A demo gratuita de Stupid Never Dies foi liberada recentemente com aquilo que os desenvolvedores do estúdio japonês GPTRACK50 Inc., chamam de First Bite. Uma primeira mordida no jogo que apresenta sua história, personagens, combate e algumas das situações que o jogador encontrará durante a aventura.
Passei cerca de uma hora e meia a uma hora e quarenta minutos jogando a demo, dependendo do quanto você para para ler, explorar os ambientes e entender o que está acontecendo. E logo nos primeiros momentos fica explícito que Stupid Never Dies não está preocupado em contar uma história de zumbis de maneira convencional.
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Pois, Davy é o protagonista e descobre que é um zumbi. No meio dessa situação, ele encontra uma garota congelada, que acaba se tornando o principal motivo para seguir em frente e tentar trazê-la de volta à vida. É aí que entra o humor do jogo.

O Doutor (Doc), que também é um morto-vivo, aparece com braços mecânicos e um visual que lembra bastante elementos cyberpunk. O personagem tem aquele jeito exagerado que me fez lembrar de Rick Sanchez na animação Rick and Morty, principalmente pela maneira como ele conversa e trata determinadas situações.
E Stupid Never Dies está cheio dessas referências.
Durante a demo, algumas delas me fizeram lembrar de Lollipop Chainsaw, No More Heroes e Devil May Cry. A estética e algumas situações também passam por Hi-Fi Rush. Já em determinados momentos das masmorras, eu não consegui deixar de pensar em El Shaddai: Ascension of the Metatron.
Não é uma comparação que eu faria apenas pela aparência de um personagem específico. Existem momentos em que o modo como os ambientes são apresentados e a maneira como você avança pelas áreas me trouxeram essa lembrança. Os desenvolvedores também exploram canções animadas com uma pegada de punk rock, no estilo daquelas músicas mais joviais que marcaram uma época em que era comum ouvir Blink-182, Green Day e outras bandas nas rádios. Essa associação faz sentido principalmente pela energia e pelo humor presentes nesse tipo de som.

Inclusive, a música-tema do jogo, que leva o mesmo nome de Stupid Never Dies, segue essa pegada e pode ser ouvida nas plataformas digitais de música. A performance também inusitada porque é apresentada como se os próprios protagonistas fossem os cantores, já que os créditos aparecem em nome de Davy e Julia, sua amada.
Outra referência que apareceu para mim foi Meu Namorado é um Zumbi, filme de 2013 inspirado em uma obra literária “Sangue Quente” (Warm Bodies), escrito por Isaac Marion. A situação de Davy, um zumbi que acaba se apaixonando por uma garota, traz uma lembrança direta daquela história que começou como livro e depois ganhou uma adaptação cinematográfica conhecida no Brasil por esse nome.
O jogo ainda brinca bastante com essa ideia de estar morto, mas continuar sentindo coisas que deveriam pertencer a alguém vivo.
Davy não fica apenas batendo nos inimigos
O combate segue uma estrutura de hack and slash, mesmo que o jogo não queira necessariamente ficar preso a essa definição, enquanto alguns elementos lembram roguelite. Uma das partes que mais chama atenção está na maneira como Davy consegue adquirir habilidades.
Durante a aventura, você entra em masmorras, enfrenta monstros e, depois de derrotá-los, pode adquirir alguns de seus atributos ao comê-los. Isso faz com que Davy consiga assumir diferentes formas e utilizar poderes relacionados a esses personagens. Na demo que joguei, tive acesso à forma de harpia e de lobisomem.

A mecânica faz com que derrotar inimigos não seja apenas uma questão de eliminar o que está na frente. Você também começa a pensar em quais poderes pode conseguir e como eles podem ajudar nas próximas batalhas.
Existe ainda uma situação envolvendo um ovo da Fênix. Davy acredita que conseguiu algo capaz de conceder poderes, mas a história transforma isso em mais uma das piadas do jogo. O que parece ser um ovo místico acaba tendo uma origem bem menos gloriosa. É esse tipo de humor que aparece durante a aventura.

Em determinado momento, da trama, parece que aquilo que parecia um grande artefato mitológico era, na verdade, algo relacionado a uma cagada. A piada funciona porque os personagens tratam aquilo como se fosse algo extremamente importante enquanto Davy está lidando com uma situação completamente diferente.
Um shopping que vira sua base
Bessie é uma das personagens que ajudam Davy durante a aventura. Ela é uma motoqueira que leva o protagonista de volta para a área central, dentro de um shopping.

