Desde sua estreia, em 2022, Reacher se consolidou como uma das produções mais confiáveis do catálogo do Prime Video. A adaptação da obra de Lee Child encontrou rapidamente seu público ao transformar o ex-militar Jack Reacher em um protagonista perfeito para o tipo de entretenimento que a série pretende oferecer: investigações cheias de conspirações, criminosos perigosos, conspirações governamentais e, claro, muita pancadaria.
A produção nunca escondeu sua proposta. Assim como nos livros, a série acompanha Reacher enquanto ele se envolve quase acidentalmente em problemas que parecem pequenos à primeira vista, mas rapidamente revelam ramificações muito maiores. O resultado é uma aventura episódica que recupera o espírito dos thrillers de ação das décadas de 1980 e 1990 sem tentar reinventar o gênero. E a quarta temporada entende perfeitamente isso.
Um novo mistério para Reacher investigar
A nova temporada começa de maneira bastante eficiente. Depois de sair de um bar e comprar um sanduíche, Reacher está tranquilamente dentro de um metrô quando percebe o comportamento estranho de uma mulher. Com as mãos dentro da bolsa e visivelmente desesperada, ela chama a atenção do ex-militar, que rapidamente suspeita que possa estar carregando uma bomba.
O problema é que, quando Reacher se identifica como policial e tenta ajudá-la, a mulher tira a própria vida. O acontecimento funciona como a porta de entrada para uma investigação muito maior. Aos poucos, o protagonista percebe que o caso envolve um congressista, uma antiga operação militar realizada na Indonésia durante os anos 1990, a CIA e até uma possível questão relacionada à paternidade.
É uma premissa deliberadamente exagerada, mas que combina perfeitamente com o universo de Reacher. A série nunca pretendeu ser um thriller realista ou minimalista. Seu prazer está justamente em acompanhar o protagonista desmontando, peça por peça, uma conspiração que parece ficar cada vez maior conforme a investigação avança. Assistimos aos três primeiros episódios e, nesse período inicial, a produção deixa bastante claro que não pretende abandonar a fórmula que a transformou em sucesso.

A fórmula continua funcionando
Reacher passa boa parte dos episódios circulando entre diferentes pontos da investigação, interrogando suspeitos, descobrindo novas pistas e, eventualmente, resolvendo alguns problemas da maneira que melhor conhece: usando os punhos.
A estrutura é bastante próxima de uma série procedural, mas com uma diferença importante. Em vez de apresentar um novo caso a cada episódio, a temporada transforma uma única investigação em uma história distribuída ao longo dos oito capítulos. E é uma estrutura que funciona justamente porque permite que a trama avance sem deixar de entregar aquilo que o público espera.
O protagonista também ganha novos aliados ao longo da jornada. Um dos destaques é Christopher Rodriguez-Marquette, conhecido por trabalhos como Barry e Um Show de Vizinha, que interpreta Jacob, irmão da mulher envolvida no incidente do metrô. Embora os novos personagens não necessariamente tenham o mesmo impacto daqueles que acompanharam Reacher em temporadas anteriores, eles cumprem bem a função de ampliar a investigação e oferecer ao protagonista diferentes pontos de vista.
Uma temporada mais urbana e pessoal
Outro aspecto interessante é a mudança de cenário. Depois de temporadas que exploraram conflitos diretamente relacionados ao passado militar de Reacher, incluindo a morte de seu irmão, eventos da 1ª temporada, e problemas envolvendo integrantes de sua antiga equipe, enredo da 2ª temporada, o quarto ano leva o personagem para um ambiente consideravelmente mais urbano.
Washington, D.C. e Filadélfia passam a fazer parte da investigação, colocando Reacher em lugares bastante diferentes dos ambientes pelos quais ele costuma transitar. Bibliotecas públicas, hotéis luxuosos e até o Capitólio entram no percurso do protagonista enquanto ele tenta chegar ao responsável por toda a conspiração.
Essa mudança ajuda a evitar que a série pareça excessivamente repetitiva. Mesmo mantendo a mesma estrutura, Reacher encontra novos espaços para colocar seu protagonista em ação. E isso é especialmente importante para uma série que poderia facilmente ficar presa ao próprio modelo.

