A WWE WrestleMania 42 começou com grande expectativa na noite de sábado, 18 de abril, marcando o início de mais um espetáculo grandioso da WWE. Com sete combates programados para a primeira noite, o evento entregou uma mistura intensa de ação, narrativa e momentos inesperados, elementos que consolidam o show como um dos mais importantes do entretenimento esportivo mundial. O destaque principal ficou por conta do confronto pelo Undisputed WWE Championship entre Cody Rhodes e Randy Orton, mas outros duelos, especialmente da divisão feminina, também roubaram a cena.
O retorno de John Cena como anfitrião não foi apenas um momento nostálgico, chegou como uma escolha fundamental. Cena representa a ponte entre diferentes gerações da WWE, e sua presença logo na abertura reforça a ideia de legado, um tema recorrente nesta WrestleMania.
Do ponto de vista narrativo, sua fala curta e direta funcionou como um “gatilho aos fãs” para o público, preparando o terreno para uma noite que buscava justamente equilibrar passado, presente e futuro.

The Usos (Jey e Jimmy Uso) & LA Knight venceram Logan Paul, Austin Theory & IShowSpeed
O combate envolvendo LA Knight, Jimmy Uso e Jey Uso contra Logan Paul, Austin Theory e IShowSpeed deixou claro, desde o início, que sua função era aquecer o público, não necessariamente entregar um clássico técnico.
A decisão de colocar IShowSpeed em evidência reflete a estratégia da WWE de dialogar com audiências digitais. No entanto, isso cria um conflito: enquanto a presença de celebridades aumenta o alcance, ela também pode comprometer a credibilidade competitiva da luta.
A escolha de dar a vitória ao trio de lutadores profissionais, em vez da equipe com celebridades, foi acertada. Evita-se o desgaste do roster e mantém a lógica interna do wrestling. Ainda assim, o verdadeiro “clímax” veio no pós-luta, com o salto de IShowSpeed. Isso evidencia um padrão recorrente, momentos virais estão sendo priorizados até mesmo acima da luta em si.

Jacob Fatu venceu Drew McIntyre (Unsanctioned Match)
O combate sem sanção entre Drew McIntyre e Jacob Fatu teve um papel claro: intensificar o tom da noite.
Embora classificado como “sem regras”, o combate não ultrapassou limites extremos. Isso levanta uma questão interessante: a WWE parece estar buscando um equilíbrio entre violência e acessibilidade para o público mainstream.
Fatu sai extremamente fortalecido. Sua vitória não foi apenas física, mas simbólica, ele sobreviveu ao caos e venceu um ex-campeão mundial. Já McIntyre, mesmo na derrota, mantém sua relevância ao participar de histórias intensas.
Esse tipo de combate serve mais para construção de aura do que para avanço direto de título, e nesse sentido, cumpriu perfeitamente seu papel.

WWE Women’s Tag Team Champions: Brie Bella & Paige venceram The Irresistible Forces (c), Alexa Bliss & Charlotte Flair, Bayley & Lyra Valkyria
A luta pelo título de duplas femininas foi, tecnicamente, irregular, mas narrativamente eficiente. Começando com a revelação que Nikki Bella, realmente, não conseguiu se recuperar a tempo do evento, algo que até então todos acreditavam ser kayfabe.
Mas, como ela não conseguiu se recuperar, uma substituta precisava assumir seu lugar, então temos o retorno de Paige a empresa.
O retorno de Paige foi o ponto central, e isso impactou diretamente a estrutura da luta. Quando o público percebe o desfecho antes do final, o combate deixa de ser sobre disputa e passa a ser sobre momento. A WWE assumiu esse risco conscientemente. O foco não era surpreender, mas emocionar.
A participação de Nikki Bella, mesmo limitada, funcionou como elemento de transição narrativa. Isso indica que a história ainda está longe de terminar, especialmente quando Nikki estiver apta a competir novamente.

