A WWE WrestleMania 42 seguiu com sua segunda noite trazendo combates de alto impacto, mudanças importantes de título e momentos que podem redefinir o futuro da WWE. Com uma mistura de lutas técnicas, storytelling refinado e ascensão de novas estrelas, o evento apresentou um card recheado, tendo como destaque principal o confronto entre CM Punk e Roman Reigns pelo World Heavyweight Championship.
Ao longo da noite, a WWE reforçou sua proposta de equilibrar veteranos consolidados com novos talentos, criando um espetáculo que, apesar de algumas decisões questionáveis, conseguiu entregar momentos memoráveis e consolidar novos nomes no cenário principal.
Se ainda não leu, confira o que achamos da primeira noite de WrestleMania 42.

Oba Femi venceu Brock Lesnar
The Ruler vs. The Beast, um combate que entregou tudo o que prometeu, e sinceramente mesmo sendo curta, tipo menos de 5 minutos, foi algo incrível.
A noite começou com um dos confrontos mais aguardados: Oba Femi contra Brock Lesnar. Desde os primeiros instantes, ficou evidente que não se tratava de uma luta comum. Lesnar tentou impor sua força logo no início, mas encontrou resistência inesperada em Femi, algo raro na carreira do “Beast Incarnate”.
O combate rapidamente se transformou em uma declaração de intenções. Mesmo após sofrer múltiplos suplexes e até resistir a um F5 — golpe historicamente devastador, Femi demonstrou uma resiliência fora do comum. O momento decisivo veio com um powerbomb contundente que garantiu a vitória sobre Lesnar.
A vitória de Oba Femi não foi apenas um resultado surpreendente, mas uma decisão estratégica extremamente significativa. Derrotar Lesnar de forma dominante é algo reservado a pouquíssimos nomes na história da WWE, e isso automaticamente posiciona Femi como uma estrela de primeira grandeza. Mais do que isso, o combate foi estruturado para evidenciar sua força, presença e capacidade de reação, elementos fundamentais para um futuro protagonista.
Colocar Femi sobre Lesnar era, narrativamente, o único caminho viável. Uma derrota poderia comprometer sua ascensão, enquanto a vitória o projeta diretamente para o topo. Trata-se de um claro investimento da WWE em uma nova era.
Brock Lesnar emociona e indica aposentadoria da WWE
Após a derrota, Brock Lesnar protagonizou um dos momentos mais emocionantes da noite. Ao retirar suas luvas e botas no ringue, gesto tradicionalmente associado à aposentadoria, Lesnar não conteve a emoção. A entrada de Paul Heyman para um abraço simbólico reforçou ainda mais a sensação de despedida.
O público respondeu com uma ovação, reconhecendo a importância de Lesnar para a história da WWE. Ainda que não haja confirmação oficial, o momento teve forte tom de encerramento de ciclo.
Ao que tudo apontava a WWE começaria um tour de aposentadoria de Lesnar esse ano, porém, algo pode ter mudado. Pode ser que esse tenha sido a última luta de Brock Lesnar na WWE, ou sua última luta ainda possa acontecer. Lembrando que a WWE quer trabalhar nessa gimmick de Gunther como “Carreer Killer” e a empresa ainda desejaver essa luta acontecendo. O que vem agora? Bom, a resposta é: Vamos aguardar.