Alan Ritchson continua sendo o grande trunfo
Se existe alguém que parece entender completamente o personagem, esse alguém é Alan Ritchson. O ator continua encontrando o equilíbrio necessário entre a presença física de Reacher e seu lado mais peculiar. O personagem é intimidante, extremamente inteligente e praticamente indestrutível quando entra em combate, mas também possui uma maneira quase ingênua de lidar com determinados aspectos da vida moderna.
É justamente aí que a quarta temporada encontra alguns de seus melhores momentos de humor. Em uma das cenas mais divertidas dos episódios iniciais, Reacher tenta entender o que é o OnlyFans. A situação funciona porque o personagem encara o assunto com a mesma seriedade que dedicaria a uma investigação criminal.
Ritchson aproveita perfeitamente o momento e demonstra novamente que Reacher não precisa ser apenas uma máquina de combate. Seu timing cômico ajuda a tornar o protagonista ainda mais carismático e lembra, em alguns aspectos, a dinâmica do T-800 tentando compreender o comportamento humano em O Exterminador do Futuro 2. Essa combinação entre brutalidade e ingenuidade continua sendo uma das principais razões pelas quais o personagem funciona tão bem na televisão.
Ação sem abandonar o humor
A quarta temporada também parece mais leve do que aquilo que a segunda e a terceira temporadas vinham sugerindo. Existe uma conspiração grande, há mortes, operações secretas e interesses políticos envolvidos, mas os episódios iniciais não carregam o mesmo peso dramático de algumas das histórias anteriores.
Isso acaba favorecendo o ritmo. As cenas de ação aparecem com frequência e cumprem exatamente aquilo que se espera delas. Reacher continua sendo colocado em situações nas quais suas habilidades físicas são fundamentais, mas a produção evita transformar cada confronto em um evento grandioso.
A ação existe para movimentar a história, enquanto a investigação permanece como principal motor narrativo. Essa escolha é particularmente acertada porque devolve à série uma característica importante de sua primeira temporada: a sensação de acompanhar uma aventura simples, direta e extremamente eficiente.

Reacher não precisa reinventar a roda
O maior mérito desses primeiros episódios talvez seja justamente não tentar transformar Reacher em algo que ela não é. A série não apresenta uma revolução narrativa. Tampouco parece interessada em desconstruir seu protagonista ou abandonar a fórmula que conquistou o público.
E isso não é necessariamente um problema. Existem produções que precisam se reinventar a cada temporada para continuar interessantes. Reacher não parece fazer parte desse grupo. Sua força está na familiaridade. O público sabe que encontrará um mistério complicado, uma conspiração crescente, personagens suspeitos, investigações e muita ação. A questão passa a ser apenas se a nova história consegue sustentar essa fórmula durante toda a temporada.
Vale a pena assistir à 4ª temporada de Reacher?
Pelos três primeiros episódios, sim. A quarta temporada de Reacher não parece interessada em revolucionar a série — e talvez seja justamente por isso que seu começo seja tão eficiente. A produção entende aquilo que funciona e retorna ao básico: um bom mistério, ação, humor e um protagonista extremamente carismático.
Alan Ritchson continua sendo a alma da série, enquanto a mudança para um cenário mais urbano oferece uma pequena renovação à fórmula sem descaracterizá-la. Ainda existe uma dúvida importante: a investigação terá fôlego suficiente para sustentar os oito episódios? Esse será o verdadeiro teste da temporada.
Por enquanto, porém, o resultado é bastante promissor. Reacher continua fazendo exatamente aquilo que sabe fazer melhor e, para uma série como essa, talvez não seja necessário muito mais.
Os primeiros episódios da 4ª temporada de Reacher estão disponíveis na Prime Video e os próximos episódios serão lançados semanlmente, todas as quartas-feira.
