Produções brasileiras da Netflix crescem 60% em audiência global em 2025

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As produções brasileiras seguem avançando sua presença no catálogo global da Netflix. De acordo com o mais recente Relatório de Engajamento da plataforma, divulgado nesta terça-feira (20), o número de visualizações globais de filmes e séries nacionais cresceu 60% no segundo semestre de 2025, exibindo o apetite do público internacional por histórias produzidas no Brasil.

O dado consolida uma tendência que já vinha se desenhando nos últimos anos: o conteúdo nacional deixou de ser consumido apenas localmente e passou a competir diretamente com produções de grandes mercados, como Estados Unidos, Coreia do Sul e Espanha.

Caramelo se torna o maior sucesso brasileiro da Netflix

Entre os destaques do período está o longa Caramelo, lançado em outubro, que se tornou o título brasileiro de maior desempenho global da história da Netflix. O filme ultrapassou a marca de 50 milhões de visualizações e entrou para o top 15 de títulos mais assistidos do mundo em um semestre, feito inédito para uma produção nacional.

O protagonismo de Rafael Vitti ao lado do vira-lata Amendoim ajudou a impulsionar o engajamento, como o resultado também reflete uma estratégia clara da plataforma em investir em material nacional com apelo universal.

Rafael Vitti e vira-lata Amendoim, protagonistas do longa Caramelo da Netflix
Rafael Vitti e vira-lata Amendoim, protagonistas do longa Caramelo (Crédito: Divulgação/Netflix)

Séries brasileiras ganham força no ranking global

No segmento de séries, Os Donos do Jogo também apresentou desempenho relevante. A produção alcançou 21,6 milhões de visualizações em sua temporada de estreia e figurou entre as 40 séries mais vistas do mundo, demonstrando que o interesse pelo conteúdo brasileiro não se limita ao cinema.

Outros títulos nacionais também se destacaram ao longo de 2025. Sintonia, que chegou à sua temporada final, acumulou 18,9 milhões de visualizações, enquanto DNA do Crime atingiu 22,8 milhões considerando as duas temporadas. Já a minissérie Pssica, gravada no Pará, registrou 14,2 milhões, ampliando a diversidade regional presente no catálogo.

Filmes brasileiros mantêm desempenho consistente ao longo do ano

Considerando todo o ano de 2025, o relatório também aponta boa performance de filmes brasileiros pré-licenciados ou coproduzidos pela Netflix. Além de Caramelo, aparecem entre os mais assistidos:

  • Inexplicável, adaptação literária baseada em uma história real, com 20,6 milhões de visualizações
  • Homem com H, cinebiografia de Ney Matogrosso, que somou 7,6 milhões
  • Viva a Vida, comédia dramática gravada em diversos países, com 7,4 milhões

Os números detalham a versatilidade do cinema nacional, que transita entre drama, biografia e produções com apelo internacional.

Esse avanço também ocorre em um momento de maior visibilidade internacional do audiovisual brasileiro como um todo. O sucesso de Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar em 2025, e a forte recepção crítica de O Agente Secreto, um dos filmes brasileiros mais comentados do ano, ajudaram a ampliar a percepção global sobre a qualidade e a diversidade das produções nacionais. Essa última produção ganhou dois Globos de Ouro em 2026, com Melhor Ator em Filme de drama para Wagner Moura e Melhor Filme em Língua Não Inglesa.

Embora não sejam títulos da Netflix, essas conquistas funcionam como um efeito indireto de alavancagem, despertando curiosidade e ampliando o interesse do público internacional por obras brasileiras em diferentes plataformas.

Outros destaques globais mostram força do conteúdo local

O relatório também evidencia como produções regionais seguem dominando o consumo global. Guerreiras do K-Pop liderou o ranking geral com impressionantes 482 milhões de visualizações, tornando-se o título mais assistido em um período de seis meses na história da plataforma.

No campo das séries, o retorno de Stranger Things manteve sua força, com 94 milhões de visualizações na temporada final e 275 milhões somando todas as cinco temporadas. Já a segunda temporada de Wandinha liderou entre as séries, alcançando 124 milhões.

