O Anime Friends 2026 não se destacou apenas pela programação de shows, painéis e encontros com fãs. Nos bastidores do maior festival de cultura pop asiática da América Latina, as coletivas de imprensa realizadas entre os dias 2 e 5 de julho se consolidaram como um dos espaços mais relevantes para compreender os rumos da indústria do entretenimento japonês, e também a maneira como artistas internacionais enxergam o mercado brasileiro.
Durante os quatro dias de evento, o Meu Gamer acompanhou todas as entrevistas concedidas por músicos, dubladores, atores, produtores, escritores e cosplayers convidados. Mais do que divulgar novos projetos ou promover apresentações, os encontros proporcionaram discussões sobre temas que atravessam diferentes áreas da cultura pop, como a expansão internacional dos animes, a valorização da dublagem, o crescimento do cosplay profissional e os desafios impostos pelo avanço da inteligência artificial.
Embora cada convidado tenha apresentado perspectivas distintas, algumas pautas surgiram de forma recorrente. A primeira delas foi o reconhecimento do Brasil como um dos mercados mais apaixonados por produções japonesas. Bandas, atores e produtores destacaram a energia do público brasileiro e reforçaram o desejo de retornar ao país, evidenciando que o Anime Friends deixou de ser apenas um grande evento nacional para ocupar uma posição estratégica no calendário internacional da cultura pop asiática.
Outro assunto dominante foi a inteligência artificial. O tema apareceu em diferentes coletivas, especialmente entre dubladores e produtores de animação, que defenderam o uso responsável da tecnologia, desde que ela permaneça como uma ferramenta de apoio ao processo criativo. A preocupação com a proteção das vozes, dos direitos autorais e da interpretação artística demonstrou que o debate já faz parte da rotina da indústria e tende a ganhar ainda mais importância nos próximos anos.
As entrevistas também revelaram um mercado em constante transformação. Se, por um lado, veteranos relembraram obras que marcaram gerações, por outro, artistas mais recentes falaram sobre streaming, redes sociais, internacionalização e a necessidade de dialogar com públicos cada vez mais diversos. Essa combinação entre tradição e renovação acabou se tornando um dos principais fios condutores das coletivas.
Outro aspecto que chamou atenção foi a pluralidade da programação. O Anime Friends reuniu representantes de praticamente todos os segmentos da cultura pop japonesa: bandas de rock e metal, artistas de anisong, produtores de grandes franquias, escritores, atores de tokusatsu, dubladores brasileiros e japoneses, além de cosplayers reconhecidos mundialmente. O resultado foi uma cobertura capaz de oferecer um panorama bastante amplo sobre diferentes setores da indústria do entretenimento.
Entre os destaques estiveram o reencontro do elenco de Cybercop, as reflexões de veteranos da dublagem brasileira sobre o futuro da profissão, a presença de produtores ligados a franquias como Detetive Conan, entrevistas com bandas japonesas que marcaram animes de sucesso e o depoimento da escritora tailandesa BamBam, que abordou a crescente popularidade das obras BL no mercado internacional.
Mais do que uma sequência de entrevistas, as coletivas de imprensa do Anime Friends 2026 funcionaram como um retrato do momento vivido pela indústria do entretenimento asiático. Em comum, praticamente todos os convidados compartilharam uma mesma percepção: o público brasileiro deixou de ser apenas consumidor de animes, mangás e tokusatsu para se tornar um dos principais responsáveis pela projeção internacional dessas produções.
A seguir, reunimos os principais momentos das coletivas de imprensa realizadas durante os quatro dias do Anime Friends 2026, destacando os anúncios, bastidores e discussões que marcaram o evento.
Quinta-feira (2): nostalgia, internacionalização e a evolução da cultura pop japonesa marcaram a abertura das coletivas
O primeiro dia de coletivas do Anime Friends 2026 evidenciou um dos principais diferenciais do evento: reunir diferentes gerações e segmentos da cultura pop asiática em um mesmo espaço. Entre reencontros com ícones do tokusatsu, artistas em sua primeira visita ao Brasil e representantes da cena musical japonesa contemporânea, a programação apresentou um panorama da diversidade que caracteriza o festival.
Ao longo do dia, temas como a longevidade das franquias japonesas, o crescimento do cosplay como profissão e a consolidação do Brasil como um dos principais mercados consumidores de entretenimento asiático surgiram repetidamente nas entrevistas.

