Crítica | Mulher-Maravilha 1984
Crítica | Mulher-Maravilha 1984 — Reprodução Warner Bros. / DC

Depois de um hiato sem ir aos cinemas devido ao cenário atual que vem assolando o mundo com o temível novo coronavírus (Covid-19), os cinemas brasileiros ao poucos vão reabrindo —, seguindo e respeitando os protocolos de segurança exigidos pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Qual seria o clima que encontraríamos para vivenciar esse momento atípico perante esta retomada? É necessário superar todas as nossas adversidades e seguir em frente.

Em 2017, a diretora Patty Jenkins conseguiu entregar algo totalmente coeso no primeiro longa de Mulher-Maravilha, entrelaçando pontos chaves para manter o Universo Estendido DC (DCEU) vivo nos cinemas. Pouco tempo depois, Liga da Justiça versão de Joss Whedon, mudaria de uma vez por todas para o lado negativo, quebrando esperanças de muitos fãs da DC. Até que a Warner Bros., resolveu ignorar todos os acontecimentos do filme do grupo de herói, e retornaram com o diretor original do projeto Zack Snyder, para um relançamento. A versão foi intitulada de Zack Snyder’s Justice League com lançamento previsto para 2021.

Esta crítica não haverá spoilers e muito menos um filme de super-heróis, mas um longa que mostra esperança, dor, paixão e o melhor de tudo isso superação. Apesar de não conter informações reveladores do longa, recomendo assistir ao primeiro filme, para acabar não sendo surpreendido.

Antes de continuar, vale uma observação sobre os primeiros dez minutos de Mulher-Maravilha 1984. A performance da jovem atriz Lilly Aspell interpretando a Mulher-Maravilha ainda criança, é sensacional. São momentos que não podemos piscar e cada cena é incrível. Superando os embates dos acontecimentos de “Terra de Ninguém do 1º“. Ao término, temos nossa primeira reflexão o que começa como uma mentira jamais dará certo, e também será a base que se arrasta até seu final.

Podemos dividir em 3 atos, sendo o primeiro uma busca por motivação.


Afinal, Diana Prince (Gal Gadot), deixou sua terra natal para viver uma aventura ao lado de Steve Travor (Chris Pine) e sua primeira paixão, infelizmente, sabemos qual foi o fim do destemido espião. Então, como manter toda aquela energia, carisma, motivação de viver. Nesse ponto é a primeira lição que Jenkins traz para trama.

Perder alguém querido pode nos deixar em uma depressão profunda que para sair dela, é necessário muita determinação, já que uma procrastinação acaba ganhando força. Para esquecer esses momento de solidão nossa heroína, conduz atos heroicos na surdina, salvando e livrando cidadãos dos malfeitores. Sem dúvida damos boas risadas em momentos que quebram o gelo. Foi exatamente nos momentos de bravura que sua vida mudaria para sempre, ao conhecer sua companheira de trabalho e especialista em arqueologia Barbara Ann Minerva (Kristen Wiig), que mais tarde seria conhecida como Cheetah ou Mulher-Leopardo.

Retraída por um desejo descomunal, qual é o preço a ser pago por nossa felicidade?

Tanto Barbara e Diana acabam tornando-se boas amigas. Diana aproveitando sua imortalidade, consegue se camuflar em ambientes que sua verdadeira identidade não é descoberta, como uma mera mortal. É em Minerva que focarei, nossa próxima comparação com o cotidiano atual.

A visão de mundo que todos tinham principalmente em 84, e o velho estereótipo nerd, ou pessoas que não fossem descoladas, eram sempre deixadas de lado ou até mesmo invisíveis, algo que perduram em dias atuais. Pressuposto, Barbara tem baixa perspectiva vivendo de forma caótica. Ficando evidente ao decorrer da trama toda sua insegurança e medo de perder o que conseguiu.

Falando nisso, Wiig é sólida no papel de Mulher-Leopardo, apresentando desde de sua insegura e sensível Barbara, até a exuberante e devassa Cheetah, revelando seu lado mais sombrio.

Qual é o preço a ser pago para nossa felicidade?

Fica nítido que Prince se agarra em esperança para ter Steve novamente em sua vida, é quando algo importante envolvendo Minerva e Diana, que toda a mágica acontece e tem o início da reviravolta.

O homem da televisão, nosso primeiro contato com Max Lord, por sinal, interpretado impecavelmente pelo ator Pedro Pascal (T he Mandalorian), não diferenciado do ator ou da persona.

Na sociedade na qual vivemos queremos sempre mostrar que somos bem-sucedido e nunca podemos parecer ser um fracassado, mesmo que isso seja uma aparência. Creio que, como expressado pela diretora, muitos se identifiquem como verdadeiro algoz ou até vítima de um sistema ganancioso.

Lord é um vilão ou vítima?

Maxwell Lord, o vendedor de sonhos, encarnado em modas como esquemas de pirâmide, com traumas de violência doméstica desde sua infância pobre. Lord é uma personificação de um verdadeiro desconforto que nos assola. Conhecer suas motivações e convicções faz você pensar em suas prioridades. Alguns dos trejeitos da personagem lembra um famoso presidente americano de maneira canastrona. Entretanto, seu lado mais humano é demonstrado em sua relação direta com Alistair, interpretado pelo jovem Lucian Perez (Home Before Dark), apesar de poucas aparições, são momentos comoventes e transmite afeto entre seu passado caótico com o presente. Pedro Pascal soube colocar uma vida extra para Lord. Posso afirmar, que é a melhor atuação do ator em longas-metragens.