A Coreia do Sul segue como um dos mercados mais consistentes da Netflix, com títulos como A Grande Inundação (66 milhões) e a temporada final de Round 6 (79 milhões), enquanto países como Japão, Dinamarca e Espanha também emplacaram produções relevantes no ranking global.

Brasil se consolida como pilar estratégico da Netflix

No fim das contas, o crescimento dos 60% da audiência global ajudam a ilustrar algo que já vinha ficando claro fora das planilhas. Histórias brasileiras deixaram de circular apenas dentro do próprio território e passaram a viajar com mais naturalidade pelo catálogo global. Seja por curiosidade, reconhecimento crítico ou simples identificação, o público internacional passou a olhar com mais atenção para o que o Brasil tem a contar — e isso se reflete no consumo.

Nesse contexto, o relatório funciona menos como um ponto de chegada e mais como um retrato de um momento em que o Brasil começou, de fato, a ocupar espaço.

PlayTV e Ubisoft firmam parceria para exibição de conteúdos gamers

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A PlayTV anunciou uma parceria inédita com a Ubisoft para a exibição de conteúdos da Ubisoft TV em sua grade de programação no Brasil. A nova faixa estreia na segunda-feira (26), às 19h, e contará com uma seleção de programas que misturam entrevistas, humor e cultura gamer.

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Entre os conteúdos que passam a integrar a grade estão:

  • Ubi Talk Show — talk show apresentado por Totoro (ex-Porta dos Fundos) com entrevistas, bastidores da indústria dos games e conversas sobre cultura pop.
  • Ubi Dub — série em formato de dublagem de jogos da Ubisoft, como Assassin’s Creed, conduzida por Marcos Rossi, combinando humor e referências às franquias.
  • Piores Jogadas — apresentado por Rato Borrachudo e Mary Nery, explora momentos “desastrosos” e icônicos do universo gamer com participação da comunidade.
  • Bloco de Destaques Semanais — recorte semanal dos principais lançamentos e eventos do universo Ubisoft.
  • Replays & Easter Eggs — quadro dedicado a curiosidades, easter eggs e detalhes escondidos nos jogos da Ubisoft.
  • Painel de Criadores — espaço com participações rotativas de influenciadores e criadores brasileiros para debater tendências dos games.
PlayTV e Ubisoft TV apresentadores dos novos conteúdos
(Reprodução)

A iniciativa amplia a presença da Ubisoft na televisão brasileira e visando o posicionamento da PlayTV como um hub de convergência entre TV, internet e comunidade gamer. Os conteúdos serão exibidos em TV aberta via satélite, TV por assinatura e canais FAST, além de ações complementares nas plataformas digitais do canal e dos criadores envolvidos.

2ª temporada do anime Trapped in a Dating Sim: The World of Otome Games is Tough for Mobs chega em 2026

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Mais de três anos após o anúncio inicial de sua continuação, a segunda temporada de Trapped in a Dating Sim: The World of Otome Games is Tough for Mobs finalmente ganhou novidades concretas. O site oficial do anime confirmou que a nova temporada está prevista para estrear ainda este ano, além de divulgar uma ilustração inédita que marca o retorno da obra.

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A produção segue sob responsabilidade do estúdio ENGI, com Kazuya Miura (Unnamed Memory) assumindo novamente a direção. A composição da série fica a cargo de Kenta Ihara (Sentenced to Be a Hero), enquanto o design de personagens e a direção-chefe de animação serão assinados por Masahiko Suzuki (I’m the Evil Lord of an Intergalactic Empire!). E a trilha sonora será composta pela dupla Kana Hashiguchi e Sho Aratame, mantendo a identidade musical da franquia.

2ª temporada do anime Trapped in a Dating Sim: The World of Otome Games is Tough for Mobs em algum momento de 2026.
Imagem: Studio ENGI

Além disso, a equipe técnica conta ainda com nomes experientes da indústria. Tetsuya Watanabe assume a direção de CG, Ryosuke Kawai é o responsável pela direção de arte, Miho Hasegawa cuida do design de cores e Shinichi Yoneya lidera a direção de fotografia. A edição fica por conta de Yusuke Ueno, enquanto Takatoshi Hamano dirige o som, com Yui Ando responsável pelos efeitos sonoros.