Elenco de Cybercop relembra o legado da série e a relação duradoura com o público brasileiro
Abrindo a programação, os atores de Cybercop voltaram a falar sobre uma produção que conquistou status de clássico entre os fãs brasileiros de tokusatsu. Exibida originalmente no Japão entre 1988 e 1989 e lançada no Brasil pela Rede Manchete em 1990, a série permanece como uma das mais lembradas da chamada “era de ouro” das produções japonesas na televisão brasileira.
Durante a coletiva, o elenco destacou que o carinho demonstrado pelos fãs brasileiros continua sendo um dos principais motivos para que a franquia permaneça viva décadas após sua exibição original. Os atores relembraram histórias dos bastidores das gravações, comentaram a repercussão inesperada da obra fora do Japão e celebraram o fato de diferentes gerações ainda acompanharem a série.
O encontro reforçou como produções exibidas nos anos 1990 continuam ocupando um espaço importante na memória afetiva do público brasileiro, tornando eventos como o Anime Friends fundamentais para preservar esse legado.

Leon Chiro e Elizabeth Rage analisam a profissionalização do cosplay
O cosplay também ganhou espaço logo no primeiro dia com a participação de Leon Chiro e Elizabeth Rage, dois dos nomes mais conhecidos da cena internacional.
Mais do que falar sobre figurinos ou personagens, os convidados abordaram a transformação do cosplay em uma atividade profissional. Segundo eles, a área passou a exigir um conjunto de habilidades que vai muito além da confecção de roupas, envolvendo fotografia, atuação, produção de conteúdo, marketing pessoal e presença constante nas redes sociais.
Os cosplayers elogiaram o alto nível técnico apresentado pelos brasileiros e classificaram o Anime Friends como um dos eventos mais relevantes do circuito internacional. Para ambos, a criatividade e a dedicação da comunidade nacional ajudam a explicar por que o Brasil se consolidou como referência mundial na modalidade.

Wolf Howl Harmony destaca emoção da estreia no Brasil
Em sua primeira visita ao país, o grupo Wolf Howl Harmony demonstrou surpresa com a recepção calorosa dos fãs brasileiros.
Durante a entrevista, os integrantes explicaram que a composição de sua primeira música para um anime representou um marco importante na carreira. Segundo eles, o objetivo foi criar uma faixa capaz de dialogar diretamente com a narrativa da obra, reforçando as emoções vividas pelos personagens.
Outro assunto que dominou a conversa foi a ligação da banda com o futebol. Os músicos revelaram que o esporte faz parte da identidade do grupo desde antes da estreia, influenciando inclusive elementos visuais utilizados nas apresentações.
A coletiva também mostrou um lado bastante espontâneo dos artistas. Entre brincadeiras, referências ao futebol brasileiro e tentativas de falar em português, o grupo afirmou que chegou ao país sem saber como seria recebido, mas deixou claro que pretende retornar em uma futura turnê após a experiência vivida no Anime Friends.

Takumi Tsutsui, Takumi Hashimoto e Yasuhisa Furuhara celebram o carinho dos fãs brasileiros
Outro momento marcado pela nostalgia reuniu Takumi Tsutsui, Takumi Hashimoto e Yasuhisa Furuhara, três atores conhecidos por seus trabalhos em franquias de tokusatsu.
Os artistas destacaram que retornar ao Brasil já se tornou uma tradição em suas carreiras e afirmaram que a recepção dos fãs brasileiros continua sendo uma das mais calorosas entre todos os países que visitam.
Durante a coletiva, Yasuhisa Furuhara revelou que precisou participar de cinco audições antes de conquistar seu papel em Engine Sentai Go-Onger, reforçando que a persistência foi determinante para sua trajetória na televisão japonesa. Os convidados também comentaram as amizades construídas ao longo dos anos com outros atores do gênero e ressaltaram como eventos internacionais fortalecem a comunidade do tokusatsu.

