Review | Ariana and the Elder Codex

Um RPG metroidvania, bastante interessante

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O gênero metroidvania continua sendo um dos mais explorados na indústria dos games. Misturando exploração, progressão por habilidades e combate em tempo real, muitos títulos acabam caindo na armadilha da repetição. Ariana and the Elder Codex, desenvolvido pela Compile Heart em parceria com a Idea Factory, surge com a proposta de unir narrativa rica, elementos mágicos e mecânicas clássicas de RPG de ação. Mas será que ele consegue se destacar em um mercado saturado?

Nesta análise completa, vamos explorar os principais aspectos do jogo, história, jogabilidade, gráficos e experiência geral, para entender se ele realmente merece sua atenção. Fique ciente, que o título possui lançamento oficial em 29 de abril de 2026, PC Windows via Steam e disponível no console do Nintendo Switch além do PS4 e PlayStation. Nossa review é baseada na versão de computador cedida pela Idea.

Uma narrativa com potencial, mas execução irregular

A história de Ariana and the Elder Codex gira em torno de Ariana Virellis, uma jovem bibliotecária que vive em um mundo onde o conhecimento não é apenas poder, é literalmente a base da realidade. Os chamados códices governam tudo: desde os elementos naturais até fenômenos essenciais que sustentam a sociedade.

Quando esses códices são corrompidos e a magia do mundo desaparece, Ariana recebe a missão de restaurá-los. Para isso, ela precisa entrar nesses livros e enfrentar desafios internos, enquanto também busca respostas sobre o desaparecimento de seus pais.

A proposta narrativa é interessante e carrega um simbolismo forte sobre conhecimento, sacrifício e equilíbrio. Dentro dos códices, o jogo apresenta pequenas histórias, quase como parábolas, que abordam temas como altruísmo, vingança, honra e dor emocional. Esses momentos são, sem dúvida, os pontos mais altos da narrativa.

No entanto, fora desses mundos internos, o enredo principal sofre com problemas de ritmo. A progressão é lenta e, em muitos momentos, excessivamente expositiva. Longos diálogos e monólogos acabam tornando a experiência cansativa, especialmente pela falta de dinamismo nas cenas, que se apoiam majoritariamente em imagens estáticas.

Além disso, embora exista uma rica construção de mundo com diversos textos e livros opcionais, a forma como essas informações são distribuídas não é equilibrada. O resultado é uma narrativa que oscila entre momentos envolventes e trechos previsíveis, com revelações pouco impactantes no final.

Review | Ariana and the Elder Codex, cena do jogo
Imagem: Compile Heart/Idea Factory

Uma jogabilidade sólida, mas sem inovação

No quesito gameplay, Ariana and the Elder Codex segue a fórmula tradicional de um metroidvania com elementos de RPG de ação. O jogador controla Ariana em um mundo 2D com progressão lateral, enfrentando inimigos, desbloqueando habilidades e explorando novas áreas conforme avança. O combate é baseado no uso de magias elementares, como fogo, água, vento e terra, além de habilidades neutras. Cada magia possui atributos específicos, como tempo de recarga, direção e poder de ataque. O sistema permite equipar diferentes combinações, incentivando certa variedade estratégica.

Um dos destaques é o acúmulo de efeitos elementares nos inimigos. Ao atingir um limite, ocorre uma explosão que causa grande dano em área. Embora essa mecânica seja interessante, ela também acaba tornando o combate desequilibrado, já que muitas batalhas podem ser resolvidas rapidamente com esse recurso. Outro problema é a baixa variedade de inimigos. Após as primeiras horas, o jogador já terá enfrentado praticamente todos os tipos disponíveis, o que reduz significativamente o fator surpresa ao longo da jornada.

Por outro lado, as batalhas contra chefes são um ponto positivo. Elas exigem mais atenção, leitura de padrões e uso estratégico das habilidades, oferecendo desafios mais interessantes do que os encontros comuns. No geral, a jogabilidade é fluida, responsiva e fácil de aprender. No entanto, sua simplicidade pode levar à repetição e à sensação de que o jogo não evolui tanto quanto poderia.