Atualmente, a Crunchyroll disponibiliza a primeira temporada do anime em seu catálogo e descreve a história como a de um assalariado que, após reencarnar em um mundo inspirado em jogos otome, passa a usar seu vasto conhecimento desse tipo de jogo para sobreviver em uma realidade onde personagens secundários enfrentam desafios constantes.

2ª temporada do anime Trapped in a Dating Sim: The World of Otome Games is Tough for Mobs chega em 2026
Imagem: Studio ENGI

Com o retorno da equipe principal e uma produção mais bem definida, a segunda temporada de Trapped in a Dating Sim: The World of Otome Games is Tough for Mobs promete expandir ainda mais seu universo satírico e reforçar seu apelo entre os fãs do gênero isekai.

Sinopse de Trapped in a Dating Sim: The World of Otome Games is Tough for Mobs:

“Um assalariado usa seu conhecimento de jogos otome após reencarnar num mundo conhecido!”

Primeiras impressões | Frieren e a Jornada para o Além (2ª temporada)

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Voltar a Frieren e a Jornada para o Além (Sousou no Frieren) nunca foi apenas dar play. Trata-se de uma experiência que exige atenção, silêncio e sensibilidade. O primeiro episódio da segunda temporada deixa isso evidente desde seus momentos iniciais: a série retorna de maneira discreta, sem alarde, sem urgência e sem a necessidade de reafirmar sua própria relevância. E, justamente por isso, funciona.

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A estreia não busca reinventar a obra, e essa decisão se revela seu maior acerto. Ao invés de rupturas bruscas, o episódio aposta na continuidade emocional e narrativa, aprofundando personagens que antes orbitavam o centro da história. O resultado é um retorno seguro, maduro e quase impecável.

Continuidade narrativa como escolha consciente

Narrativamente, o episódio espelha a essência da primeira temporada. A jornada segue calma, os diálogos são econômicos e os enquadramentos convidam à introspecção. Para parte do público, essa familiaridade pode soar como repetição. Para outros, é justamente esse ritmo constante que define a identidade da obra.

Frieren e a Jornada para o Além entende que seu maior valor está na constância. O anime não se apoia em reviravoltas ou conflitos grandiosos, mas na construção de significado a partir do tempo, das memórias e das pequenas ações. Ainda assim, existe um risco evidente: manter-se fiel demais ao próprio estilo pode afastar quem esperava sinais mais claros de evolução logo na abertura da temporada.

O roteiro, no entanto, utiliza essa base conhecida para deslocar o foco emocional. Frieren continua observadora, Fern permanece sensível, mas é Stark quem assume o peso dramático da narrativa neste episódio.

Primeiras impressões | Frieren e a Jornada para o Além (2ª temporada), protagonista em cena interessante
Imagem: Madhouse

Stark assume o protagonismo emocional

Se a primeira temporada deixou Stark em segundo plano, a estreia da segunda corrige isso com precisão. Preso em uma caverna que anula magia, ele se torna o único obstáculo entre seus companheiros e a morte. Não há heroísmo idealizado, apenas medo, responsabilidade e escolha.

A decisão de fugir carregando Frieren e Fern comunica mais sobre coragem do que qualquer combate. O episódio acerta ao não romantizar o ato: fugir não é covardia, é sobrevivência. Essa leitura mais humana do heroísmo aproxima Stark, de forma quase inevitável, da figura de Himmel, ainda que ele próprio talvez não perceba isso. Frieren percebe. O espectador também.

Fern, simbolismo e emoções contidas

Fern segue como um dos personagens mais sutis da série. Sua construção emocional evita diálogos explicativos e aposta em símbolos visuais: o bracelete, a flor de lótus, os silêncios e os olhares desviados. Frieren nunca facilitou sua leitura, e isso se mantém aqui.