HANABIE. explica identidade artística e comenta expansão internacional
Misturando agressividade sonora com uma estética inspirada na moda de Harajuku, a HANABIE. foi uma das atrações que melhor representaram a nova geração da música japonesa.
Durante a coletiva, a vocalista Yukina e a guitarrista Matsuri explicaram como surgiu o conceito visual conhecido como “Harajuku-core”, combinação que se tornou a principal marca da banda.
As artistas também comentaram o crescimento da carreira fora do Japão e destacaram que a internet e os animes contribuíram para aproximar o grupo de públicos que dificilmente conheceriam sua música pelos meios tradicionais. A passagem pelo Brasil, segundo elas, confirmou que essa expansão internacional continua em ritmo acelerado.

Burnout Syndromes reforça ligação entre anime e música
Conhecida por interpretar temas de séries como Haikyuu!! e Dr. Stone, a Burnout Syndromes apresentou uma das entrevistas mais voltadas ao papel da música dentro das animações japonesas.
Os integrantes comentaram como cada composição procura refletir a identidade das obras para as quais é criada e revelaram o desejo de voltar a produzir músicas para novas temporadas de Haikyuu!!.
Outro momento de destaque foi a lembrança da parceria com o rapper brasileiro niLL na faixa “Força”, experiência que os músicos classificaram como uma das mais enriquecedoras da carreira. A banda também demonstrou interesse em ampliar futuras colaborações com artistas brasileiros, reforçando a aproximação cultural entre Japão e Brasil.
Wellington Lima e Ivo Roberto mostram por que Dragon Ball continua atravessando gerações
Encerrando a programação do primeiro dia, os dubladores Wellington Lima e Ivo Roberto relembraram suas experiências interpretando Majin Boo e Babidi na versão brasileira de Dragon Ball.
Além dos bastidores das gravações, os artistas refletiram sobre a permanência da franquia no imaginário dos fãs brasileiros. Segundo eles, poucas obras conseguem atravessar tantas gerações mantendo a mesma relevância cultural, resultado da combinação entre personagens marcantes, narrativa envolvente e uma dublagem que se tornou referência para o público nacional.
A coletiva também reforçou um aspecto recorrente durante o Anime Friends: a valorização crescente dos profissionais de dublagem. Mais do que vozes reconhecidas pelos fãs, Wellington Lima e Ivo Roberto mostraram como o trabalho dos atores brasileiros passou a ocupar um papel central na experiência de quem acompanha animes no país.
Sexta-feira (3): inteligência artificial, legado dos animes e expansão internacional dominaram as discussões
Se o primeiro dia das coletivas foi marcado pelo reencontro entre artistas e fãs, a sexta-feira apresentou debates mais amplos sobre o futuro da indústria do entretenimento japonês. Dubladores, produtores, escritores e músicos abordaram temas como inteligência artificial, adaptação de obras, preservação da identidade artística e a crescente internacionalização da cultura pop asiática.
As entrevistas também evidenciaram outro fenômeno: franquias criadas há décadas continuam conquistando novos públicos, enquanto produções mais recentes encontram espaço para expandir suas comunidades em diferentes países.
Matsuko Mawatari e Yu Yu 20 celebram a permanência de Yu Yu Hakusho na memória dos fãs
A cantora Matsuko Mawatari, intérprete da clássica abertura de Yu Yu Hakusho, e os integrantes do projeto Yu Yu 20 protagonizaram um dos encontros mais nostálgicos do dia.
A artista relembrou suas passagens anteriores pelo Brasil e confessou que chegou a acreditar que não voltaria a se apresentar no país. No entanto, o carinho demonstrado pelos fãs brasileiros acabou mudando seus planos e reforçou sua vontade de retornar aos palcos.
Outro ponto interessante foi a comparação entre eventos realizados no Japão e no Brasil. Para Matsuko, o crescimento estrutural dos festivais brasileiros e a energia do público tornam a experiência de se apresentar no país diferente de qualquer outra.
Já os integrantes do Yu Yu 20 destacaram que manter viva a trilha sonora do anime é uma forma de preservar o legado de uma das obras mais importantes da história da animação japonesa, aproximando diferentes gerações de fãs por meio da música.
BamBam analisa a expansão global das histórias BL
Em sua primeira visita ao Brasil, a escritora tailandesa BamBam, autora da novel Cutie Pie, falou sobre a rápida internacionalização das obras BL (Boys’ Love) e o crescimento desse segmento fora da Ásia.
Durante a coletiva, a autora explicou como acompanhou de perto a adaptação de sua obra para o formato live-action e comentou que a expansão internacional desse tipo de narrativa demonstra uma mudança significativa no mercado editorial asiático.
Para BamBam, o sucesso das histórias BL está diretamente ligado à diversidade de temas e personagens apresentados atualmente. Segundo ela, a possibilidade de alcançar leitores de diferentes culturas tornou-se um dos maiores incentivos para continuar produzindo novas histórias.
A escritora também celebrou o lançamento de Cutie Pie em português e afirmou que conhecer pessoalmente os leitores brasileiros foi um dos momentos mais marcantes de sua carreira.
Ryūsei Nakao e Nozomu Sasaki defendem regulamentação para o uso da inteligência artificial
Entre todas as entrevistas da sexta-feira, poucas despertaram tanta atenção quanto a participação dos veteranos Ryūsei Nakao e Nozomu Sasaki, vozes de personagens históricos como Freeza e Yusuke Urameshi.
Embora tenham relembrado momentos importantes de suas carreiras, o principal assunto da coletiva acabou sendo o avanço da inteligência artificial dentro da indústria da dublagem.
Ryūsei Nakao defendeu a criação de mecanismos capazes de proteger os profissionais contra o uso não autorizado de suas vozes, argumentando que a tecnologia deve servir como ferramenta de apoio e nunca substituir o trabalho artístico desenvolvido pelos atores.
Os dois dubladores também destacaram a importância de eventos internacionais como o Anime Friends para fortalecer o contato entre artistas japoneses e o público estrangeiro, aproximando culturas por meio da paixão pelos animes.

