Meus gamernéfilos, 25 de maio chegou mais uma vez trazendo o Dia do Orgulho Nerd, também conhecido como Dia da Toalha. A data nasceu inspirada na obra do escritor Douglas Adams, criador de O Guia do Mochileiro das Galáxias, e acabou se tornando um símbolo para toda uma geração que cresceu mergulhada na cultura pop, nos games, nos quadrinhos, nos filmes e nas séries.
E talvez seja justamente por isso que eu sinto que o Dia do Orgulho Nerd já não tem mais o mesmo peso de antigamente.
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Houve uma época em que ser nerd era algo quase íntimo. Existia um orgulho verdadeiro em conhecer profundamente uma franquia, em discutir teorias, em esperar ansiosamente o próximo quadrinho da Marvel ou da DC, o próximo episódio de uma série ou um novo jogo chegar às locadoras. Não era uma tendência de internet, nem algo criado para render marketing em redes sociais. Era pertencimento.
Quem viveu aquela fase sabe como franquias como Star Wars e Star Trek ajudaram a moldar esse sentimento. Existia uma conexão diferente com aqueles universos, algo quase mágico. Você se identificava com os personagens, admirava as jornadas heroicas, aprendia sobre amizade, coragem, companheirismo e superação.

Hoje, tudo virou pop
E eu não digo isso como alguém que rejeita popularização. Muito pelo contrário. Existem bandas, filmes, séries e jogos que ficaram extremamente populares e eu continuo gostando até hoje. O problema é quando tudo passa a ser tratado apenas como produto de consumo rápido. O nerd deixou de ser visto como aquele cara apaixonado por universos fantásticos, quadrinhos e tecnologia, para virar apenas um estereótipo comercial.
Os tempos mudaram, claro. A tecnologia avançou, os animes explodiram mundialmente, a cultura asiática ganhou espaço, e isso também ajudou a ampliar o alcance da cultura geek. Tudo isso agrega valor. Só que, ao mesmo tempo, sinto falta daquela essência mais genuína que existia no passado.
Principalmente porque muita gente esquece que, durante anos, ser nerd não era considerado “legal”.
Quando eu era criança, era comum ver pessoas sofrendo bullying simplesmente por gostarem de videogames, quadrinhos, livros de fantasia ou ficção científica. Falar sobre games, heróis ou universos fantasiosos muitas vezes era motivo de piada. E talvez justamente por isso existisse tanta união entre quem compartilhava desses gostos.
Havia identificação…
A jornada do herói tinha significado. Os protagonistas inspiravam pelas virtudes, pela bondade e pelo espírito de equipe. Personagens eram admirados pelo caráter, não apenas pela estética ou pelo hype do momento. Hoje, muitas vezes, vejo uma “romantização” exagerada dos vilões, algo que antigamente era tratado de maneira bem diferente dentro dessas histórias.
Mesmo assim, o Dia do Orgulho Nerd continua sendo importante.
É uma data para celebrar tudo aquilo que marcou nossas vidas: os jogos, os filmes, os animes, os quadrinhos, as séries e os personagens que acompanharam gerações inteiras. Claro que o mercado aproveita esse momento para vender produtos, colecionáveis, periféricos, televisores, action figures e todo tipo de item geek. Isso faz parte da indústria e também movimenta o setor.
Mas o mais importante nunca deveria ser apenas comprar.
O verdadeiro sentido da data está em comemorar aquilo que nos fez sonhar, imaginar e encontrar pertencimento em diferentes momentos da vida.
Talvez seja por isso que eu diga que o Dia do Orgulho Nerd já não é mais como antigamente. Ainda existe celebração, ainda existe paixão, mas aquele lado mais fantasioso, romântico e genuíno da cultura nerd parece cada vez mais raro em meio ao marketing e às tendências passageiras.
Mesmo assim, neste 25 de maio de 2026, vale a pena pegar sua toalha, revisitar suas franquias favoritas e lembrar por que tudo isso um dia foi tão especial para tanta gente.
