Quem se beneficia com o fim das mídias físicas nos games

Mercado de Games | O futuro das mídias físicas e o mercado de colecionadores

- Publicidade -

Antes que alguém responda de imediato que apenas as publicadoras e fabricantes de consoles sairão ganhando com o fim das mídias físicas, Acredito que existe um outro movimento que vem crescendo silenciosamente há alguns anos e que pode se fortalecer justamente nesse cenário.

Não estou falando das lojas especializadas em jogos usados ou do mercado de colecionadores que busca títulos clássicos para consoles antigos. Refiro-me às empresas que transformaram edições especiais em verdadeiros itens de coleção. São companhias que lançam versões deluxe acompanhadas de artbooks, steelbooks, cards, trilhas sonoras, pôsteres, réplicas licenciadas e até cartuchos ou discos produzidos como lembranças colecionáveis, mesmo quando o jogo em si já é distribuído digitalmente.

Leia também:

Com toda a repercussão envolvendo o futuro das mídias físicas — principalmente após diversos rumores e mudanças estratégicas da indústria — ficou evidente que esse debate deixou de ser apenas entre fãs de games. Europa, Ásia, América do Norte e América do Sul acompanham essa transformação praticamente ao mesmo tempo.

Existe uma lógica econômica por trás dessa mudança. Os jogos ficaram cada vez maiores e mais complexos. Produzir versões físicas significa lidar com custos de fabricação, logística, distribuição e, em alguns casos, até dividir um mesmo jogo em mais de um disco. Para as empresas, a distribuição digital resolve boa parte desses obstáculos e ainda elimina o mercado de revenda, mantendo toda a receita concentrada dentro do próprio eixo.

Entretanto, esse movimento não elimina algo que muitos jogadores ainda valorizam seu sentimento de posse.

Conheço diversas pessoas que continuam comprando mídia física mesmo sabendo que, em alguns casos, como acontece em determinados títulos do Nintendo Switch, o cartucho funciona apenas como autenticação para depois realizar um grande download. Ainda assim, elas fazem questão de possuir aquele objeto. Não é apenas sobre jogar. É sobre abrir a caixa, colocar o jogo na estante e sentir que existe algo físico representando aquela experiência.

Recentemente, visitei minha cidade natal e reencontrei o Super Nintendo (SNES) que ganhei em 1994. Segurar novamente o cartucho de Super Mario World e vê-lo funcionando em uma televisão de tubo despertou uma sensação de nostalgia difícil de descrever. Foi como revisitar uma parte importante da minha infância, exatamente como mostra a imagem abaixo.

Super Nintendo original com o cartucho de Super Mario World ligado em uma televisão de tubo, destacando a nostalgia das mídias físicas nos videogames.
Meu Super Nintendo de 1994 funcionando em uma TV de tubo, um exemplo do valor afetivo que as mídias físicas ainda representam para muitos jogadores.

Talvez as gerações mais novas não atribuam o mesmo valor a isso, mas quem cresceu comprando jogos em CD, DVD ou cartucho costuma enxergar essas mídias como parte da própria memória afetiva.

Foi justamente esse pensamento que tive ao escrever sobre a possibilidade da Rockstar Games abandonar completamente as versões físicas. Caso isso realmente aconteça, talvez exista uma oportunidade interessante para empresas especializadas em produtos licenciados.

Imagine uma edição de colecionador de GTA 6 lançada algum tempo depois, contendo artbook, steelbook, cards exclusivos, ilustrações originais, materiais de bastidores e diversos itens produzidos oficialmente sob licença. O jogo continuaria sendo digital, mas todo o restante seria pensado para quem gosta de colecionar.

Na minha visão, esse mercado tende a crescer.

Empresas que hoje trabalham resgatando clássicos, produzindo coleções especiais e preservando parte da história dos videogames podem encontrar um novo espaço para atuar. Em vez de depender exclusivamente das fabricantes dos consoles, elas poderiam firmar acordos diretamente com publicadoras para produzir edições comemorativas de grandes franquias.

