Crítica – Homem-Aranha: Um Novo Dia

Analisamos o novo filme do herói com destaque para ação, roteiro, elenco e referências

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Homem-Aranha: Um Novo Dia é o quarto filme do Amigão da Vizinhança protagonizado por Tom Holland, agora sob a direção de Destin Daniel Cretton, que já havia comandado Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. O desafio da atual produção é entregar algo inovador, algo que fizesse sentido para o rumo da franquia. E falo isso como alguém que essa franquia levou ao cinema mais de três vezes no mesmo dia, emendando sessões só para assistir, lá na época do primeiro Homem-Aranha com Tobey Maguire.

Peter Parker retorna em um mundo diferente em relação seus feitos passados, com exceção de MJ (Zendaya) e do seu grande amigo Ned (Jacob Batalon) que não o reconhecem como antes. É uma vida pacata, marcada por arrependimentos e por uma necessidade de superação, em que ele precisa seguir esse novo dia, esse novo mundo que a trama impôs. O filme constrói um Aranha diferente do melancólico e frustrado que se poderia esperar. Um herói tentando reconhecer sua própria identidade e decidir o que realmente deve fazer. Continuar sendo aquele salvador que todos enxergam, ou recuar e cuidar também de si mesmo, sem abandonar a preocupação com os outros. Essa tensão é o eixo temático do filme, sustentada por diversas referências ao longo da trama.

Direção e cenas de ação

Quando observei as cenas em que o Aranha se desloca pela cidade, cheguei a pensar que estava assistindo a outra produção. É uma das melhores sequências de todos os filmes já feitos do personagem. Cretton conseguiu construir uma passagem de prédio em prédio através da teia extremamente imersiva, com poucas falhas de continuidade, ficando o cenário de fundo como o único ponto de instabilidade nas cenas de luta.

Quem jogou Marvel’s Spider-Man 2 vai notar uma comparação clara entre as cenas de combate do filme e os confrontos contra os capangas do Kraven no jogo, principalmente nas sequências envolvendo veículos. Na minha visão, fica evidente uma inspiração no trabalho da Insomniac Games. Isso mostra como a Sony entendeu que elementos dos games podem ser adaptados para o cinema e funcionar muito bem.

A ação segue esse padrão ao longo do filme. O Tentáculo famosa organização de ninjas malignos conhecidos por atividades criminosas e mercenárias, no momento do embate entre o nosso herói e os capangas, entregam uma coreografia bem executada e bonita, ainda que com uma ou outra falha de costura entre planos. O Aranha aparece usando poderes novos, resultado de uma reformulação praticamente completa do seu DNA: mais força, mais transformação, sentido aranha expandido para muito além do que já vimos. É um caminho que acredito que a franquia deva explorar mais nos próximos filmes.

Vale registrar também a escolha de conter a agressividade do Justiceiro. Frank Castle (Jon Bernthal) aparece quase como uma dupla do Homem-Aranha, sem o tom do Demolidor. Sua cena mais agressiva é justamente contra o Hulk (Mark Ruffalo), que suporta o impacto de projéteis sem que isso empurre a classificação etária do filme para cima, o que prejudicaria a bilheteria.

Referências aos games e filmes anteriores

Joguei Spider-Man de ponta a ponta, platinei o jogo, passei muitas horas ali dentro, e é com essa bagagem que digo; Homem-Aranha: Um Novo Dia carrega referências evidentes ao game. Um elemento interessante nessa nova produção do longa-metragem é o abandono da teia sintética disparada pelo aparelho e a chegada da teia orgânica, saindo diretamente do corpo do próprio Peter. É uma referência direta ao primeiro Homem-Aranha do cinema, o de Tobey Maguire. O filme explora o aprendizado desse novo poder de um jeito mais sóbrio, mais sensato, longe do tom cômico daquele primeiro filme, mas resgatando a essência de como tudo começou nas telas. É uma escolha que aproxima o personagem aos fãs da própria Marvel.

Alerta de Spoirler

O pós-créditos traça esse caminho: Ned cria um sensor que mapeia os trajetos do Aranha pela cidade, quase uma referência às mecânicas de rastreamento presentes no próprio jogo. A cena final revela um outro Aranha, em outro local, sem ligação direta com o que já conhecemos: uma ponte para um novo personagem, ainda sem identidade revelada.

Para o elenco da produção; Zendaya segue como MJ, agora estudando no MIT, com Peter tentando se manter por perto só para garantir a proteção dela, até reunir coragem para se reaproximar. É dali que nasce a frustração de um amor que virou platônico, já que os dois não se conhecem mais nessa linha do tempo criada pelo feitiço do Doutor Estranho, que, aliás, nem aparece no filme. Seria bom vê-lo, ainda que fosse uma participação pequena.

Florence Pugh retorna como Yelena Belova uma das Viúvas, com participações de outros filmes e séries da Marvel em Thunderbolts, e Gavião Arqueiro, agora funcionando como uma espécie de informante indireta de Peter quando ele precisa de ajuda. É um papel menor, mas há um momento interessante em que o diretor explora o físico do próprio personagem numa cena bem-humorada, o que deve agradar quem gosta de ver o lado mais atlético de Peter Parker.

Mark Ruffalo entrega, por um breve momento, o Hulk destruidor, sem pensar, sem cálculo, longe do Hulk contemporâneo, pacificado, “paz e amor”. É o Hulk que o público já conhece perdendo o controle por causa de uma personagem central da trama.