WWE Intercontinental Champion (Ladder Match): Penta (c) venceu JD McDonagh, Dragon Lee, Je’Von Evans, Rey Mysterio, Rusev
O combate de escadas pelo Intercontinental Championship reuniu nomes de peso como Rey Mysterio, Rusev, Dragon Lee e o então campeão Penta, e rapidamente se estabeleceu como uma das disputas mais eletrizantes de toda a noite. Desde os primeiros instantes, o combate entregou exatamente o tipo de caos que se espera de uma ladder match desse nível, com spots de alto risco, sequências criativas e uma intensidade constante que manteve o público completamente envolvido.
A dinâmica da luta foi um de seus maiores trunfos, permitindo que cada participante tivesse seu momento de destaque dentro do ringue, ou melhor, ao redor dele. Ainda assim, quem realmente roubou a cena foi Je’Von Evans, que protagonizou alguns dos momentos mais impactantes e arriscados do combate, demonstrando carisma, ousadia e um potencial evidente para se tornar uma das grandes estrelas da empresa no futuro próximo.
Mais do que apenas uma sequência de manobras impressionantes, a luta funcionou como um verdadeiro ponto de virada dentro do evento. Foi a partir dela que a WrestleMania ganhou ritmo e elevou seu nível de empolgação, dando a sensação de que o espetáculo finalmente havia engrenado de vez.
Dentro dessa construção, a decisão de manter o título com Penta se mostrou extremamente acertada. Vivendo uma fase sólida e em ascensão, ele precisava de uma defesa convincente para consolidar seu reinado e foi exatamente isso que aconteceu, com uma vitória limpa e dominante dentro de um cenário caótico, reforçando ainda mais sua credibilidade como campeão.

WWE United States Champion: Trick Williams venceu Sami Zayn (c)
O confronto pelo United States Championship entre Sami Zayn e Trick Williams representou mais um capítulo importante na construção de uma nova estrela dentro da WWE. Desde o início, a luta deixou claro o contraste entre a experiência de Zayn e o momento ascendente de Williams, criando uma narrativa interessante dentro do ringue.
Mesmo com a presença do rapper Lil Yachty ao lado do desafiante, e uma interferência pontual ao longo do combate, a disputa conseguiu manter o foco principal na ação entre os dois lutadores, sem que elementos externos tomassem conta da história. O desfecho veio de forma convincente, com Trick Williams aproveitando a oportunidade para conectar seu Trick Shot e garantir a vitória, em um momento que simboliza claramente sua consolidação.
Do ponto de vista criativo, a decisão é bastante coerente. A WWE vem investindo fortemente em Trick Williams, e esse título funciona como uma espécie de validação desse crescimento, tanto em carisma quanto em desempenho dentro do ringue. Ele demonstra evolução constante e já começa a se posicionar como um nome relevante no cenário principal.
Por outro lado, Sami Zayn mais uma vez cumpre um papel essencial: o de veterano capaz de elevar novos talentos. Sua performance e presença ajudam a legitimar a conquista, tornando a vitória de Williams ainda mais significativa e crível dentro da narrativa.

“Demon” Finn Bálor venceu Dominik Mysterio (Street Fight)
O embate entre Finn Bálor e Dominik Mysterio ganhou um peso adicional com o retorno da icônica persona Demon, um recurso que, historicamente, carrega a aura de invencibilidade e, consequentemente, já indicava com bastante clareza qual seria o desfecho da luta. Essa escolha, do ponto de vista criativo, não foi exatamente sutil, mas funcionou como uma ferramenta narrativa para reforçar a superioridade de Bálor nesse momento da história.
Ainda assim, o combate cumpriu seu principal papel: encerrar de forma simbólica a rivalidade entre os dois, especialmente considerando o histórico dentro do Judgment Day. A atmosfera mais agressiva ajudou a transmitir a ruptura definitiva da relação, dando um tom mais pessoal ao confronto.
No entanto, apesar de eficiente em sua proposta, a luta deixa a sensação de que poderia ter sido ainda mais impactante. O desenvolvimento do clímax aconteceu de maneira relativamente rápida, sem uma construção mais gradual que amplificasse a tensão nos momentos finais. Com um pouco mais de tempo e progressão dramática, o desfecho poderia ter atingido um nível emocional ainda mais forte.