Esse tipo de iniciativa não seria novidade. Até hoje vemos diversos jogos da era 8 e 16 bits recebendo relançamentos, remasters e coleções especiais que preservam não apenas o jogo, como também sua história, artes conceituais e materiais que ajudam a contar como aquele projeto foi desenvolvido.

O mesmo poderia acontecer com títulos atuais.

Mesmo que franquias como GTA deixem definitivamente de receber versões físicas tradicionais, não considero impossível imaginar lançamentos especiais licenciados para colecionadores. O mesmo raciocínio poderia valer para Halo, Gears of War, The Last of Us, Final Fantasy, The Legend of Zelda, Sonic e tantas outras séries que possuem comunidades extremamente apaixonadas.

Hoje isso ainda parece uma hipótese distante, mas não me parece impossível. Pelo contrário. Quanto mais a mídia física tradicional desaparecer, maior tende a ser o interesse por versões premium voltadas exclusivamente ao público colecionador.

Naturalmente, quem trabalha com compra e revenda de jogos físicos provavelmente perderá espaço. Se as licenças permanecerem vinculadas às contas digitais, esse mercado praticamente deixa de existir. É possível até que vejamos um crescimento na negociação de contas, embora esse seja outro debate.

O ponto principal é outro

Acredito que o desaparecimento da mídia física tradicional não significa necessariamente o desaparecimento do objeto físico. O que pode mudar é sua finalidade. Em vez de servir como principal forma de distribuição dos jogos, ela passa a existir como um produto de coleção.

O próprio mercado de PC passou por essa transformação há muitos anos. Hoje praticamente ninguém espera comprar um lançamento em disco para computador. Embora, existam edições especiais voltadas ao público colecionador. O jogo é ativado digitalmente ou funciona com adição de código, enquanto o restante do pacote entrega justamente aquilo que muitos jogadores valorizam: a experiência física.

Algo semelhante pode acontecer com PlayStation e Xbox nas próximas gerações.

No Brasil, por exemplo, praticamente não existem mais lançamentos físicos para Xbox Series. Já no PlayStation 5 ainda há um mercado relativamente forte para discos, justamente porque muitos consumidores continuam fazendo questão de possuir uma cópia física.

Mas essa realidade pode mudar

Se isso ocorrer, acredito que veremos empresas terceirizadas assumindo um papel ainda mais importante. Elas poderão produzir edições licenciadas mais sofisticadas, obviamente com preços superiores, mas direcionadas para um público disposto a pagar pela experiência de colecionar.

Por fim, talvez os maiores beneficiados pelo fim da mídia física tradicional não sejam apenas as grandes fabricantes. Empresas especializadas em preservar, celebrar e transformar jogos em itens de coleção também podem encontrar uma enorme oportunidade de crescimento.

Porque, mesmo em uma indústria cada vez mais digital, ainda existe um público que gosta de abrir uma caixa, folhear um artbook, admirar uma steelbook e olhar para a estante sabendo que parte daquela história também está ali, ao alcance das mãos.

Jefão Calheiro
Jefão Calheiro
Apaixonado por games, filmes de ficção científica, séries e tudo que envolve tecnologia e inovação, com mais de 15 anos de experiência comentando e analisando esses temas. Além disso, sou curioso por astronomia e, nas horas vagas, tento observar o cosmos como um astrônomo amador. Acredito no poder das opiniões e no respeito à diversidade de pensamentos. Em minhas análises, busco compartilhar conhecimento de maneira clara e acessível, ajudando o público a se conectar com as novidades do mundo do entretenimento e da tecnologia. Ah, e como bom flamenguista, vibro junto com o maior clube brasileiro, o Flamengo! Vamos, gamernéfilos, porque todo dia tem novidade nesse universo em constante expansão. =)

Gamernéfilos, comentem aqui!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.