Recentemente foi informado que a rede Cinemark de cinemas exibiu uma animação brasileira por inúmeras vezes como parte da cota de filmes brasileiros e incentivo. Porém, questionaram que a escolha foi somente desta animação, que é curta, não dando espaço para outras produções nacionais.
Contudo, parece algo nefasto, mas as empresas não são obrigadas a exibirem todos os filmes nacionais lançados, apenas aqueles que negociaram exibições. Neste âmbito não há como dizer que existem ilegalidades, visto que os cinemas vivem dos lucros dos seus espectadores. Salas vazias geram prejuízos e não lucro. O jornalismo atual parece ser mais abstrato que algo que tenha o objetivo de trazer uma verdade sem sensacionalismo.
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Quando o Google removeu o MeUGamer por quase 3 anos da primeira página, devido ao algoritmo que prejudicou milhares de sites médios que trazem um jornalismo independente. A Alphabet agindo como editor não pensou nas famílias que teriam problemas futuros. O mesmo equivale aos cinemas: sem lucro, não há ganhos e há demissões. Negociar com produtoras gera custo, e o menor custo muitas das vezes é mais viável que a qualidade. Isto evita demissões em massa e prioriza produções que realmente o público está procurando assistir. Lembrando que não é desqualificar a produção nacional.
Porém, os usuários do cinema buscam normalmente blockbusters e produções que despertaram o interesse antes mesmo de adentrarem nas salas. Não é como nos anos 90 e 2000, que você ia ao cinema e buscava o que estava passando para assistir ou lia jornais locais impressos. A verdade é que, com a facilidade dos agregadores de sessões e plataformas de vídeos, o cliente encontra aquele filme que melhor lhe agrada.
A cota de tela é válida e apoia produções para terem espaço maior nas exibições dos cinemas brasileiros. O que não pode é deixar o tempo ocioso para tentar cobrir os 16% exigidos sem um público que tenha interesse em assistir determinadas produções. A prática aplicada pela rede de cinema pode ser algo que não agrade alguns vieses, mas não é ilegal. Pois, o texto da ANCINE define que a programação deve ser “formada, predominantemente, por obra de longa-metragem“. Outra alegação são os horários exibidos, considerados não nobres. Evidentemente, qualquer cinema — basta acessar agregadores de sessões — verá que os horários de maior fluxo estão ocupados pelos principais lançamentos da semana.
Nenhuma rede deixará de lucrar para adicionar a cota de tela, sabendo que o público é quase zero dependendo da produção exibida. Quando estava finalizando esta publicação, recebi a informação de que a rede Cinemark reduziu em 65% a exibição da animação, provavelmente após receber alguma notificação direta de órgãos interessados. O estímulo ao cinema nacional é apoiado por nós, mas que não venha prejudicar empregos. Apesar dessas empresas terem acordos com reduções de impostos, talvez não seja suficiente para fechar seus caixas.
Por fim, que as empresas encontrem soluções viáveis para exibir filmes nacionais de forma satisfatória para todos os lados, inclusive para quem assiste.
