A Square Enix lançou o ports de Final Fantasy X/X-2 HD Remaster para o console do Nintendo Switch 2. Essa é a franquia mais reconhecida globalmente da empresa, considerada uma das principais inspirações para gerações de desenvolvedores no gênero de RPG. Jogamos diversas horas até finalizar o jogo e trazer uma percepção sobre esse clássico.
Fique ciente que o título foi publicado em 23 de julho de 2026. Antes de falar de framerate, preciso situar quem nunca pisou em Spira, o mundo de Final Fantasy X e Final Fantasy X-2, porque essa coletânea não é novidade. É um clássico publicado em diversas plataformas de gerações passadas. Porém, agora desembarca no novo console da Nintendo com um par de features inéditas em videogame.
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O que é essa coletânea, afinal
Final Fantasy X saiu em 2001, no PlayStation 2. Foi o primeiro FF em 3D de verdade, o primeiro com dublagem, e para uma legião de fãs, até hoje é um dos melhores da franquia. Conta a história de Tidus, um jogador de blitzball arrancado do seu mundo e jogado num lugar estranho, e de Yuna, uma invocadora numa peregrinação pra derrotar Sin, uma catástrofe colossal que destrói Spira em ciclos. É um jogo sobre fé, sacrifício e sobre o preço de quebrar um sistema que se sustenta na dor das pessoas.

O sistema de progressão é o Sphere Grid, um tabuleiro gigante de habilidades, e o combate é por turnos com ordem visível, o CTB, que te deixa planejar cada ação em vez de reagir no susto. E tem “To Zanarkand” tocando ao fundo. Quem jogou sabe.
Dois anos depois veio Final Fantasy X-2, sequência direta e bem mais leve no tom. Yuna assume a protagonista, o sistema é de troca de classes em tempo real (as dressspheres), e o jogo é estruturado por porcentagem de conclusão, com múltiplos finais dependendo do que você faz. Um jogo sobre luto. O outro sobre o que vem depois do luto. Amar um e torcer o nariz pro outro é quase um esporte na comunidade, e faz parte da graça de ter os dois no mesmo pacote.
Uma remasterização para agradar os fãs
O HD Remaster que chega agora não é um remake. Guarda essa distinção, porque ela muda a expectativa inteira. Não é a reconstrução do zero que a Square fez em Final Fantasy VII Remake. É a mesma coletânea HD que estreou em meados de 2013, no PlayStation 3 e no PS Vita, e depois passou por PS4, PC, Xbox e o primeiro Nintendo Switch. Modelos, cenários e monstros foram refeitos em HD, a trilha ganhou versões remasterizadas e arranjadas, e o pacote inclui o conteúdo das versões ocidentais: as Dark Aeons, o Penance, chefes opcionais brutais e trechos de história que nunca saíram no Ocidente na era do PS2. São mais de 100 horas somando os dois jogos. É bastante Spira para uma vida.
Vale abrir um parêntese para veterano, porque esse conteúdo global não é enfeite. As Dark Aeons são versões turbinadas dos invocados que aparecem pelo mapa e batem muito mais forte que qualquer chefe da campanha principal. O Penance é o grande chefe que só destranca depois de você limpar todas elas, e derrubar ele é um dos desafios mais duros da franquia inteira. Some a arena de monstros do X e o Last Mission do X-2, e você tem dezenas de horas de conteúdo pós-jogo que a versão ocidental de PS2 nunca recebeu. Quem só conhece a história principal vai encontrar um jogo bem maior do que lembra.
A grande novidade da versão de Switch 2 não está no gráfico. Está na conveniência. Pela primeira vez num console, a coletânea traz o modo de alta velocidade (o Game Boost), o botão para desligar os encontros aleatórios e outros ajustes de qualidade de vida que antes eram exclusividade do PC. Isso muda como imersão de quem vai revisitar o título. “Farmar” não estou citando de “aura ou six-seven“, mas esfera em velocidade dobrada, atravessar um corredor sem parar de dois em dois passos pra brigar com um lobo. Para jogo de 2001, isso não é luxo, é inteligência de desenvolvimento.
Fique ciente aos fãs que desejam comprar o jogo. No Ocidente é digital, a versão física com Game-Key Card só saiu no Japão e chega em agosto. O save do Switch 1 não passa pro Switch 2, são produtos separados na eShop, então quem tem 60 horas na versão antiga começa do zero. E, por enquanto, não há caminho de upgrade anunciado. Some a isso que 2026 marca os 25 anos de Final Fantasy X, e o timing do lançamento se explica sozinho.
Performance no Switch 2: onde mora o assunto da matéria