WWE Women’s Intercontinental Champion: Becky Lynch venceu Aj Lee (c)
O duelo entre AJ Lee e Becky Lynch foi um exemplo claro de como construir uma luta baseada em história.
A luta trabalhou múltiplas camadas como rivalidade pessoal das lutadoras, que veio sendo trabalhada desde o retorno de Aj Lee a WWE. O histórico de derrotas de Lynch e seu conflito com a arbitragem, no caso estamos falando de Jessika Carr, ao qual culpa pela sua contra Maxxine Dupri.
O detalhe mais interessante foi o uso da árbitra como elemento narrativo. Isso adiciona imprevisibilidade sem recorrer a interferências externas tradicionais. A vitória de Becky Lynch representa fechamento de ciclo. No entanto, a forma como aconteceu, com controvérsia, abre espaço para continuidade. É o clássico booking da WWE: resolver um arco enquanto planta outro.
O que podemos esperar aqui é o avanço da rivalidade entre Carr e Lynch, culminando em uma luta no futuro, minha aposta é o SummerSlam, em agosto. Vale ressaltar que Jessika Carr era uma lutadora nos circuitos independente de wrestling, aparecendo até em alguns episódios do NXT, a terceira brand da WWE, em 2017 com o nome de lutadora de Kennedy Lewis.
Mas, ainda em 2017 ela assinou com WWE, mas para ser uma juíza, sendo a primeira juíza da empresa desde os anos 80. Ela também veio a se tornar a primeira juíza em uma luta Hell in a Cell, no evento Crown Jewel na Arábia Saudita. Porém, desde 2025, ela vem atuando como uma lutadora no programa de desenvolvimento da WWE, o WWE Evolve, ou simplesmente Evolve, com o nome de Kalyx.
Então com essa explicação, ao que tudo indica esse combate vai acontecer, em algum momento.

Gunther venceu Seth Rollins
O confronto entre Gunther e Seth Rollins foi, do ponto de vista técnico, o grande destaque da noite, reunindo todos os elementos de uma luta de alto nível.
Antes de qualquer interferência, o combate se desenvolvia com um ritmo consistente, alternando momentos de domínio entre os dois lutadores, além de apresentar golpes impactantes executados com credibilidade e uma psicologia de combate muito bem definida, evidenciando a experiência e o entrosamento de ambos dentro do ringue.
No entanto, a interferência de Bron Breakker altera completamente a leitura do desfecho, deslocando o foco de uma conclusão limpa para uma decisão claramente voltada à retomada da antiga rivalidade entre Rollins e Breakker.
Esse tipo de escolha tende a dividir opiniões, já que, por um lado, amplia a rivalidade e abre múltiplos caminhos narrativos, mas, por outro, impede uma resolução definitiva entre dois competidores que estavam em seu auge técnico durante o combate.
Lembrando que essa luta, meio que serviu para fechar o buraco que ficou no evento, já que originalmente essa luta seria entre Seth Rollins e Bron Breakker. Porém, com a lesão de Breakker o afastando e impedindo de voltar a tempo de promover o combate, os planos precisaram ser alterados.
Ainda assim, mesmo com esse fator, o saldo permanece extremamente positivo, consolidando a luta como uma forte candidata a melhor de todo o evento.

Women’s World Champion: Liv Morgan venceu Stephanie Vaquer (c)
O confronto entre Stephanie Vaquer e Liv Morgan partia de uma das rivalidades mais intensas e pessoais de todo o card, o que naturalmente elevava as expectativas em torno da luta. Desde o início, a carga emocional entre as duas ficou evidente, refletindo semanas de construção baseada em provocações, ataques e envolvimento de terceiros.
No entanto, o principal ponto de fragilidade do combate foi a previsibilidade da interferência do Judgment Day. Quando esse tipo de recurso narrativo se torna esperado pelo público, ele perde parte de seu impacto dramático, reduzindo o fator surpresa e, consequentemente, o peso do momento decisivo.
Ainda assim, a execução dentro do ringue foi eficiente o suficiente para sustentar o combate. As duas conseguiram entregar uma performance sólida, mantendo a intensidade e explorando bem a agressividade que a rivalidade pedia.
A vitória de Liv Morgan vai além de um simples resultado: ela representa um reposicionamento claro dentro da divisão feminina, colocando-a novamente no centro das atenções e reforçando seu papel como uma das principais forças da atualidade.
Por outro lado, a derrota de Stephanie Vaquer foi construída de maneira estratégica. Ao ser protegida pela interferência externa, sua credibilidade permanece intacta, evitando qualquer desgaste significativo de sua imagem.
Esse tipo de desfecho não apenas preserva ambas as lutadoras, como também deixa portas abertas para a continuidade da rivalidade, indicando que esse confronto ainda pode render novos capítulos e possivelmente ganhar contornos ainda mais intensos no futuro.