Michihiko Suwa explica como Detetive Conan permanece relevante após quase três décadas
Responsável por uma das franquias mais longevas da animação japonesa, o produtor Michihiko Suwa apresentou uma visão privilegiada sobre os bastidores de Detetive Conan.
Segundo ele, manter uma série em exibição por tantos anos exige um equilíbrio delicado entre inovação e tradição. Cada episódio precisa conquistar novos espectadores sem afastar aqueles que acompanham a obra desde sua estreia.
Além de comentar sua participação em títulos como City Hunter, Inuyasha e Guerreiras Mágicas de Rayearth, Suwa também abordou o uso da inteligência artificial na produção de animes.
O produtor afirmou que novas tecnologias podem acelerar determinadas etapas do processo criativo, mas ressaltou que nenhuma ferramenta é capaz de substituir a sensibilidade artística necessária para desenvolver personagens e narrativas duradouras.
Ao encerrar a coletiva, Suwa prestou homenagem à atriz Wakana Yamazaki, voz de Ran Mouri, destacando sua importância para a construção da identidade da personagem ao longo de mais de três décadas.

Nano fala sobre carreira internacional e o papel da IA na música
A cantora Nano também dedicou parte da entrevista ao debate sobre inteligência artificial, mas apresentou uma perspectiva diferente da observada entre os profissionais da dublagem.
Para a artista, a tecnologia pode representar uma aliada do processo criativo desde que permaneça subordinada às decisões humanas. Segundo Nano, preservar a identidade artística continua sendo indispensável para qualquer músico.
Durante a conversa, a cantora relembrou como sua paixão pelos animes abriu caminho para interpretar músicas de séries como B: The Beginning e, posteriormente, temas de produções de tokusatsu.
Nano também comentou os desafios enfrentados por artistas japoneses interessados em expandir suas carreiras internacionalmente, destacando que a recepção calorosa do público brasileiro demonstra o potencial desse mercado.