Agora o que interessa para essa análise é: Rodei o jogo nos dois modos e as diferenças são grandes o suficiente pra merecer duas conversas separadas.
Visualmente, subiu de patamar. As texturas estão mais limpas e os modelos mais definidos do que eu lembrava do original. Não dá para cravar só pelo olho se a Square Enix mexeu na “poligonagem” ou se o ganho vem de uma técnica de anti-aliasing melhor —, aquele tratamento que suaviza o serrilhado das bordas dos objetos, mas o resultado aparece na tela. A própria Square confirma na página oficial que os gráficos de personagens, monstros e cenários foram refeitos em HD com salto grande de resolução, então não é impressão minha. A fluidez da movimentação também melhorou em relação ao que havia no passado. O jogo se mexe mais macio, e isso conta.
E aí vem o ponto curioso, o que me fez sentar pra escrever com atenção redobrada
No modo portátil, o jogo roda a 60fps cravado. Sessenta quadros por segundo, sem oscilação, do jeito que os usuários exigem. Também utilizei no dock, plugado no meu monitor Alienware 4K QD-OLED de 240hz, e o teto passa para 30fps. Alias, antes que isso soe como defeito, adianto o final: é uma troca consciente, e faz todo sentido quando você olha pra carga de trabalho em vez do hardware no papel.
O que define o framerate no jogo não é o refresh de 240hz do monitor. É a resolução de saída. Em portátil, a tela do Switch 2 é 1080p, uma conta de pixels que o console empurra a 60 sem suar. No dock, mandando imagem em um painel 4K, o número de pixels a renderizar praticamente quadruplica. Quatro vezes mais trabalho para desenhar cada quadro. E a minha aposta, que eu entrego como hipótese e não como fato fechado, é que falta DLSS nesse modo. O DLSS é a técnica de empresa de tecnologia que renderiza o jogo numa resolução interna mais baixa e reconstrói a imagem 4K com ajuda de IA, aliviando a GPU sem borrar a tela. O Nintendo Switch 2 tem suporte a ele. Se essa versão não usa DLSS no dock e renderiza 4K no braço, os 30fps travados são exatamente o comportamento esperado. A desenvolvedora preferiu entregar 30 estável a deixar o número oscilando entre 40 e 60. Não é preguiça. É escolha de estabilidade, e é uma escolha que eu respeito.

E estável é a palavra certa. Aqui vai o elogio que sustenta o resto da análise: em nenhum dos dois modos eu tive crash, queda de framerate abaixo do teto nem problema de frame time. Frame time, pra quem não é do vocabulário, é o intervalo entre um quadro e o outro. Quando ele varia, bate aquela sensação de engasgo mesmo com o contador de fps parecendo bonito. Aqui não engasga. Os 30fps do dock são 30fps limpos, sem tremer, com o tempo de quadro constante. Os 60 do portátil, idem. E essa distinção importa mais do que parece: um port pode ter número alto e sensação ruim, porque o frame time está bagunçado por baixo. Esse tem o oposto. Número honesto e sensação equilibra.
Vale um comentário sobre o meu setup para vocês calibrarem a expectativa. Os 240hz do meu monitor não fazem diferença nenhuma aqui, já que o jogo trava o teto bem antes disso. Se o seu painel tiver VRR, a experiência em 30 tende a ficar ainda mais limpa, e o teto continua sendo 30 no dock 4K. A conta é a resolução, sempre. E, sendo justa com o modo dock, a imagem em 4K devolve com juros parte do que se abre mão em quadros: mais nitidez, bordas mais suaves, aquela definição que uma tela grande cobra. Você não está trocando 60 por 30 à toa. Está trocando por pixels. Se essa moeda vale pra você, é o que a próxima seção tenta responder.
Gamerdito (Veredito) Vale a viagem de volta a Spira em Final Fantasy X/X-2 no Switch 2?
Depende de quem você é nessa história. Se nunca jogou, essa é uma das melhores portas de entrada em Final Fantasy que existe, com uma das melhores histórias que a Square já escreveu, e agora com quality of life aparando as arestas mais datadas de um jogo de 2001. Se você joga majoritariamente na mão, melhor ainda: 60fps cravado, Spira no bolso, sem asterisco. Se o plano era jogar na TV grande em 4K, talvez, tenha um percepção diferenciada em relação ao console híbrido. Você troca resolução por metade dos quadros, e só você decide se essa troca compensa paro seu gosto. Pela minha experiência, com a estabilidade que essa versão entrega, ela compensa bem. Principalmente, de uma das franquias mais lendárias da indústria dos games quando o quesito é um verdadeiro jogo de role-playing game (RPG).

Por fim, enfim, o port de Final Fantasy X/X-2 HD Remaster faz o trabalho e faz bem feito para alegria dos fãs. O visual subiu, a base continua sendo uma das melhores da franquia, e a estabilidade é impecável nos dois modos, que no fim é o que separa um port cuidadoso de um port apressado. O 30fps no dock é o único asterisco de uma coletânea que, no resto, respeita o clássico e respeita o console.