Undisputed WWE Champion: Cody Rhodes (c) venceu Randy Orton
O confronto entre Cody Rhodes e Randy Orton reunia todos os ingredientes para se tornar um momento memorável, mas acabou entregando uma performance irregular dentro do contexto do evento.
Ao longo da luta, alguns problemas ficaram evidentes, especialmente no que diz respeito ao ritmo inconsistente, que alternava entre momentos interessantes e trechos mais lentos, além do excesso de interferências que prejudicaram o desenvolvimento natural do combate. Essa combinação acabou comprometendo a fluidez narrativa, dificultando a construção de uma história contínua e envolvente dentro do ringue.
A participação de Pat McAfee trouxe um elemento de entretenimento e surpresa, mas, ao mesmo tempo, quebrou parte da imersão que se espera de um main event dessa magnitude. Outro ponto relevante foi a reação do público, que demonstrou maior apoio a Orton, criando um desalinhamento com o booking planejado, já que Rhodes ocupava o papel de campeão e, teoricamente, deveria ser a principal figura de apoio da audiência.
Curiosamente, o momento mais impactante veio após o fim da luta, quando Orton atacou Rhodes, entregando uma virada mais interessante do que o próprio combate. Esse desfecho reforça a impressão de que a WWE priorizou a continuidade da rivalidade e o desenvolvimento futuro da história, em vez de oferecer uma conclusão plenamente satisfatória dentro da própria WrestleMania.

Análise final: Como foi a primeira noite da WWE WrestleMania 42?
A primeira noite da WrestleMania 42 esteve longe de atingir todo o seu potencial e, apesar de seus méritos, dá a sensação de que poderia ter sido um espetáculo muito mais impactante dentro da WWE.
Criativamente, o evento teve sua importância, principalmente ao priorizar o desenvolvimento de histórias e a construção de rivalidades, com narrativas sendo aprofundadas ao longo do card e novos caminhos sendo abertos para as próximas semanas. Houve um esforço claro em estruturar o futuro da empresa, seja com a evolução de confrontos já estabelecidos ou com a introdução de novos conflitos, além da aposta em momentos de forte apelo viral, pensados para repercutir além do público tradicional e dominar as redes sociais.
A divisão feminina também merece destaque, não apenas pela presença consistente, mas pelo papel central em decisões relevantes da noite, reforçando sua posição como um dos pilares da WWE atualmente. Ainda assim, esse direcionamento mais estratégico acabou trazendo consequências perceptíveis no impacto geral do evento.
O uso recorrente de interferências e desfechos previsíveis enfraqueceu alguns combates, criando a sensação de que várias histórias foram interrompidas antes de alcançar um clímax mais satisfatório. Em vez de conclusões marcantes, muitas lutas pareceram servir apenas como capítulos intermediários.
No fim das contas, o saldo ainda pode ser considerado positivo, mas com ressalvas importantes. A primeira noite funcionou mais como uma preparação do que como um grande espetáculo por si só, um alicerce narrativo bem estruturado, porém sem o impacto que se espera de uma WrestleMania.
Isso aumenta a pressão sobre a segunda noite, que agora carrega a responsabilidade de não apenas dar continuidade a essas histórias, mas elevá-las ao nível de momentos verdadeiramente icônicos que ficaram em falta até aqui.
WWE WrestlleMania 42 – Noite 2 estará disponível no Brasil, através da Netflix.