Dubladores brasileiros alertam para os impactos da inteligência artificial
A preocupação com o futuro da profissão voltou a dominar outra coletiva importante do dia, desta vez reunindo Márcio Araujo, Sergio Cantu e Priscilla Concepcion.
Os três defenderam que a inteligência artificial precisa ser regulamentada para impedir o uso indevido das vozes de profissionais sem autorização, reforçando que interpretação continua sendo uma atividade essencialmente humana.
Além da tecnologia, os convidados discutiram a formação de novos dubladores, o impacto das redes sociais na profissão e as transformações provocadas pelo crescimento das plataformas de streaming.
Márcio Araujo ainda relembrou os bastidores da nova adaptação de Ranma ½, explicando que a produção cogitou substituir o elenco clássico antes de voltar atrás após a repercussão entre os fãs, episódio citado como exemplo da importância da identidade vocal construída ao longo dos anos.
A entrevista deixou evidente que, embora a indústria esteja mudando rapidamente, existe um consenso entre os profissionais: inovação e preservação artística precisam caminhar lado a lado.
Elenco de JoJo’s Bizarre Adventure: Steel Ball Run comenta responsabilidade de adaptar uma franquia cultuada
Fechando a programação da sexta-feira, o diretor Pedro Alcântara e os dubladores Vini Estefanuto, Heitor Assali e Fabrício Vila Verde falaram sobre o desafio de assumir uma das fases mais aguardadas de JoJo’s Bizarre Adventure.
O grupo explicou que interpretar personagens tão populares exige equilíbrio entre fidelidade ao material original e liberdade para construir uma identidade própria em português.
Pedro Alcântara também detalhou parte do processo de direção da dublagem, desde a seleção do elenco até a aprovação das vozes principais, ressaltando que preparação técnica e entendimento profundo da obra foram fatores decisivos para a escolha dos atores.
Os dubladores demonstraram compreender a enorme expectativa da comunidade de fãs e afirmaram que o principal objetivo da equipe é entregar uma adaptação que respeite o legado da franquia e preserve as características que transformaram JoJo’s Bizarre Adventure em um fenômeno mundial.
Ao final do segundo dia de coletivas, ficou evidente que a indústria vive um momento de transição. Enquanto novas tecnologias modificam processos de produção e distribuição, profissionais de diferentes áreas reforçam a necessidade de preservar aquilo que continua sendo insubstituível: a criatividade, a interpretação e a conexão emocional construída entre artistas e público.
Sábado (4): tradição, renovação e os bastidores da criação marcaram o terceiro dia de coletivas
Depois de um segundo dia marcado por discussões sobre o futuro da indústria, o sábado direcionou o foco para os processos criativos que sustentam grandes franquias da cultura pop japonesa. Músicos, dubladores e intérpretes compartilharam experiências sobre composição, adaptação, construção de personagens e a responsabilidade de manter vivo o legado de obras que atravessam gerações.
As entrevistas também evidenciaram como artistas de diferentes áreas enxergam o Anime Friends não apenas como um festival, mas como um ponto de encontro entre criadores e um dos públicos mais engajados fora da Ásia.

Galneryus relembra trajetória e destaca o papel dos animes na expansão do power metal japonês
Com mais de duas décadas de carreira, a Galneryus participou das coletivas para relembrar a evolução de uma das bandas mais influentes do power metal japonês.
Os integrantes explicaram que, embora o grupo tenha construído sua identidade dentro do metal, a presença de suas músicas em produções como Hunter x Hunter ampliou significativamente seu alcance internacional. Para a banda, os animes funcionam como uma importante porta de entrada para novos ouvintes, aproximando diferentes estilos musicais de públicos que talvez nunca tivessem contato com esse gênero.
Ao longo da entrevista, os músicos também comentaram a evolução de seu processo de composição e destacaram que, mesmo após tantos anos de carreira, continuam buscando novas referências sem abrir mão da identidade construída desde a fundação da banda.