A relação entre Fern e Stark evolui de forma delicada, sem avanços abruptos. Para quem busca respostas rápidas, a lentidão pode gerar frustração. Porém, é justamente esse ritmo que confere autenticidade à conexão entre os dois.

Frieren observa tudo à distância, marcada pela melancolia de quem associa o amor à perda. O episódio deixa uma questão incômoda no ar: até que ponto ela permite que os outros vivam experiências emocionais que ela própria nunca resolveu enfrentar?

Primeiras impressões | Frieren e a Jornada para o Além (2ª temporada), personagens em momento hilário
Imagem: Madhouse

Direção, animação e trilha: excelência sem excessos

Mesmo com mudanças na direção, a identidade visual da obra permanece intacta. As alterações são sutis: personagens aparentam maior maturidade, o tempo se reflete nos detalhes e na encenação, sem comprometer a imersão. A animação não busca superar a temporada anterior, e não precisa.

A trilha sonora de Evan Call segue como um dos pilares da série. Discreta e precisa, ela sustenta as emoções sem conduzi-las de forma artificial. A abertura pode não causar impacto imediato, mas o encerramento é forte, sensível e fecha o episódio com elegância.

Se há uma ressalva técnica, ela reside na segurança excessiva. Frieren e a Jornada para o Além joga em um território que domina plenamente. Para quem esperava um salto estético ou narrativo logo na estreia, será necessário um pouco mais de paciência, especialmente até que arcos mais ambiciosos entrem em cena.

Resident Evil Requiem abre pré-venda da edição física no Brasil

A pré-venda da edição física de Resident Evil Requiem já está ativa no Brasil. O novo capítulo da franquia pode ser reservado em grandes varejistas online, com opções para quem busca garantir o jogo antes do lançamento oficial. Como o MeUGamer está sempre atento em orientar seus leitores — os gamernéfilos —, listamos abaixo lojas com preços considerados atrativos.

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Em nome da transparência e por se tratar de um veículo independente, o site pode receber alguma comissão caso o leitor opte por adquirir o jogo por meio de nossos links. No entanto, não há qualquer remuneração, parceria ou incentivo direto por parte de publicadoras ou desenvolvedoras, o que assegura a isenção editorial e afasta qualquer influência indevida que possa conduzir o leitor a uma decisão de compra.

Resident Evil Requiem (edição física)

Entre as opções disponíveis está a Amazon, que trabalha com várias ofertas com descontos de última hora precificando o jogo. Na prática, isso garante que o consumidor não pague mais caro caso o valor do produto seja reduzido antes do envio. A versão para PlayStation 5 já aparece listada no catálogo da loja.

Além da Amazon, a pré-venda também pode ser encontrada na KaBuM!, e nos marketplaces como Mercado Livre e Shopee, por meio de lojas especializadas em jogos, ampliando as opções para quem prefere diferentes condições de pagamento ou envio. Os valores da mídia física variam, ficando atualmente na faixa entre R$ 315 e R$ 359, dependendo da loja e das condições de venda. Todos os itens podem ser parcelados no cartão de crédito e desconto no PIX.

Resident Evil Requiem apresenta Grace Ashcroft e Leon Kennedy como protagonistas, equilibrando ação e horror de sobrevivência. A experiência permite alternar entre visão em primeira e terceira pessoa, oferecendo mais imersão ou dinamismo conforme a situação. Leon se destaca pelo combate direto e uso variado de armas, enquanto Grace enfrenta o terror com recursos limitados, decisões estratégicas e foco em sobrevivência. A narrativa conecta os personagens por meio do mistério chamado Elpis, enquanto os zumbis exibem comportamentos incomuns. O jogo também conta com diferentes níveis de dificuldade, que influenciam diretamente o gerenciamento de recursos e a tensão da jornada.

Por fim, RE:9 tem lançamento marcado para 27 de fevereiro de 2026, com versões confirmadas para PlayStation 5, Xbox Series, Switch 2 e PC via Steam e GeForce Now. O título representa o nono jogo principal da série e inaugura uma nova fase do survival horror da Capcom.