WWE Women’s Champion: Rhea Ripley venceu Jade Cargill (c)
No confronto contra Jade Cargill, Rhea Ripley saiu vitoriosa e conquistou o WWE Women’s Championship, em um duelo que carregava grande expectativa por colocar frente a frente duas das atletas mais dominantes fisicamente da divisão. Desde o início, a luta apresentou esse choque de forças como seu principal atrativo, com momentos que indicavam o potencial para um combate memorável.
No entanto, essa expectativa acabou não sendo totalmente correspondida. A duração relativamente curta da luta, somada a interferências que ocorreram cedo demais, comprometeu a construção narrativa dentro do ringue, impedindo que o confronto atingisse um nível mais profundo de desenvolvimento. Em vez de uma escalada natural de intensidade, o combate acabou acelerado, reduzindo o impacto emocional de alguns momentos que poderiam ter sido melhor trabalhados.
Ainda assim, a vitória de Rhea Ripley se mostra uma decisão bastante coerente dentro do contexto atual da WWE. Sua consistência, presença de palco e conexão com o público fazem dela uma campeã confiável, capaz de sustentar a divisão feminina em alto nível. Mesmo que o combate não tenha atingido todo o seu potencial, o resultado final aponta para um caminho sólido, com Ripley retomando o topo e abrindo espaço para novas rivalidades mais bem desenvolvidas no futuro.

World Heavyweight Champion: Roman Reigns venceu CM Punk (c)
O evento principal colocou frente a frente CM Punk e Roman Reigns em um confronto carregado de intensidade e emoção, digno do peso que a luta carregava dentro da WWE. Desde os primeiros minutos, ficou claro que não se tratava apenas de um combate por título, mas de uma disputa construída sobre orgulho, legado e resistência, elementos que conduziram toda a narrativa dentro do ringue.
Diferente de outras lutas da noite, aqui não houve interferências ou distrações externas, permitindo que o foco permanecesse totalmente na história que os dois estavam contando. A luta se desenvolveu de forma progressiva, com reviravoltas bem distribuídas, momentos de domínio alternado e uma sensação constante de desgaste físico, como se cada golpe aproximasse ambos do limite. Esse tipo de construção mais “limpa” elevou o nível do combate, tornando cada near fall e cada sequência decisiva ainda mais impactantes.
O desfecho veio com Roman Reigns aplicando seu spear de forma definitiva para conquistar o World Heavyweight Championship, coroando uma performance que foi tão estratégica quanto física. Mais do que a vitória em si, o combate se destacou pela mensagem implícita que deixou: no momento decisivo, Reigns ainda tinha algo a mais a oferecer. CM Punk lutou até o limite, resistiu o máximo que pôde e entregou uma performance de altíssimo nível, mas não foi o suficiente para superar um adversário que conseguiu ir além quando mais importava.
Esse tipo de narrativa, baseada em superação, desgaste e diferença de fôlego no momento final, adiciona uma camada extra de profundidade ao combate. Não se trata apenas de quem venceu, mas de como venceu e por quê. É exatamente esse tipo de construção que transforma uma grande luta em um momento memorável dentro da WrestleMania.

Análise final: Como foi a segunda noite da WWE WrestleMania 42?
A segunda noite da WWE WrestleMania 42 conseguiu entregar momentos de grande impacto e cumprir um papel importante na consolidação de novas estrelas dentro da WWE, como Oba Femi e Trick Williams, além de recolocar Roman Reigns no centro absoluto da companhia. Foi uma noite que, em diversos momentos, demonstrou o potencial de renovação do elenco e a capacidade da WWE de equilibrar nomes consagrados com talentos em ascensão.
Ainda assim, o evento deixa a sensação de que poderia ter alcançado um nível ainda mais alto. Algumas decisões criativas, especialmente a duração reduzida de certos combates e o uso recorrente de interferências, acabaram limitando o desenvolvimento de lutas que tinham potencial para serem ainda mais marcantes. Em vários momentos, faltou aquele tempo extra para construir melhor o drama e permitir que as histórias atingissem um clímax mais impactante dentro do ringue.
Mesmo com essas ressalvas, o saldo geral é bastante positivo. O evento principal elevou significativamente o nível do show, entregando uma luta envolvente e bem construída, que conseguiu encerrar a noite com a grandiosidade que se espera de uma WrestleMania. No fim das contas, foi uma noite sólida, com pontos altos evidentes e a clara sensação de que a WWE está pavimentando o caminho para uma nova fase, ainda que nem todas as decisões tenham sido plenamente aproveitadas em seu potencial máximo.
