs mais antigos acompanham isso com cautela. Mas Rayman é uma IP que não carrega esse peso. É uma franquia amada, sem controvérsia, com a nostalgia do lado certo.
O que o Brasil pode ganhar com isso
O mercado brasileiro de licenciamento de games tem apetite. Sonic, Mario e Minecraft já mostraram que o público paga por produtos físicos de franquias que ama. Rayman tem o perfil certo para entrar nessa conversa — e a conversa que tive com a Bárbara Laurindo na LicensingCon mostrou que a Ubisoft está de olho na América Latina.
Se o jogo performar bem em outubro, a janela para licenciar a franquia no Brasil estará aberta. Brinquedos, papelaria, colecionáveis, vestuário — e quem sabe, no futuro, até uma produção audiovisual. O mercado de live-action e animações baseadas em games está aquecido. Mario já passou de 2 bilhões somando os dois filmes. Sonic se aproxima do bilhão. Minecraft chegou como um dos maiores lançamentos recentes. Rayman tem personalidade, tem história e tem um novo jogo chegando para apresentá-lo a uma geração inteira.
Para quem trabalha com licenciamento e ainda não conhece a franquia — vale explorar. É um personagem cativante, com aventuras inteligentes, puzzles que convidam ao replay e um apelo que atravessa gerações. O timing está certo. Agora é aproveitar.