Primeiras impressões | Journal with Witch (Ikoku Nikki)

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Embora o nome de Tomoko Yamashita ainda não seja amplamente reconhecido pelo grande público ocidental, a autora ganhou maior visibilidade fora do Japão com a adaptação em anime de The Night Beyond the Tricornered Window (Sankaku Mado no Sotogawa wa Yoru), exibida em 2021. Apesar de a animação ter ficado aquém da complexidade e da sutileza do material original, ela funcionou como um ponto de inflexão para que o trabalho da autora passasse a ser mais observado internacionalmente. Agora, alguns anos depois, Yamashita retorna ao anime com Journal with Witch, obra originalmente publicada na revista FEEL YOUNG, da editora Shodensha.

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A premissa inicial é simples, mas carregada de peso emocional: Asa, uma adolescente de 15 anos, perde os pais em um acidente e passa a viver com Makio, sua tia materna. A partir desse ponto, Journal with Witch constrói uma narrativa intimista que vai muito além do luto, explorando temas como deslocamento emocional, solidão, convivência forçada e a construção gradual de vínculos afetivos entre duas pessoas que, apesar do laço familiar, são praticamente estranhas uma à outra.

Logo na introdução, antes mesmo da abertura, o anime demonstra uma maturidade narrativa impressionante. A cena inicial mostra Asa e Makio em um momento cotidiano no futuro, quando já existe certa convivência entre elas. O tom leve, quase descontraído, contrasta com o desconforto silencioso presente em pequenos gestos, pausas e olhares. A direção acerta ao comunicar essa estranheza sem recorrer a diálogos explicativos, permitindo que o espectador perceba, junto com Asa, o quanto aquele ambiente ainda é estranho e emocionalmente instável.

Primeiras impressões | Journal with Witch (Ikoku Nikki), personagens do anime conversando
(Reprodução)

A relação entre Makio e sua falecida irmã, mãe de Asa, é apresentada de forma crua e desconcertante. Makio não esconde seu ressentimento, nem mesmo no velório, em uma cena que mistura tragédia e humor amargo. Essa franqueza brutal define muito bem sua personalidade: introvertida, emocionalmente fechada e socialmente deslocada. Incapaz de expressar sentimentos de maneira convencional, Makio recorre a ações práticas, como oferecer comida, quando não sabe o que dizer. Ainda assim, mesmo declarando não querer Asa por perto, ela estabelece um limite ético muito claro: a garota não será humilhada, ignorada ou tratada como um fardo.

É justamente nessa contradição que Journal with Witch encontra sua força. Makio não acolhe Asa por obrigação afetiva, mas por reconhecer nela alguém que, assim como ela, conhece profundamente a solidão. Essa identificação silenciosa é simbolizada visualmente pela recorrente metáfora do deserto, um espaço vasto, isolado e sufocante. A obra sugere que, embora ambas estejam acostumadas a caminhar sozinhas, talvez essa jornada não precise continuar dessa forma.

A escrita de Tomoko Yamashita se destaca por sua delicadeza e economia. Em vez de verbalizar sentimentos óbvios, a autora conduz o leitor, e agora o espectador, a compreendê-los por meio de imagens, silêncios e pequenos gestos. A adaptação em anime capta essa essência com precisão, especialmente em cenas como a conversa sobre o diário, onde se discute a liberdade de não registrar tudo, de esconder ou até mentir. O foco não está na obrigação da expressão, mas na autenticidade do sentimento.

Primeiras impressões | Journal with Witch (Ikoku Nikki), personagens do anime reclamando
© Journal with Witch (Ikoku Nikki)

Visualmente, o anime é belíssimo. Produzido pelo estúdio Shuka, conhecido por trabalhos consistentes e cuidadosos, Journal with Witch se beneficia de uma direção sensível e atenta aos detalhes. Sob a direção geral de Miyuki Ooshiro, em sua estreia nessa função, o episódio inicial impressiona pela composição de cenários, pelo uso expressivo dos espaços e pela familiaridade que o ambiente doméstico transmite em pouco tempo. A casa de Makio, com sua bagunça e personalidade, rapidamente se torna um espaço vivo e significativo.

