Review | Lanternas – 1 x 02: Salto no Escuro

Lanternas dá um passo importante no segundo episódio ao ampliar o mistério de Rushville, explorar a mitologia dos Lanternas Verdes e preparar o terreno para a chegada de Sinestro.

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O segundo episódio de Lanternas começa a encontrar uma identidade mais própria ao ampliar o mistério de Rushville e introduzir elementos diretamente ligados à mitologia dos Lanternas Verdes. Ainda que a série continue presa a uma estrutura de investigação policial bastante convencional, a chegada dos Manhunters e a participação de Sinestro dão ao capítulo uma dimensão cósmica que faltava ao episódio de estreia.

A grande questão deixada pelo piloto, “o que aconteceu com Hal Jordan?“, permanece sem resposta. Em vez de retomar a linha temporal de 2026 ou oferecer novas pistas sobre o destino do personagem, a série prefere voltar sua atenção para o caso que colocou Hal e John Stewart em Rushville. É uma escolha que exige paciência do espectador, mas que funciona melhor quando o roteiro começa a revelar que os assassinatos de alienígenas estão ligados a algo muito maior.

A estrutura do episódio também permite que Hal e John sigam caminhos diferentes. Enquanto Hal permanece em Rushville investigando a família Macon e sua ligação com tecnologia extraterrestre, John retorna à casa de seu mentor para buscar a bateria e o equipamento do Lanterna Verde. A separação funciona bem porque dá aos dois protagonistas espaço para desenvolver suas próprias descobertas e, principalmente, permite que John comece a assumir uma posição mais ativa na história.

É justamente o núcleo de John que oferece os melhores momentos do episódio. Depois de ser sequestrado pelos alienígenas liderados por Antaan, ele descobre que o grupo está em Rushville à procura de um Caçador Cósmico (Manhunter) escondido na região. Criados pelos Guardiões do Universo antes mesmo dos Lanternas Verdes, essas máquinas deveriam servir como instrumentos de justiça, mas acabaram responsáveis pelo genocídio de uma raça inteira.

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Reprodução: HBO Max

Essa revelação transforma completamente a escala da investigação. O que inicialmente parecia apenas um caso envolvendo mortes misteriosas passa a estar relacionado diretamente aos erros e às consequências da própria história dos Guardiões. É uma escolha interessante porque permite que Lanternas explore um aspecto mais complexo da mitologia: os heróis que deveriam proteger o universo também podem ter criado algumas de suas maiores ameaças.

O episódio ainda aproveita para desenvolver a relação entre John e Hal. Quando os dois finalmente se reencontram, John decide contar ao mentor tudo o que descobriu, mesmo tendo sido instruído a permanecer em silêncio. A sequência é importante justamente por evitar um conflito artificial entre os personagens. John demonstra confiança e coragem, enquanto a relação entre os dois começa a ser construída sobre algo mais interessante do que simplesmente a dinâmica entre veterano e aprendiz.

Também é nesse momento que John começa a demonstrar que talvez tenha uma afinidade incomum com o anel. A pequena construção que ele cria durante seu treinamento pode parecer um detalhe, mas funciona como uma maneira eficiente de sugerir que sua escolha pelos Guardiões não foi um simples acaso. Existe algo especial em Stewart, e a série parece interessada em descobrir até onde esse potencial pode chegar.

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Reprodução: HBO Max

Enquanto isso, Hal continua funcionando melhor quando está ao lado da xerife Kerry. A dinâmica entre os dois protagonistas do núcleo policial é divertida, especialmente pela química entre Kyle Chandler e Kelly Macdonald. O problema é que a própria investigação ainda não possui a mesma força. Rushville é uma cidade interessante, cheia de segredos e com uma atmosfera que remete a produções como Twin Peaks e Wayward Pines, mas o mistério ainda parece superficial em determinados momentos.

Essa é uma das principais dificuldades de Lanternas: a série quer ser simultaneamente um drama policial e uma história de ficção científica cósmica, mas nem sempre consegue fazer esses dois elementos conversarem naturalmente. Há momentos em que a presença de tecnologia alienígena parece estranhamente deslocada dentro da investigação, enquanto Hal, um herói extremamente poderoso, é tratado quase como um policial local.