Wendel Bezerra defende formação artística e valorização da dublagem brasileira
Um dos encontros mais aguardados do sábado reuniu o dublador e diretor Wendel Bezerra, cuja trajetória se confunde com a própria história da dublagem de animes no Brasil.
Durante a coletiva, Wendel refletiu sobre as transformações do mercado audiovisual e reforçou que o sucesso profissional continua sendo consequência de preparação, estudo e experiência, e não apenas de popularidade nas redes sociais.
Ao comentar o interesse crescente do público pelos bastidores da dublagem, o artista destacou que eventos como o Anime Friends desempenham um papel importante ao aproximar profissionais e fãs, valorizando um trabalho que, durante muitos anos, permaneceu praticamente invisível para grande parte do público.
A inteligência artificial também voltou à pauta. Assim como outros convidados ao longo do evento, Wendel defendeu o uso responsável da tecnologia, desde que ela não substitua a interpretação humana nem comprometa os direitos dos artistas.
Sua participação reforçou um consenso observado em diferentes coletivas: a tecnologia continuará transformando a indústria, mas dificilmente substituirá a sensibilidade artística necessária para dar vida aos personagens.

MUCC relembra quase três décadas de carreira e a constante busca por inovação
Representando uma das bandas mais tradicionais da cena visual kei, a MUCC aproveitou o encontro com a imprensa para revisitar sua trajetória iniciada em 1997 e refletir sobre a capacidade de reinvenção que manteve o grupo relevante ao longo de quase trinta anos.
Os integrantes Tatsurō, Miya e YUKKE explicaram que a experimentação sempre foi uma característica central da banda, permitindo transitar entre estilos como rock alternativo, heavy metal, punk, música eletrônica e pop sem perder sua identidade.
A entrevista também destacou a forte ligação do grupo com os animes. Trilhas presentes em franquias como Naruto Shippuden, Nanatsu no Taizai e Inu x Boku SS ajudaram a apresentar a banda para novos públicos ao redor do mundo, reforçando a influência que a animação japonesa exerce na internacionalização da música produzida no país.
Elenco brasileiro de Witch Hat Atelier revela os desafios da adaptação
A aguardada adaptação de Witch Hat Atelier também ganhou espaço nas coletivas com a presença do diretor de dublagem Guilherme Briggs e parte do elenco brasileiro.
Um dos principais assuntos discutidos foi o cuidado em preservar a identidade da obra durante o processo de localização. Briggs explicou que a equipe buscou manter a maior proximidade possível com a tradução oficial do mangá publicado no Brasil, garantindo consistência entre as diferentes versões da franquia.
Ao mesmo tempo, o diretor comentou que algumas adaptações foram inevitáveis, especialmente em situações envolvendo criaturas ou elementos que precisaram ganhar novas interpretações para funcionar melhor na versão dublada.
Os atores também falaram sobre a construção emocional dos personagens e revelaram que a repercussão do anime aumentou significativamente a responsabilidade da equipe. Segundo eles, o contato com os fãs durante o Anime Friends deixou evidente a expectativa criada em torno da série e reforçou o compromisso de entregar uma adaptação fiel ao espírito da obra original.
A conversa terminou com expectativas positivas para a segunda temporada. Embora ainda sem muitos detalhes inéditos, o elenco demonstrou entusiasmo com a continuidade da história e destacou o potencial da franquia para conquistar ainda mais espaço entre o público brasileiro.