A direção também se destaca pela forma como acompanha o olhar de Asa. O espectador explora os ambientes junto com a personagem, compartilhando sua curiosidade cautelosa e suas percepções silenciosas. Essa escolha reforça a empatia e respeita a proposta narrativa da obra original, que confia na sensibilidade do público para interpretar emoções não ditas.

Primeiras impressões | Journal with Witch (Ikoku Nikki), personagens do anime pensativo
© Journal with Witch (Ikoku Nikki)

Journal with Witch estreia como um exemplo raro e valioso de adaptação bem-sucedida de uma obra josei. Sensível, visualmente refinado e emocionalmente honesto, o anime demonstra que histórias voltadas à demografia feminina podem, e devem, receber produções cuidadosas e artisticamente comprometidas. O primeiro episódio é tocante, poético e profundamente humano, deixando claro que estamos diante de uma obra que valoriza sentimentos sutis e relações construídas com tempo, silêncio e respeito. Além disso, o anime está sendo exibido na plataforma da Crunchyroll.

Primeiras Impressões | Jujutsu Kaisen (3ª temporada)

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Se ainda existia qualquer incerteza sobre o impacto do retorno de Jujutsu Kaisen após os conhecidos desafios de produção enfrentados na segunda temporada, os primeiros minutos da estreia dupla tratam de dissipar completamente essa dúvida. A nova fase da obra não se apresenta apenas como continuidade narrativa, mas como uma declaração clara de ambição artística. Estamos diante do retorno de uma das franquias mais influentes da animação recente, e seu nível técnico permanece extremamente elevado.

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Desde a cena inicial, o estúdio MAPPA demonstra total domínio de sua proposta visual. Os episódios apostam em cenários densos, uso expressivo de sombras e uma paleta de cores que intensifica o clima de caos e instabilidade. A atmosfera é opressiva, transmitindo a sensação constante de perigo e urgência. As sequências de ação vão além do espetáculo visual: possuem peso, fluidez e clareza de leitura, elementos fundamentais para uma obra marcada por confrontos intensos e energia descontrolada.

Primeiras Impressões | Jujutsu Kaisen (3ª temporada) e personagem em ação épica
© Jujutsu Kaisen Shimetsu Kaiyuu – Zenpen

Direção artística e animação como pilares narrativos

A direção artística se consolida como um dos grandes destaques dessa estreia. Cada enquadramento parece calculado para gerar impacto emocional, alternando entre planos fechados, que ampliam a tensão psicológica, e planos abertos, que reforçam a escala do conflito e o sentimento de desordem. Mesmo nos momentos mais silenciosos, há uma percepção constante de movimento. A animação não desacelera, mantendo o espectador imerso do início ao fim.

O cuidado com detalhes técnicos é evidente: expressões faciais sutis, deformações de cenário durante os combates e transições fluidas contribuem para uma experiência visual consistente e envolvente. Tudo trabalha em conjunto para sustentar a intensidade que se tornou marca registrada da série.

Trilha sonora e design de som elevam a tensão

A trilha sonora segue desempenhando um papel essencial na construção da identidade de Jujutsu Kaisen. Mais do que acompanhar as cenas, ela atua como ferramenta narrativa, utilizando batidas graves, sons distorcidos e composições minimalistas para reforçar a sensação de ameaça constante. O design de som merece destaque especial: impactos soam pesados, golpes reverberam e o silêncio é usado de forma estratégica para causar desconforto.

Em diversos momentos, a ausência de música se mostra tão eficaz quanto sua presença, criando pausas inquietantes que antecedem explosões de violência ou tensão dramática.

Primeiras Impressões | Jujutsu Kaisen (3ª temporada)  com ação de impacto de personagem
© Jujutsu Kaisen Shimetsu Kaiyuu – Zenpen

Narrativa mais madura e confiante

O arco Shimetsu Kaiyuu – Zenpen, conhecido como Migração à Extinção (ou Culling Game, ou Jogo do Abate) demonstra maturidade ao evitar explicações excessivas ou longas recapitulações. A obra assume que o público já domina seu universo, adotando uma postura mais direta e confiante. Essa escolha fortalece o ritmo da narrativa e aprofunda o impacto emocional das decisões dos personagens.

