O diretor David Sears, responsável pelo jogo South of Midnight, ao qual elogiei pela trilha sonora com temática folclórica e composições de Olivier Deriviere, mencionou recentemente, em entrevista a Ben Hanson, do MinnMax, que a Xbox Game Studios foi generosa ao financiar seu jogo. Pois nem ele mesmo teria “financiado o projeto“, já que, em sua percepção, tanto South of Midnight quanto Keeper, da Double Fine, seriam jogos sem público devido às suas temáticas.
É nesse momento que discordo de Sears. Agora que a Compulsion Games não faz mais parte do Xbox Game Studios, devido ao recente acordo de dissolução amigável, acredito que fica fácil para ele mencionar esses fatores.
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Mas minha memória recorda que os primeiros trailers e a revelação do jogo criaram expectativa. A ideia de trazer o folclore dos Estados Unidos era diferente, já que praticamente focamos muito em jogos com mitologias grega, romana e nórdica. Alegar que a temática não era lucrativa fica quase inviável de concordar com o desenvolvedor.
Ele também relatou que o jogo aproximou a atual geração do Xbox, pelos temas abordados, humanizando culturalmente a empresa. Não sei se a Microsoft e sua divisão de jogos estavam realmente preocupadas com o que seus consumidores e jogadores pensavam dela. Visto que, de fato, mesmo esses jogos tendo entrado diretamente no Game Pass, financeiramente não atraíram usuários suficientes para mantê-los no conglomerado de estúdios.
Uma vez com abundância de dinheiro entrando, fica até difícil pensar no desempenho e no enredo que possam ter um verdadeiro impacto. Segundo Sears, ele estava ciente de que, em algum momento, alguém iria bater à porta para fechar a torneira. Será, então, por qual motivo seguiu esse caminho? As verbas eram maiores que a qualidade que se deveria entregar aos usuários?

Isso me fez refletir se todos os fracassos dos últimos sete anos na indústria dos games, principalmente durante e após a pandemia, foram devido ao comodismo. Os financiamentos chegam e apenas vamos trabalhando em uma história genérica, sem alma, pois, vendendo ou não, o nosso está garantido.
Fique ciente de que é um pensamento meu, e não do diretor de South of Midnight. Mesmo que o título tenha ganhado prêmios no ano de seu lançamento, a crítica foi mista, com média de 77 no Metacritic, e o público geral deu nota 6,8 de 10.
Confesso que, pela temática, era um jogo que chamou minha atenção, mas a repetição e o modo linear não conseguiram reter minha atenção como deveriam. A declaração do diretor serve como aprendizado para que a indústria compreenda o que os fãs realmente querem: histórias criativas, com jogabilidade fluida, sem necessariamente inventar a roda. Porém, respeitando o consumidor, sem querer dar uma aula de sociologia o tempo inteiro.