NEW JACK Takurou e YOFFY celebram a longevidade da música de tokusatsu
Representando diferentes gerações da música de tokusatsu, NEW JACK Takurou e YOFFY aproveitaram a coletiva para mostrar como as canções das séries live-action continuam desempenhando um papel importante na construção da identidade dessas produções.
YOFFY comentou os desafios de interpretar temas de franquias consagradas como Tokusou Sentai Dekaranger e relembrou com emoção a parceria com o saudoso Nobuo Yamada, um dos grandes nomes da música japonesa voltada ao universo dos heróis.
Já Takurou explicou que sua participação em Avataro Sentai Donbrothers foi resultado de décadas de dedicação à carreira musical, reforçando que oportunidades desse porte costumam ser consequência de uma trajetória construída ao longo de muitos anos.
Além das histórias de bastidores, os artistas falaram sobre a paixão pelos heróis japoneses, compartilharam referências pessoais e destacaram que as músicas de Super Sentai procuram transmitir mensagens que vão além da ação, valorizando amizade, união e trabalho em equipe.
A recepção encontrada no Brasil também foi amplamente elogiada. Os músicos afirmaram que a energia dos fãs brasileiros tornou a primeira visita ao país ainda mais especial e manifestaram o desejo de retornar em futuras edições do Anime Friends.
Domingo (5): legado, emoção e a conexão com o público encerram as coletivas do Anime Friends 2026
O último dia de coletivas de imprensa do Anime Friends 2026 reuniu alguns dos encontros mais aguardados do evento. Entre grandes nomes da dublagem brasileira, bandas japonesas e o elenco de um dos animes de maior sucesso da atualidade, o domingo sintetizou muitos dos temas discutidos ao longo da programação: a força das obras que atravessam gerações, a importância da interpretação artística e a relação cada vez mais próxima entre criadores e o público brasileiro.
Se nos dias anteriores o debate girou em torno das transformações da indústria, o encerramento mostrou que, independentemente da tecnologia ou das mudanças do mercado, o fator humano continua sendo o principal responsável por criar conexões duradouras entre artistas e fãs.
Marco Ribeiro relembra personagens históricos e reflete sobre o futuro da dublagem
Um dos momentos mais marcantes do último dia foi a coletiva de Marco Ribeiro, um dos nomes mais respeitados da dublagem brasileira. Conhecido por interpretar personagens como Yusuke Urameshi, Woody, Bon Clay, além de ser a voz brasileira de atores como Jim Carrey, Robert Downey Jr. e Tom Hanks, Marco aproveitou o encontro para revisitar momentos importantes de sua carreira e discutir os desafios enfrentados pela profissão.
Grande parte da entrevista foi dedicada à histórica dublagem de Yu Yu Hakusho. O artista destacou que o enorme sucesso da versão brasileira não aconteceu por acaso, mas foi resultado da combinação entre um elenco experiente, liberdade criativa durante a adaptação e uma direção que compreendeu como aproximar os diálogos do público nacional sem comprometer a essência da obra.
Outro tema inevitável foi a inteligência artificial. Marco defendeu que novas tecnologias podem contribuir para determinados processos da indústria, desde que existam regras claras para proteger o trabalho dos profissionais. Segundo ele, nenhuma ferramenta consegue reproduzir a carga emocional construída por um ator ao interpretar um personagem.
O dublador também compartilhou histórias dos bastidores de produções marcantes, comentou os desafios físicos de personagens extremamente intensos e relembrou a emoção de voltar a interpretar Woody após décadas acompanhando a franquia Toy Story.
Ao final da coletiva, deixou uma mensagem direcionada aos novos profissionais da área: talento é importante, mas disciplina, estudo e respeito pelo ofício continuam sendo os principais pilares para construir uma carreira sólida.

Galileo Galilei celebra o retorno da banda e a paixão dos fãs brasileiros
Após retomar as atividades em 2022, a banda Galileo Galilei participou pela primeira vez do Anime Friends e revelou que a decisão de voltar aos palcos foi motivada principalmente pela conexão que manteve com seus fãs durante o período de hiato. Os músicos explicaram que perceberam que ainda havia espaço para continuar evoluindo artisticamente e que o carinho demonstrado pelo público tornou natural o retorno do grupo.
A coletiva também destacou o impacto internacional conquistado pelas músicas presentes em animes, especialmente Anohana: The Flower We Saw That Day. Segundo os integrantes, a popularidade das canções cresceu de forma gradual ao longo dos anos, impulsionada pela descoberta constante da obra por novas gerações. Outro aspecto que chamou atenção foi o entusiasmo demonstrado em relação ao Brasil.
Os músicos afirmaram que ficaram impressionados ao ver milhares de pessoas cantando músicas em japonês durante as apresentações, classificando a recepção brasileira como uma das mais calorosas que já vivenciaram.
Além da carreira da banda, os integrantes comentaram o processo de composição, a evolução musical observada desde o início da trajetória e até mesmo a curiosa origem do nome “Galileo Galilei”, escolhido por sorteio entre diferentes opções retiradas de um livro de história.

