Recentemente, comentei sobre o novo chefe global de TV da Amazon, Peter Friedlander, que simplesmente decidiu ignorar os fãs. Segundo ele, a série não deveria focar apenas nos fãs, mas ampliar o seu alcance. Dito isso, o assunto me fez repensar o quanto a trama poderia continuar tendo a mesma liberdade criativa que a trilogia original de Mass Effect conseguiu.
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Sabemos que a saga possui uma trama questionável por envolver temas atuais que vão desde gênero, religião e política, apesar de o foco estar mais centrado na exploração espacial e no existencialismo. Meu questionamento é: apesar do acordo com a Electronic Arts ter vigorado antes do anúncio da aquisição pela Public Investment Fund (PIF), que ainda está em processo de trâmite e é um fundo saudita controlado pelo príncipe Mohammed bin Salman, isso poderia, de certa forma, impedir a criatividade da franquia?
Embora eu já tenha desenvolvido um artigo sobre o jogo e sobre se os árabes poderiam salvar o legado de Mass Effect e o pouco que restou da BioWare, a questão talvez não seja tão pessimista quanto estou pensando neste momento. Uma das grandes queixas dos fãs é que Mass Effect: Andromeda perdeu a essência da trilogia. Por esse ponto, pode ser que os novos donos da Electronic Arts, caso toda a negociação seja aprovada, consigam colocar a BioWare novamente no eixo.

Parece uma percepção sem sentido, mas é nesse momento que paramos para analisar: o quinto jogo continua em desenvolvimento. Um erro de escolha poderá colocar a saga no limbo por muitos anos, já que em 2027 fará uma década desde que Andromeda foi lançado. Não houve grandes novidades da franquia, no máximo uma remasterização da trilogia original, alguns produtos licenciados e nada mais. Até o próprio N7 Day, data comemorativa do jogo, está passando em branco, sem nada que cause entusiasmo na comunidade.
A questão que fica é se Friedlander pediu para que o roteiro fosse modificado de fato para deixar a série live-action produzida pela Amazon MGM Studios mais atraente ao público, ou se já existe uma influência dos possíveis novos acionistas que controlariam a EA e, consequentemente, a BioWare. Menciono essas hipóteses pela abordagem já citada aqui: a franquia, que explora o espaço profundo pela galáxia, aborda temas sensíveis. Relacionamentos LGBTQIAPN+ e romances entre raças alienígenas são comuns nesse universo. Além disso, o jogo também traz críticas a fanatismos religiosos e ideologias imperialistas, com narrativas que exploram dilemas éticos e existenciais sem filtros.
A diferença é que, no período de desenvolvimento do primeiro jogo, o mundo não estava tão polarizado como é perceptível hoje. Os enredos eram mais naturais e graduais. Já em Andromeda, houve uma queda de inspiração apontada pelos fãs. É nesse ponto que pode ocorrer uma reviravolta para a série retomar seus rumos e trazer a excelência que sempre teve. Se os novos detentores compreenderem que os roteiristas precisam de liberdade criativa, e que aqueles responsáveis pela produção saibam ouvir o feedback do público, fico confiante de que poderemos ter uma das séries baseadas em videogames mais marcantes dos últimos anos.

Orçamento e efeitos visuais para impressionar em Mass Effect
A Amazon Studios, quando lançou O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder em 2022, apresentou uma qualidade de efeitos visuais impressionante, como essa produção exige. Sabemos que, com Mass Effect, o orçamento será alto, mas também exigirá efeitos visuais de padrão elevado, principalmente pelo contraste entre humanos e raças alienígenas. Pela exigência do público que conhece a obra, será necessário um nível técnico alto. Com um orçamento mais limitado, eles poderiam focar mais nos diálogos, que já são um ponto forte do jogo, ou se limitar a ambientes fechados, o que talvez não seja a melhor ideia para esse universo, podendo afastar o público mais ansioso pela produção.
Eles também não podem deixar a série parecer uma cópia de outros universos já existentes na cultura popular. Trazer esses personagens e a forma como se conectam com o público é mais complexo do que adaptações como The Witcher, Fallout, Resident Evil, Street Fighter e Mortal Kombat. Por abordar questões com as quais muitos jogadores se identificam, o envolvimento emocional é maior, a ponto de gerar reações intensas tanto do público quanto dos desenvolvedores, como já discutido neste site.
Minha conclusão é que qualquer escolha que os produtores façam daqui para frente causará debates acalorados, sejam positivos ou negativos. A verdade é que os fãs querem ver essa franquia em outras mídias. Novidades devem surgir nos próximos meses, incluindo possíveis anúncios de elenco para o live-action de Mass Effect. Até lá, resta aguardar e torcer para que as decisões façam jus à grandiosidade da franquia também na indústria cinematográfica.