Falta ao filme um vilão de peso. O Escorpião, vivido por Michael Mando, reaparece, mas sem espaço suficiente para deixar marca. Não existe um antagonista central que sustente sozinho o desenrolar da história; o que temos é mais uma introdução, a de uma personagem de outro universo Marvel que já vinha sendo anunciada aos poucos, e aqui falo abertamente de X-Men. Alerta de spoiler: Sadie Sink interpreta Jean Grey. Ela não chega como vilã pronta, mas como alguém que sofreu uma perda grande, cujos motivos vão se revelando à medida que o filme se aproxima do final, ligados a uma pessoa que ela amava.

Tramell Tillman como Bill Metzger: chefe do Departamento de Controle de Danos (DCD), responsável por monitorar indivíduos com superpoderes. Não diria que ele é um grande antagonista, pois o filme não o trabalha dessa maneira. Sua participação parece preparar o terreno para que o personagem tenha um papel maior nos próximos filmes.

Jon Bernthal retorna como Frank Castle, funcionando quase como parceiro do Homem-Aranha, sem a agressividade típica de sua fase Demolidor. Bernthal entrega uma boa dinâmica, e uma das cenas mais fortes do filme é justamente um encontro entre Castle e Peter Parker, onde aparece o lado humano do personagem de um jeito que a própria série dele não havia explorado tão bem.

Marisa Tomei, como Tia May, também tem seu momento de impacto, ligado a uma das cenas mais fortes do filme, que trato no próximo tópico.

Aspectos técnicos (CGI, trilha e fotografia)

As cenas de deslocamento pela cidade estão entre os melhores momentos de CGI de toda a franquia, com um resultado visual muito bonito. Há falhas pontuais de continuidade no cenário de algumas lutas, mas nada que comprometa o padrão visual que a franquia já vinha entregando. O traje de Peter também recebeu um cuidado visível de tom e acabamento.

A trilha sonora é agradável, sem ser memorável, mas cumpre bem seu papel de sustentar o clima do filme. O ponto memorável está na cena em que Jean Grey entra na mente de Peter Parker e encontra o trauma da morte da Tia May. Ela sente a dor de Peter e entende que sua própria dor não é maior que a de ninguém. É um diálogo bem construído, com uma trilha suave que não força um discurso nem tenta impor uma moral. Apenas mostra que é preciso seguir em frente sem viver preso ao luto para sempre, reconhecendo que outras pessoas ao redor também precisam de nós, mesmo sem apagar o sentimento do que se perdeu. Quem já perdeu alguém querido de verdade vai sentir essa cena de um jeito diferente. E digo isso como alguém que raramente se declara emocionado em uma crítica: essa cena me impactou.

Pontos positivos

  • Uma das melhores sequências de deslocamento pela cidade de toda a franquia do Homem-Aranha.
  • Referências diretas e bem executadas a Marvel’s Spider-Man 2 e ao primeiro filme do Tobey Maguire.
  • A cena entre Jean Grey, Peter Parker e a memória da Tia May, com um dos diálogos mais fortes já vistos em um filme do personagem.
  • Bom trabalho de Jon Bernthal, entregando um Frank Castle mais humano do que sua própria série.
  • CGI de altíssimo nível nas cenas de ação e deslocamento.
  • Gancho de pós-créditos que abre caminho para um novo Aranha.

Pontos negativos

  • Ausência de um vilão central capaz de sustentar a trama sozinho; o Escorpião é subaproveitado.
  • Pequenas falhas de continuidade no cenário de algumas cenas de luta.
  • Peter Parker segue escrito como um personagem imaturo demais para tudo que já viveu, incluindo o enfrentamento a Thanos e a alienígenas.

Gamerdivot (Veredito): Homem-Aranha: Um Novo Dia

Pela falta de um vilão à altura e de um momento mais forte de redenção para Peter Parker, considerando tudo que o personagem já viveu ao longo dos anos, dou para esta crítica de Homem-Aranha: Um Novo Dia a nota 3,5 de 5. É um bom filme, interessante, que se assiste do início ao fim sem perder o ritmo, mas que ainda deixa a desejar na maturidade do protagonista. Tom Holland entrega sua melhor atuação nos últimos filmes da franquia, com boa química ao lado de Zendaya e Jacob Batalon, e Bernthal rouba cena. O trabalho da Sony ao equilibrar elementos dos games com a linguagem do cinema está bem-feito, e o filme deve confirmar seu sucesso de bilheteria pela execução geral. Falta ainda dar ao Aranha a maturidade que ele já deveria ter conquistado para ser, enfim, o herói completo que conhecemos das HQs.

Homem-Aranha: Um Novo Dia estreou nos cinemas brasileiros em 29 de julho de 2026, e deve chegar ao streaming meses depois de encerrar sua exibição nas salas do Brasil e do mundo.

Jefão Calheiro
Jefão Calheiro
Apaixonado por games, filmes de ficção científica, séries e tudo que envolve tecnologia e inovação, com mais de 15 anos de experiência comentando e analisando esses temas. Além disso, sou curioso por astronomia e, nas horas vagas, tento observar o cosmos como um astrônomo amador. Acredito no poder das opiniões e no respeito à diversidade de pensamentos. Em minhas análises, busco compartilhar conhecimento de maneira clara e acessível, ajudando o público a se conectar com as novidades do mundo do entretenimento e da tecnologia. Ah, e como bom flamenguista, vibro junto com o maior clube brasileiro, o Flamengo! Vamos, gamernéfilos, porque todo dia tem novidade nesse universo em constante expansão. =)

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Homem-Aranha: Um Novo Dia é o quarto filme do Amigão da Vizinhança protagonizado por Tom Holland, agora sob a direção de Destin Daniel Cretton, que já havia comandado Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. O desafio da atual produção é entregar algo inovador,...Crítica – Homem-Aranha: Um Novo Dia