Review | Realm of Ink

Realm of Ink transforma referências conhecidas em uma experiência própria

- Publicidade -

Inspirar-se em grandes sucessos não é novidade na indústria dos videogames. O verdadeiro desafio está em utilizar essas referências como ponto de partida para construir algo capaz de se sustentar por conta própria. É exatamente esse o caso de Realm of Ink, novo roguelite de ação desenvolvido pela Leap Studio. O título publicado no acesso antecipado na plataforma Steam para PC em 2024, recebendo sua atualização “1.0.0” em 26 de maio de 2026 também nos consoles de PS5, Xbox e Switch.

Desde os primeiros minutos, as comparações com Hades são inevitáveis. A câmera isométrica, o ritmo acelerado dos combates, a progressão baseada em tentativas sucessivas e a estrutura narrativa remetem diretamente ao premiado título da Supergiant Games. No entanto, seria injusto resumir Realm of Ink apenas a essa influência.

Ao combinar elementos da cultura chinesa, uma direção artística inspirada em pinturas tradicionais e sistemas profundos de customização, o jogo encontra espaço para desenvolver sua própria identidade dentro de um gênero cada vez mais competitivo.

Review | Realm of Ink
Imagem: Leap Studio

Um mundo construído com tinta, mitologia e fantasia oriental

A história acompanha Red, uma espadachim que descobre estar presa dentro de uma narrativa escrita, iniciando uma jornada para desafiar o próprio destino e desvendar os mistérios que cercam esse universo metaficcional.

Embora a proposta seja interessante, o enredo ainda representa um dos aspectos menos desenvolvidos da experiência. Muitas informações são apresentadas de forma fragmentada, exigindo diversas partidas para que o jogador compreenda melhor os acontecimentos e as motivações dos personagens.

Ainda assim, a ambientação compensa parte dessa deficiência narrativa. O universo criado pela Leap Studio mistura fantasia oriental, literatura chinesa e elementos sobrenaturais em cenários visualmente impressionantes, criando uma atmosfera única que desperta curiosidade constante.

Combate dinâmico e enorme liberdade de personalização

O grande destaque de Realm of Ink está em sua jogabilidade.

Os confrontos são rápidos, responsivos e extremamente satisfatórios. A protagonista possui ataques leves e pesados, esquivas ágeis e acesso a diversas Relíquias de Tinta, habilidades especiais que funcionam tanto como ataques ativos quanto como bônus passivos para a construção da build.

Cada tentativa oferece combinações diferentes de poderes, modificadores, talentos e equipamentos, incentivando a experimentação constante. Além disso, o simpático companheiro Momo acompanha o jogador durante toda a aventura, alterando sua aparência e habilidades de acordo com as relíquias equipadas.

O sistema de progressão também impressiona pela quantidade de possibilidades. Novas formas de combate, personagens alternativos, árvores de talentos permanentes e melhorias para os companheiros garantem um nível de profundidade raramente encontrado em produções independentes do gênero.

Review | Realm of Ink
Imagem: Leap Studio

Direção artística é um espetáculo visual

Se existe um aspecto em que Realm of Ink realmente se destaca, é sua apresentação visual.

Inspirado em pinturas orientais feitas com tinta nanquim e aquarela, o jogo entrega cenários vibrantes, efeitos impressionantes e uma identidade artística que se diferencia imediatamente da maioria dos roguelites disponíveis atualmente.

Cada ambiente parece uma obra de arte em movimento. Os personagens possuem animações fluidas e detalhadas, enquanto os efeitos visuais reforçam a sensação de estar explorando um livro ilustrado vivo.

A trilha sonora e o design de áudio complementam bem a experiência, embora ainda existam pequenos problemas técnicos ocasionais, especialmente relacionados a falhas sonoras durante algumas interações.

Ainda há espaço para evolução

Mesmo oferecendo uma quantidade surpreendente de conteúdo durante o período de acesso antecipado, Realm of Ink ainda apresenta alguns pontos que podem ser aprimorados.

O balanceamento de certas habilidades faz com que algumas construções sejam significativamente mais poderosas do que outras. A narrativa também carece de maior desenvolvimento e clareza em sua apresentação. Além disso, pequenas falhas técnicas, problemas de localização e quedas ocasionais de desempenho ainda podem ser encontrados.

Felizmente, são questões que podem ser refinadas ao longo do desenvolvimento até a versão final.

Review | Realm of Ink
Imagem: Leap Studio

Gamerdito: Vale a pena jogar Realm of Ink?

Realm of Ink demonstra um potencial enorme para se tornar um dos grandes nomes do gênero roguelite. Sua jogabilidade viciante, o impressionante estilo artístico inspirado na cultura oriental e a enorme variedade de builds fazem com que cada partida seja recompensadora.

Mesmo carregando inspirações evidentes de Hades, o jogo consegue encontrar personalidade própria ao investir em um universo visualmente distinto e em sistemas de progressão robustos.

Para fãs de roguelites de ação, trata-se de uma experiência extremamente promissora que já oferece dezenas de horas de conteúdo e deixa claro que ainda há muito espaço para crescer nos próximos meses.

Marcus Vinicius
Marcus Viniciushttps://www.meugamer.com/
Entusiasta do universo dos animes, mangás e tokusatsu, também escrevo sobre cinema, séries e as principais tendências da cultura pop japonesa e ocidental. Meu propósito é compartilhar análises, curiosidades e novidades que aproximam fãs desse universo, unindo informação, entretenimento e paixão pela cultura geek. Do clássico ao contemporâneo, exploro o impacto de produções que marcaram gerações, discuto teorias, mergulho em personagens inesquecíveis e acompanho de perto os lançamentos que movimentam a comunidade otaku. Além do Japão, também abordo obras e fenômenos globais que moldam a cultura pop, trazendo conteúdos que despertam nostalgia, reflexão e novas descobertas para quem vive intensamente esse mundo.

Gamernéfilos, comentem aqui!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.