Exploração e progressão

A exploração segue o padrão clássico do gênero: áreas inicialmente inacessíveis que se tornam disponíveis conforme novas habilidades são adquiridas. Isso incentiva o backtracking e a revisitação de mapas anteriores.

O jogo também inclui desafios opcionais, como corridas contra o tempo e combates específicos, que recompensam o jogador com melhorias de atributos e habilidades. Esses elementos ajudam a manter o interesse na exploração.

Apesar disso, a implementação dessas mecânicas é inconsistente. Enquanto o início do jogo apresenta bem essas ideias, o desenvolvimento posterior não mantém o mesmo nível de criatividade, resultando em uma experiência um pouco irregular.

Review | Ariana and the Elder Codex, gameplay do jogo
Imagem: Compile Heart/Idea Factory

Gráficos e direção de arte

Visualmente, Ariana and the Elder Codex aposta em um estilo encantador, com personagens bem desenhados e uma estética que remete a livros ilustrados. Os mundos dentro dos códices possuem uma identidade própria, com cenários que lembram páginas de histórias.

Os efeitos das magias são coloridos e chamativos, contribuindo para combates visualmente agradáveis. No entanto, em alguns momentos, o excesso de efeitos pode dificultar a visualização da personagem em meio à ação.

Outro ponto que pode causar estranheza é a mistura de elementos 2D com cenários em 3D, que nem sempre se integram de forma harmoniosa.

Trilha sonora e áudio

A trilha sonora apresenta uma atmosfera suave e sonhadora, combinando bem com a temática do jogo. Embora não traga músicas particularmente memoráveis, cumpre seu papel de ambientação.

A dublagem, ainda que limitada, é um destaque positivo. Ariana possui uma personalidade energética e determinada, enquanto outros personagens ajudam a dar mais vida à narrativa, mesmo com pouco tempo de tela.

Duração e fator replay

Ariana and the Elder Codex não é um jogo longo. Jogadores que focarem apenas na campanha principal podem finalizá-lo em cerca de 15 horas. No entanto, completar 100% dos códices e explorar todos os segredos pode aumentar significativamente esse tempo.

Ainda assim, o fator replay não é muito alto, já que a experiência tende a ser bastante linear após a conclusão.

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Imagem: Compile Heart/Idea Factory

Gamerdito: Vale a pena jogar Ariana and the Elder Codex?

Ariana and the Elder Codex é um jogo que claramente possui boas ideias e uma base sólida. Sua proposta narrativa, aliada ao conceito dos códices e ao simbolismo do conhecimento, é interessante e diferenciada. No entanto, problemas como ritmo irregular, excesso de diálogos, combate simplificado e falta de variedade impedem que o jogo alcance todo o seu potencial.

Ainda assim, para quem busca uma experiência leve, com visuais encantadores e mecânicas acessíveis, ele pode ser uma boa escolha, especialmente para fãs do gênero metroidvania que não se importam com certa repetição. Embora não reinvente o gênero, Ariana and the Elder Codex entrega uma aventura competente e agradável em vários aspectos. Ele não será lembrado como um marco entre os RPGs de ação, mas consegue entreter e oferecer momentos genuinamente interessantes, principalmente em sua narrativa interna e nas batalhas contra chefes.

Se você procura um jogo curto, visualmente charmoso e com uma proposta narrativa curiosa, vale a pena dar uma chance, desde que esteja preparado para suas limitações.

Marcus Vinicius
Marcus Viniciushttps://www.meugamer.com/
Entusiasta do universo dos animes, mangás e tokusatsu, também escrevo sobre cinema, séries e as principais tendências da cultura pop japonesa e ocidental. Meu propósito é compartilhar análises, curiosidades e novidades que aproximam fãs desse universo, unindo informação, entretenimento e paixão pela cultura geek. Do clássico ao contemporâneo, exploro o impacto de produções que marcaram gerações, discuto teorias, mergulho em personagens inesquecíveis e acompanho de perto os lançamentos que movimentam a comunidade otaku. Além do Japão, também abordo obras e fenômenos globais que moldam a cultura pop, trazendo conteúdos que despertam nostalgia, reflexão e novas descobertas para quem vive intensamente esse mundo.

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