Ainda assim, o segundo episódio faz um trabalho melhor ao integrar essas duas propostas. O caso de Rushville deixa de ser apenas um pretexto para colocar dois Lanternas em uma investigação e passa a revelar problemas diretamente relacionados à Tropa. A ameaça dos Manhunters funciona justamente porque conecta o pequeno universo da cidade à escala muito maior que esperamos de uma história envolvendo os Lanternas Verdes.

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Reprodução: HBO Max

Sinestro finalmente entra em cena

O encerramento é, naturalmente, o grande destaque do episódio. Depois de toda a investigação, Hal parte para uma prisão fora da Terra para interrogar Sinestro. É uma maneira eficiente de terminar o capítulo porque, depois de um episódio ainda muito ligado ao formato policial, Lanternas finalmente abraça sua própria mitologia. A presença de Sinestro imediatamente aumenta a expectativa para o que vem a seguir, especialmente porque o personagem é uma das figuras mais importantes da história dos Lanternas Verdes.

A série ainda não revela exatamente qual será sua função nessa história, mas a simples introdução do personagem já muda a percepção sobre a trama. Pela primeira vez, fica evidente que Rushville não é apenas uma pequena cidade escondendo um segredo: existe uma conspiração muito maior acontecendo por trás de tudo.

Visualmente, entretanto, Lanternas continua bastante contida. A fotografia permanece marcada por ambientes escuros, estradas vazias e uma estética seca, muito próxima dos dramas policiais da HBO. Essa abordagem combina com a proposta, mas também cria uma certa limitação.

O universo dos Lanternas Verdes possui um potencial visual gigantesco, e a série ainda parece receosa em explorá-lo. O anel, as construções de energia, as baterias, os alienígenas e, agora, Sinestro poderiam oferecer imagens muito mais inventivas. Até aqui, Lanternas prefere sugerir esse universo em vez de realmente mergulhar nele.

Essa contenção pode funcionar caso seja utilizada para construir gradualmente a escala da história, mas existe o risco de tornar uma produção sobre um dos personagens mais imaginativos da DC visualmente genérica.

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Reprodução: HBO Max

Um passo na direção certa

O segundo episódio de Lanternas ainda está longe de ser perfeito. A investigação continua pouco envolvente, alguns diálogos soam artificiais e a mistura entre policial e ficção científica nem sempre encontra o equilíbrio ideal. Porém, há uma evolução clara em relação ao piloto.

A presença dos Caçadores Cósmicos (Manhunters) é o primeiro elemento que realmente faz a investigação parecer uma história dos Lanternas Verdes, enquanto John Stewart começa a ganhar personalidade própria e importância dentro da narrativa. Hal, por sua vez, continua sendo o personagem mais experiente, mas agora possui uma motivação que vai além de simplesmente resolver um assassinato.

E então temos Sinestro. O episódio termina justamente quando Lanternas parece pronta para deixar Rushville em segundo plano e ampliar seus horizontes. Se a série conseguir manter o mistério policial enquanto explora as consequências da história dos Guardiões, dos Caçadores Cósmicos (Manhunters) e de Sinestro, finalmente poderá encontrar o equilíbrio que ainda procura.

Por enquanto, Lanternas continua sendo uma série mais interessante pelo que promete do que pelo que efetivamente entrega. Mas “Salto no Escuro” é um avanço importante, porque deixa de parecer apenas uma história de detetives com anéis e começa, enfim, a construir uma identidade própria dentro do universo dos Lanternas Verdes.

O segundo episódio de Lanternas está disponível no HBO Max.

Marcus Vinicius
Marcus Viniciushttps://www.meugamer.com/
Entusiasta do universo dos animes, mangás e tokusatsu, também escrevo sobre cinema, séries e as principais tendências da cultura pop japonesa e ocidental. Meu propósito é compartilhar análises, curiosidades e novidades que aproximam fãs desse universo, unindo informação, entretenimento e paixão pela cultura geek. Do clássico ao contemporâneo, exploro o impacto de produções que marcaram gerações, discuto teorias, mergulho em personagens inesquecíveis e acompanho de perto os lançamentos que movimentam a comunidade otaku. Além do Japão, também abordo obras e fenômenos globais que moldam a cultura pop, trazendo conteúdos que despertam nostalgia, reflexão e novas descobertas para quem vive intensamente esse mundo.

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