Esse local funciona como uma espécie de base e vai ganhando novos espaços conforme você avança.
O shopping também me trouxe uma lembrança curiosa O Estranho Thomas protagonizado pelo saudoso Anton Yelchin como Odd Thomas. Principalmente pela maneira como aquele ambiente funciona e pela lembrança do shopping que aparece no filme.
Ao explorar o local, você encontra diferentes personagens, conversa com eles e entende um pouco mais sobre o que está acontecendo. Alguns também ajudam Day durante sua jornada.
Um deles é Goyle, que aparece traduzido como Gulinha na legenda em português do Brasil.
Existe um detalhe que pode causar alguma confusão. A localização dos nomes dos personagens muda na tradução. Então, dependendo de como você estiver acompanhando o jogo, principalmente comparando com a versão em inglês, alguns nomes podem parecer diferentes.
Até andar pelo shopping vira uma piada
Davy não é exatamente o personagem mais rápido do mundo.
Em alguns momentos, você anda tão devagar que explorar o shopping pode parecer o Flecha de Zootopia no balcão de atendimento. O jogo resolve isso de uma maneira que combina bastante com o seu humor. Você pode utilizar um robô aspirador para se locomover mais rapidamente pelo local. Sim, sua locomoção é praticamente um robô aspirador para atravessar o shopping como veículo.

Existe também a parte relacionada ao Doutor Doc, uma loja chamada Júpiter, e toda a situação envolvendo a lavanderia. Para chegar a determinada área de combate das masmorras, o jogo coloca uma privada (vaso sanitário) como parte do caminho. É praticamente um banheiro utilizado como passagem para o submundo, com uma situação que me lembrou até De Volta para o Futuro, só que de uma maneira completamente absurda.
Esses momentos mostram que Stupid Never Dies não tenta esconder que quer fazer piada com praticamente tudo que aparece na tela.

A câmera é um dos pontos que mais me incomodaram
Nem tudo funcionou tão bem para mim. Durante algumas lutas, a câmera acaba atrapalhando. Em determinados momentos, perdi a noção de onde estava o inimigo e precisei ficar movimentando a câmera para conseguir me localizar novamente.
Também senti dificuldade para manter o foco em alguns inimigos. Pelo menos durante a minha jogatina, não consegui travar no personagem adversário da maneira que gostaria. Isso faz diferença principalmente quando vários inimigos aparecem ao mesmo tempo.
Outro ponto está como alguns personagens e elementos são obtidos durante a progressão. Em alguns momentos, achei o sistema um pouco intuitivo como deveria. Nada disso impediu que eu terminasse a demo, mas são pontos que espero que sejam melhor trabalhados até o lançamento.
Gostaria de ver um multiplayer
Se existe uma coisa que eu gostaria muito de encontrar em Stupid Never Dies, seria um modo multiplayer.
O jogo poderia funcionar muito bem com outro personagem acompanhando DavY, seja em multiplayer local ou online. Poderia ser outro personagem da história, um ajudante ou até alguma situação em que dois jogadores controlassem versões diferentes do protagonista. O próprio estilo do combate combina com essa possibilidade.
No multijogador local, uma tela dividida poderia ser uma alternativa, embora eu não seja muito fã desse formato. Outra solução seria trabalhar a câmera de maneira que os dois personagens permanecessem na mesma área sem perder o foco da ação. Seria uma maneira interessante de aproveitar ainda mais o combate e as diferentes transformações disponíveis.

O que achei da prévia dessa demo de Stupid Never Dies
Depois de jogar a demo, percebi que gostei mais de Stupid Never Dies pela história, pelos personagens e pelas situações absurdas do que pelo combate em si. É um jogo que não vai agradar todo mundo. A estrutura de hack and slash com elementos de roguelite, a quantidade de referências e o humor bastante específico podem afastar quem não gosta desse tipo de produção.
Por outro lado, quem gosta de jogos como Lollipop Chainsaw, No More Heroes, Devil May Cry e Hi-Fi Rush pode encontrar algo interessante para jogar.
Eu ainda gostaria que ele tivesse um pouco mais de mundo aberto. O shopping funciona como uma base e existem lojas para explorar limitado, mas fiquei com vontade de ver Davy tendo mais liberdade para circular por outros ambientes.
A movimentação lenta do personagem está mais para uma sátira nas dependências do shopping. O robô aspirador resolve parte disso, contudo, ainda senti que Davy poderia se movimentar melhor.
Mesmo com esses problemas, a demo conseguiu me deixar curioso para ver como essa história vai continuar.
Stupid Never Dies tem uma identidade muito baseada em comédia, referências à cultura pop e situações que passam rapidamente do absurdo para algo ainda mais absurdo. Em um momento você está enfrentando monstros e adquirindo seus poderes; no outro, está descobrindo que aquilo que parecia ser um ovo místico da Fênix tinha uma explicação completamente diferente.

A demo funciona como uma primeira mordida. Para quem nunca ouviu falar do jogo, acredito que vale testar e descobrir se esse humor e esse estilo de combate combinam com você. Enfrentando criaturas do submundo ao lado do seu ursinho lilás de “chaveiro fofinho”.
Stupid Never Dies está previsto para 21 de outubro de 2026, com lançamento para PlayStation 5, Xbox e PC Windows via Steam.
Eu ainda não colocaria um veredito definitivo sobre ele apenas com essa demo. Quero jogar a versão completa antes de dizer se vale colocar o dinheiro nele. Embora, pelo que vi até agora, Stupid Never Dies conseguiu pelo menos uma coisa interessante. Fazer com que eu queira descobrir até onde essa história de zumbis, Fênix, monstros e um protagonista apaixonado vai chegar. Para testar seus limites contra KOM.