O tom é visivelmente mais sombrio e desesperador do que na temporada anterior, deixando claro que as consequências agora são ainda mais severas do que aquelas apresentadas no aclamado arco do Incidente de Shibuya.

Expectativas para os próximos episódios

A estreia dupla entrega exatamente o que se espera de um retorno desse porte, e vai além. Com excelência técnica, identidade visual marcante e direção segura, Jujutsu Kaisen reafirma seu status como fenômeno global e referência artística do anime contemporâneo. Se este início já estabelece um padrão tão elevado, o que vem pela frente promete ser intenso, brutal e absolutamente memorável.

Futebol da SEGA segue o caminho do Football Manager e deixa o Brasil de fora

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SEGA Football Club Champions 2026 (SFCC) chega em 22 de janeiro como a nova aposta da SEGA em jogos de gestão de futebol. Baseado na franquia japonesa SakaTsuku e usando sistemas do Football Manager, o jogo foca em administração de clubes, mas não terá lançamento oficial no Brasil. Ao menos na versão para PC Windows, os detalhes não estão em português; já na versão para dispositivos móveis, como Android, há suporte ao idioma. A franquia já tem 30 anos.

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O jogador assume o papel de dirigente, tomando decisões sobre contratações, treinos, formação do elenco, infraestrutura e estratégia. O desempenho do time depende dessas escolhas, não do controle direto das partidas.

Clubes reais e dados oficiais

O jogo utiliza dados oficiais da FIFPRO e da FIFA, incluindo clubes licenciados como o Manchester City, o que garante presença de jogadores reais e partidas mais próximas da realidade. Ligas confirmadas incluem a J League (Japão) e a K League (Coreia do Sul), enquanto outras regiões aparecem em imagens promocionais, mas sem confirmação oficial dos nomes licenciados. Segundo o site oficial do jogo, são aproximadamente mais de 1500 atletas dos clubes da Liga Japonesa da primeira e terceira divisão além da Coreia do Sul. À medida que o jogo vai ganhando visibilidade eles podem licenciar outros atletas.

Os países também com ligas confirmadas são: Itália, Portugal, Espanha e Alemanha. Esses foram os que consegui identificar em vídeos, já que o site oficial não detalhou a lista completa antes do lançamento. Muitos jogadores famosos estão no jogo graças à parceria com a FIFPRO, mesmo que nem todos os clubes estejam necessariamente licenciados.

SEGA Football Club Champions 2026 jogadores oficiais do jogo
A imagem foi extraída do canal SiMaggio na época do teste beta.

Por que o Brasil fica de fora

Existem alguns motivos prováveis para a ausência do Brasil:

  • Concorrência com o Football Manager, que já tem base consolidada de fãs no país.
  • Falta de localização para português brasileiro, mesmo com suporte a vários idiomas no Steam, o jogo não inclui PT-BR.

Na prática, a SEGA optou por focar em mercados onde o jogo teria maior adesão inicial e não precisaria disputar diretamente com o FM no Brasil.

Gratuito e multiplataforma

O jogo SEGA Football Club Champions será gratuito para jogar, com suporte a cross-play e cross-platform, permitindo partidas entre jogadores de PC, consoles e dispositivos móveis. O lançamento está previsto para 22 de janeiro de 2026, com requisitos técnicos modestos no PC, facilitando o acesso a jogadores com hardware mais simples. A seguir confira os requisitos mínimos e recomendados do jogo.

Requisitos para jogar SEGA Football Club Champions 2026

Mínimos:

  • Sistema operacional: Windows 11 (64 bits)
  • Processador: Intel Core i3-7350K / AMD Ryzen 3 1200
  • Memória: 8 GB de RAM
  • Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 750 / AMD Radeon RX 550
  • DirectX: Versão 11
  • Armazenamento: 10 GB disponíveis

Recomendados:

  • Sistema operacional: Windows 11 (64 bits)
  • Processador: Intel Core i5-8400 / AMD Ryzen 3 4100
  • Memória: 16 GB de RAM
  • Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1070 / AMD Radeon RX 5500 XT
  • DirectX: Versão 12
  • Armazenamento: 10 GB disponíveis

Uma aposta global, mas seletiva

Mesmo com uma proposta global e um nome forte por trás, SEGA Football Club Champions chega ao mercado repetindo uma decisão que frustra parte do público brasileiro. Resta saber se, assim como já aconteceu em outros casos, o jogo poderá receber suporte ou distribuição oficial no país no futuro.

