Andy Serkis afirmou à Variety que Hollywood usa engines de videogames para criar previsualizações de filmes. Para ele, a tecnologia se tornou uma ferramenta essencial da produção cinematográfica moderna.
O ator tem história própria com os games. Seu primeiro projeto no setor foi Heavenly Sword, desenvolvido pela Ninja Theory para o PlayStation 3. Na época, diz Serkis, atores olhavam para jogos com desdém.
Sua participação mais recente de impacto foi em Clair Obscur: Expedition 33. No RPG do estúdio francês Sandfall Interactive, Serkis deu voz a Renoir — um homem implacável, disposto a qualquer sacrifício para salvar sua família. O jogo varreu os prêmios de 2025, vencendo o jogo do ano (GOTY) no The Game Awards. Foram nove troféus na mesma noite, incluindo Melhor Narrativa, Melhor Direção e Melhor RPG — recorde histórico da premiação.
O cenário mudou completamente. Hoje, jovens atores saindo de escolas de teatro chegam ao mercado querendo participar de jogos. A inversão, para Serkis, é uma das grandes ironias do setor.
Hollywood, que historicamente desprezou games como entretenimento inferior, agora depende de engines de videogame na produção. Os estúdios usam a tecnologia para previsualizar grandes sequências de ação. Cinematógrafos também recorrem às engines para posicionar fontes de luz — como luz de lua e luz solar — com precisão antes das filmagens.
Para Serkis, não há diferença entre atuar em um jogo, num filme, no teatro ou na TV. O processo de construção de personagem seria exatamente o mesmo nos quatro formatos. É a visão de quem esteve na vanguarda da atuação em games quando ninguém ainda levava o formato a sério.