Sangatsu no Phantasia mostra como animes influenciam sua identidade artística
A cantora Mia, responsável pelo projeto musical Sangatsu no Phantasia, apresentou uma das entrevistas mais voltadas ao processo criativo. Durante a conversa, a artista explicou que sua paixão por animes, mangás e literatura sempre esteve presente em sua formação e continua sendo a principal fonte de inspiração para suas composições.
Segundo Mia, escrever uma música para um anime exige compreender profundamente os sentimentos dos personagens antes de transformar essas emoções em uma narrativa musical que também dialogue com experiências pessoais. Ela destacou que busca criar letras capazes de contar histórias, e não apenas acompanhar imagens, característica que considera essencial para construir uma identidade artística consistente.
A cantora também falou sobre a importância da estética visual do projeto, explicando que figurinos, ilustrações e identidade gráfica são pensados como extensões das músicas, reforçando a narrativa proposta em cada lançamento. Em sua primeira visita ao Brasil, Mia afirmou ter ficado emocionada com a recepção dos fãs e demonstrou o desejo de retornar ao país para novas apresentações.

Elenco brasileiro de Diários de uma Apotecária comenta adaptação e o sucesso do anime
Encerrando as coletivas, parte do elenco brasileiro de Diários de uma Apotecária falou sobre os bastidores da dublagem de um dos maiores sucessos recentes da animação japonesa. Os convidados explicaram que a série exige um estilo de interpretação diferente daquele normalmente associado aos animes de ação. Em vez de performances mais exageradas, a produção aposta em atuações sutis, diálogos naturalistas e grande atenção ao desenvolvimento emocional dos personagens.
Douglas Guedes comentou como Jinshi influenciou sua forma de interpretar determinadas situações, enquanto Giulia Nadruz destacou a admiração pela personalidade forte de Maomao. A atriz também esclareceu uma das dúvidas mais recorrentes entre os fãs: sua ausência nos episódios finais da segunda temporada. Segundo Giulia, uma viagem internacional previamente agendada impossibilitou sua participação nas gravações dentro do cronograma da produção. Após retornar ao Brasil, ela regravou os episódios para manter a continuidade da personagem.
O elenco e a direção também falaram sobre a expectativa em relação ao futuro da série. Como a adaptação ainda possui amplo material das light novels para explorar, existe otimismo quanto à continuidade do anime nos próximos anos. Outro ponto interessante foi a maneira como a equipe conduz o processo de gravação.
Os diretores acompanham toda a evolução da história para orientar as interpretações, enquanto os atores recebem apenas as informações necessárias para preservar a espontaneidade de suas reações durante a dublagem. Para o grupo, esse equilíbrio contribui para que as emoções dos personagens permaneçam naturais ao longo da narrativa.
As coletivas reforçam a importância do Anime Friends para a indústria
Ao longo de quatro dias, as coletivas de imprensa do Anime Friends 2026 mostraram que o evento ultrapassou definitivamente o papel de uma convenção voltada exclusivamente aos fãs.
As entrevistas revelaram uma indústria em constante transformação, preocupada com temas como inteligência artificial, preservação da criatividade, internacionalização da cultura pop japonesa e valorização dos profissionais que atuam nos bastidores das produções.
Ao mesmo tempo, ficou evidente que o Brasil ocupa hoje uma posição estratégica para artistas, produtores, músicos e dubladores. O entusiasmo demonstrado pelos convidados ao falar sobre o público brasileiro reforça que o país deixou de ser apenas consumidor de animes, mangás e tokusatsu para se tornar um dos mercados mais importantes para a expansão global desse segmento.
Mais do que divulgar novos projetos ou celebrar franquias consagradas, as coletivas do Anime Friends 2026 ofereceram um raro olhar sobre os bastidores da indústria do entretenimento asiático. Entre relatos emocionantes, reflexões sobre o futuro e histórias que dificilmente chegariam aos palcos principais, os encontros com a imprensa ajudaram a mostrar que a cultura pop japonesa continua evoluindo, sem perder de vista aquilo que sempre sustentou seu sucesso: a criatividade de seus artistas e a paixão de um público que atravessa gerações.