Por enquanto, o futebol da SEGA segue um caminho já conhecido que conhecemos nos últimos anos grande ambição, gestão profunda e emoção no futebol.

O Cavaleiro dos Sete Reinos já está disponível na HBO Max

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A série O Cavaleiro dos Sete Reinos já está disponível na HBO e na plataforma de streaming da HBO Max nessa página. A produção estreia com lançamento semanal e tem seis episódios confirmados para a primeira temporada.

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Derivada do universo de Game of Thrones, a série adapta os contos de Dunk e Egg, escritos por George R. R. Martin, e acompanha as jornadas de um cavaleiro errante e seu jovem escudeiro por Westeros.

Com a assinatura do HBO Max, os espectadores já podem assistir ao primeiro episódio sob demanda, além de acompanhar os próximos capítulos conforme forem liberados no streaming. O catálogo também reúne outras produções do universo de Westeros, disponíveis para maratona.

O cronograma dos episódios foi publicado em outro artigo e seguirá sendo atualizado conforme novas informações oficiais.

Cronograma completo de episódios de O Cavaleiro dos Sete Reinos – Temporada 1

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A primeira temporada de O Cavaleiro dos Sete Reinos série dentro do universo de Game of Thrones terá 6 episódios, lançados semanalmente. A estreia acontece no Brasil na virada do dia 18 para 19 de janeiro de 2026, considerando o horário de Brasília, por conta da diferença de fuso em relação aos Estados Unidos.

Até o momento, a HBO e o Max não confirmaram um horário fixo para a liberação dos episódios no Brasil. Por isso, o cronograma abaixo considera apenas o dia de estreia, que pode sofrer ajustes ao longo da temporada.

Cada episódio deve ter duração aproximada entre 35 e 40 minutos, com pequenas variações conforme a exibição.

Cronograma de episódios de “O Cavaleiro dos Sete Reinos” (A Knight of the Seven Kingdoms) – Temporada 1

Episódio 1
Título original: The Hedge Knight
Data de lançamento (EUA): 18 de janeiro de 2026
Duração aproximada: 42 minutos
Observação: estreia da série

Episódio 2
Título original: Hard Salt Beef
Data de lançamento (EUA): 25 de janeiro de 2026
Duração aproximada: 33 minutos

Episódio 3
Título original: a confirmar (a confirmar)
Data de lançamento (EUA): 1 de fevereiro de 2026
Duração aproximada: 31 minutos

Episódio 4
Título original: a confirmar (a confirmar)
Data de lançamento (EUA): 8 de fevereiro de 2026
Duração aproximada: 34 minutos
Observação: a data pode sofrer alteração por conta do Super Bowl, com possibilidade de antecipação ou ajuste no cronograma

Episódio 5
Título original: a confirmar (a confirmar)
Data de lançamento (EUA): 15 de fevereiro de 2026
Duração aproximada: 37 minutos

Episódio 6
Título original: a confirmar (a confirmar)
Data de lançamento (EUA): 22 de fevereiro de 2026
Duração aproximada: 31 minutos
Observação: final da temporada

A possibilidade de alteração no cronograma por causa do Super Bowl não é inédita. Durante a primeira temporada de The Last of Us, a HBO antecipou a exibição de um episódio para a sexta-feira, evitando a concorrência direta com o evento esportivo, que concentra grande parte da audiência nos Estados Unidos.

Por esse motivo, as datas listadas acima devem ser consideradas sujeitas a ajustes. À medida que novas informações forem divulgadas, este cronograma será atualizado com as datas definitivas para o Brasil, além dos títulos oficiais dos episódios em português do Brasil e das sinopses completas de cada capítulo.