“Barbara, o que você fez?”

Sem sombra de dúvidas, “Barbara, o que você fez?”; é uma das frases mais emblemáticas e será eternizada em Mulher-Maravilha 1984. O sinônimo de inveja pela falta de ousadia, pode nos fazer querer e desejar coisas maléficas, mesmo que não necessariamente sejam pensamentos ruins. Ademais, será que estamos aptos para obter o mesmo sucesso e administrar com sabedoria? Como o pensador Maquiavel citou uma vez “Dê o poder ao homem, e descobrirá quem…”, dizemos que somos bons, mas até quando, esse bom realmente é verdadeiro. Nossos sentimentos mais obscuros e íntimos refletem quando temos poder e controle sobre os demais.

Déjà-vu da paixão

Obsessão deixa as pessoas cegas, materializar Steve Trevor reencarnado para a crença das amazonas chega ser normal. Nesta parte, o longa muda seu tom e um romance, angústia e medo tomam conta de Diana. Somos testemunha ocular que a Amazona só havia olhos para seu falecido espião. Isto, ficou bem claro quando ela o reencontra pela primeira vez, após sua morte. Encaixo como segundo ato do filme.

Ignorar uma verdade por mentiras

O amor está no ar, dizem que não podemos viver só de amor; também nossos heróis não podem sonhar apenas com isso. Os super-heróis tem suas preocupações com as pessoas mais importantes em sua vida. Além do mais, dificilmente conseguem superar uma perda, já que inúmeras são salvas no seu dia a dia. Ficar ou não ficar, ceder por uma mentira e perder nosso bem mais valioso. Escolhas difíceis, contudo, para um bem maior. Chris Pine retornou muito bem na pele de Steve, e sendo um dos momentos de grande alívio cômico do filme, extirpando momentos sombrios.

Nostalgia dentro e fora das telas

Uma verdadeira nostalgia para fãs dos quadrinhos de Mulher-Maravilha e das séries de Liga da Justiça e dos clássicos de animação.

Muito foi questionando quando elementos clássicos da personagem de Mulher-Maravilha chegaria ao Universo DC, finalmente chegou. É bem verdade, nas adaptações para o cinema tenham certas diferenças com versões dos quadrinhos. No longa, ações em stealth ou furtiva, é um colírio para nosso olhos. Se é fã, ficará emocionado, sendo uma das cenas como um sonho ou vislumbre das cores comemorando 4 de julho, misturada com uma paixão ardente de um amor distante.

Despedidas, superação e redenção

Por fim, nosso o ato três, nos mostrará o momento mais emocionante do enredo —, já vou avisando, leve lenços quando for assistir. Tudo que é bom dura pouco, chega ser clichê, mas é a pura verdade. Em filmes do Universo da DC nos cinemas, jamais havia assistido um drama tão estruturado em questão de longas de heróis. Antes que citem, o filme do Coringa -, diga-se de passagem Joaquin Phoenix foi unânime. Não lembro de outro longa DC, que eu tenha emocionado ao ponto de sair lágrimas. Com diálogos incisivos e uma atuação perfeita de Gal Gadot, sinceramente exigiu e muito de sua atuação, revelando que é muito capaz e tem pulso firme.

Todos os acontecimentos acabam fortalecendo Diana, agora, não mais como uma mulher triste, mas superando seus medos, frustrações e sabendo lidar com sua fúria. Desenvolvendo autocontrole e viajando pelos locais mais altos e intensos da meditação, ao ponto, de um novo atributo clássico ser revelado. Não estranhe se esta apresentação seja sem os efeitos mirabolantes, acredito que Jenkins quis passar um momento de nirvana, para parecer um alívio de estresse e fúria e retomar sua paz interior.

Quando desenvolvemos nosso prejulgamento em meio nossa sociedade, que maus elementos, não podem se redimir de seus atos—; Mas é isso é uma verdade absoluta? Mencionei na grande parte do artigo a real mensagem da diretora nos quesitos filosóficos do filme. Toda via, há casos que uma segunda chance é um grande passo para novo recomeço, exibindo percepções que a fome do poder e ser ganancioso não é tudo. E pode nos custar um preço muito alto há ser pago, perdendo nosso bem mais valioso que está ao nosso lado e não percebemos.

Gamerdito:

O longa é um verdadeiro climax de drama, superação e nostalgia.
Gal Gadot mostrou seu verdadeiro lado atriz ao conseguir expressar com maestria momentos fortes, além de Pedro Pascal encarnar de corpo e alma a personagem de Maxwell Lord, ao ponto de conhecer suas reais convicções pelo ponto de vista do vilão. Já Kristen Wiig teve uma dura missão de trazer uma das maiores arqui-inimiga de Mulher-Maravilha e deu conta do recado interpretando Cheetah – Mulher-Leopardo.
Chris Pine, o alívio cômico deste longa e principal mentor do estresse pós-traumático de Diana Prince (Gal Gadot), levem seus lenços para se emocionar novamente no reencontro de Steve Trevor e Diana.

Finalmente, vamos poder ver elementos clássicos da Mulher-Maravilha no longa. Fiquem ligados aos easter eggs.

Patty Jenkins novamente consolidando a franquia Mulher-Maravilha, os diálogos e a interpretação e a inserção de problemas pessoais que afetam as pessoas do mundo atual, é sem palavras. A diretora conseguiu alinhar sem apelar e até certo ponto descontraído.

Mulher-Maravilha 1984 estreia em 17 de dezembro nos principais cinemas brasileiros.

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